Paralimpíada

Dirigentes da Rio 2016 estiveram na coletiva na manhã deste domingo (Foto: Bernardo Cruz)

Bernardo Cruz
18/09/2016
10:54
Rio de Janeiro (RJ)

O presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, falou na manha deste domingo durante coletiva de imprensa para falar sobre o encerramento dos Jogos Paralímpicos. Apesar de cansado, o dirigente era o semblante da satisfação com o resultado final de duas competições em um espaço de pouco mais de um mês.

Nuzman, que esteve acompanhado de toda sua linha de frente do Comitê, ressaltou o pioneirismo que os Jogos do Rio protagonizaram. 

- Podemos dizer de cabeça erguida: missão cumprida. Desde que vencemos como sede, em 2 de outubro de 2009, a experiência foi inacreditável. Fiquei em dúvida muito grande pelas palavras do presidente Saramanch (ex-mandatário do COI). Ele dizia que o mais difícil era vencer os Jogos do que fazê-lo. Continuo com a mesma posição: é mais difícil vencer do que organizar. Vencer a sede ou é primeiro ou é o último. Depois, se tem anos para fazer. Esta missão vai deixar um legado ao movimento olímpico e paralímpico imensurável. Abrimos as portas para novas regiões do mundo. Os historiadores que irão analisar deixarão registrado que o Rio abriu as portas de novas regiões do mundo. Esse resultado ultrapassa qualquer previsão feita. Não se deve deixar de dar oportunidades a novas regiões do mundo - disse Nuzman.


Outro aspecto ressaltado durante a coletiva foi o valor econômico nos mais diferentes níveis. Para Nuzman, mesmo diante das dificuldades que o processo teve, sobretudo pela crise que o Brasil enfrenta desde o ano passado, o Rio de Janeiro jamais entregou os pontos.

- Tivemos problemas econômicos e políticos no caminho? Sim. Mas buscamos alternativas. Os beneficiários são os atletas, a juventude do mundo e ainda os meninos e meninas que nasceram, os pequeninhos, que ainda serão atletas, dirigentes, jornalistas... Em 120 anos, nenhuma cidade mudou tanto. O Rio aproveitou. A cidade perdeu o status de capital há mais de 50 anos. E agora passou a investir. A população não tinha um transporte público como tem agora. É só ver a propaganda eleitoral: todos os candidatos dizem que vão continuar investindo na cidade. Mais: o país vai continuar mudando. Ninguém apaga a história: não serão imagens, documentos, livros... ninguém apaga. A história dos Jogos do Rio nos orgulha muito. E jamais pensamos em desistir. Sei de histórias de cidades que quiseram entregar as chaves. O Rio não - completou Nuzman.

A questão do dinheiro público também foi abordada durante o evento. Sidney Levy, diretor-geral dos Jogos, afirmou que o orçamento feito para gastos dos Jogos, cerca de US$ 2.8 bilhões, não será ultrapassada. Ele reafirmou o convênio feito com a Prefeitura para a Paralimpíada (cerca de R$ 15 milhões). Contudo, foram utilizados R$ 30 milhões deste montante.

- Hoje fico feliz em dizer que o gasto total do comitê será de US$ 2,8 bilhões. Considerando que o dólar flutuou de maneira absurda nesses anos. A cada ano, publicamos um balanço que está na internet. Quando publicarmos o balanço de 2016, o número estará auditado. Só saberemos ao final, após a demissão de alguns funcionários. Nos comprometemos em fazer os Jogos sem nenhum recurso público. Durante essa jornada, alguns momentos de alegria e tensão, precisamos assinar um convênio com a prefeitura. Na candidatura, nos comprometemos a ajudar os comites paralímpicos a trazer os seus atletas. Isso foi pago com esse dinheiro. Posso afirmar que o uso de dinheiro público não passará de 1% do total - afirmou.