Carlos Antunes
20/01/2016
12:17
Rio de Janeiro (RJ)

Passado o primeiro mês depois da traumática derrota em 13 segundos para Conor McGregor no UFC 194, José Aldo consegue parar para refletir sobre o confronto de forma mais fria e consciente. Em conversa com a imprensa no lançamento de sua hamburgueria no Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro, a "Famous Burguer", o ex-campeão comentou de que forma digeriu o resultado negativo, confessou uma dor mais pelo revés contra um rival com a personalidade do irlandês e projetou um reencontro no futuro.

Segundo o brasileiro, a derrota já virou passado e o assunto "McGregor" passa longe de deixar o lutador engasgado após o confronto decepcionante.


- Engasgado nada. Procuro andar para frente, não ficar pensando se foi ou não foi, ou se me precipitei, como todo mundo falou. Procurar olhar para frente, fiz o trabalho certo. Bati o peso bem, o treinamento foi ótimo, sem contusão nenhuma. Chegou lá o cara conseguiu conectar um bom golpe e acabou a luta. Fico triste por isso, mas não vou ficar "bitolado", pensando que tenho que chegar e lutar com ele... F... ele, não estou nem aí. Vou vencer quem estiver na minha frente, porque eu tenho um objetivo que é recuperar o cinturão - declarou o ex-campeão dos penas.

Questionado se a derrota foi mais dolorosa por ter acontecido contra um rival falastrão que disparou diversas provocações antes da luta, Aldo abriu o coração e confessou:

- Com certeza foi (mais dolorido). Meus amigos sabem, que sempre falei que um dia iria perder e ia aceitar a derrota. Mas para esse cara, não. Pela proporção que tomou... Doeu mais por isso. Podia perder para o Frankie Edgar, para o Chad (Mendes), quando tive lutas duríssimas, ou qualquer outro, mas por esse lado eu fiquei um pouco desapontado comigo mesmo, porque naquela hora eu não podia perder - desabafou.

Confira um bate-papo com José Aldo
O fato de ter sido uma luta que movimentou muito dinheiro te consola para amenizar a dor da derrota para o McGregor?
P... nenhuma! Até agora não vi p... nenhuma. Até agora não sei como foi o pay-per-view, espero que tenha vendido bem, para que pelo menos a gente possa ter ganhado nesse lado. Mas na verdade eu procuro deixar bem de lado o dinheiro, sempre lutei para manter o cinturão e continuar como o campeão, isso que eu sempre quis ser. Não fui feliz, mas vou dar a volta por cima, chegar lá dentro e vencer de novo.

José Aldo
              Aldo com seus companheiros (FOTO: Carlos Antunes)


Após a luta o Conor foi respeitoso. Você esperava isso?
- É normal. Tanto eu quanto todo mundo já esperava. A luta foi um golpe. O meu pegou raspando, ainda cortou. Imagina se pega inteiro... Arranca a cabeça dele! Mas ele teve mérito de conectar um bom golpe e acabar com a luta. Mas penso em mim, nos meus fãs, penso em todo mundo por quem luto, por quem represento, pouco me importa o que ele fala ou deixa de falar.

Ele chegou a dizer que o lutador que o enfrenta tem de lidar com uma pressão que nunca encarou antes. Você concorda?
P... nenhuma. Pressão nenhuma. Chego lá dentro e faço tudo aquilo que eu treinei. Ele teve felicidade. Para mim é sempre o melhor do mundo que vou enfrentar. Não me importa se é ou não é, se é "fulaninho", campeão de não sei o que... Não importa.

Você se arrepende de alguma coisa?
De nada. Todo mundo sempre fala que eu fui para cima, que me precipitei em fazer um ataque... Mas eu já ganhei em sete segundos, como me precipitei agora? Fui fazer algo que é tradicional em uma luta entre um destro e um canhoto. Quem entende de boxe conhece. Fui jogar um golpe no peito para marcar e um cruzado em cima. Até pensei em chutar, mas ele podia ter preparado algo. Ele teve felicidade e méritos de acertar um bom golpe, não fui eu que me precipitei, não estava com raiva. Todo mundo falou que eu estava com muita raiva... Raiva de quê? Ali dentro eu estou tranquilo, mantenho minha cabeça no lugar e faço aquilo que treinei

Fica um vazio ao pensar que a luta não aconteceu como deveria e talvez nunca possamos descobrir como ela seria se tivesse durado mais?
Tenho na cabeça que ele vai ficar ali... Sou um trabalhador do UFC, ele também, temos contrato. Pode ter certeza que o mundo gira. Uma hora ele vai parar na minha frente de novo e eu vou passar por cima.

Você notou que o assédio em cima de você diminuiu depois de perder o título?
Só tenho que agradecer a todo mundo, cada palavra. Fiquei muito feliz por isso, satisfeito em saber que não estou sozinho. Nas ruas falam pra mim que sou o campeão e vou reconquistar. O tratamento até melhorou, na verdade. O carinho de todo mundo comigo hoje em dia é maior do que quando era o campeão do UFC.