Igor Siqueira
16/09/2016
06:15
Rio de Janeiro (RJ)

Zahra Nemati está ficando cada vez mais acostumada a receber cumprimentos pelo desempenho no tiro com arco. Se em 2012 a iraniana foi a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro paralímpica para o país dela (e inclusive, disputou os Jogos Olímpicos Rio-2016), nesta quinta-feira ela faturou o bicampeonato. O impulso para a conquista foi uma demonstração de carinho que fez aflorar as emoções contidas na atleta de 31 anos.

Quando entrou no campo de tiro para disputar o primeiro duelo dela no dia, contra Zinyat Valiyeva, do Azerbaijão, Zahra viu de longe, na arquibancada superior, um cartaz com um alvo em formato de coração, o nome dela escrito, além de duas pessoas gritando e mandando beijos. Eram Raquel Oliveira e a filha de 7 anos. O nome da menina? Zahra.

Entre um tiro ao alvo e outro, Zahra, a iraniana, também respondeu o carinho mandando beijos para o alto. A vitória no combate veio. Comovida e curiosa, Nemati queria saber quem, afinal, era aquela brasileira que estava dando tanto apoio.

Raquel não escolheu o nome da filha por causa da arqueira. Mas desenvolveu uma admiração pela porta-bandeira do Irã ao descobrir que o nome que tinha gostado tanto pertencia a uma atleta. Quando foi avisada que iria conhecer a Zahra “original”, os olhos ficaram cheios de lágrimas. No primeiro encontro face a face, um longo abraço e lágrimas para todo o lado.

Raquel contou a história do nome da filha, entregou à iraniana um alvo em formato de coração e recebeu em troca o alvo no qual Zahra tinha acertado no combate anterior.

– Foi uma surpresa ver você aqui. É uma honra conhecer a pequena Zahra. Estou muito agradecida por sua energia positiva para a minha performance hoje. Não importa o resultado, eu vou dar o meu melhor hoje por causa da pequena Zahra. Meu sucesso de hoje é ver você aqui. É um feito para mim – disse Zahra Nemati, com ajuda de um tradutor, à dupla de fãs brasileiras.

A iraniana cumpriu a promessa de dar o máximo e conquistou o bicampeonato olímpico.

- Foi uma grande surpresa encontrar ela. As pessoas no Brasil foram muito gentis comigo durante a Olimpíada e a Paralimpíada. Foram muito legais e me trataram de um jeito especial. Tudo o que tentei fazer foi usar essa energia que peguei deles para colocar naquilo que estava fazendo. Me ajudou muito a energia dessa moça que estava aqui - finalizou.