Igor Siqueira
14/09/2016
07:20
Rio de Janeiro (RJ)

O uniforme continua tendo camisa amarela. O local de trabalho também é em Deodoro. Mas a função na credencial mudou. De atleta nos Jogos Olímpicos a voluntária nos Jogos Paralímpicos. Izzy Cerullo, da seleção brasileira feminina de rúgbi de 7, saiu dos gramados para os bastidores e ainda por cima está juntando o útil ao agradável na Paralimpíada.

– Não cansei de ser atleta não, mas eu fiquei sabendo que precisavam de mais voluntários no futebol de 7. Minha noiva é gerente de serviços da competição. Ela perguntou se tinha interesse, eu concordei que seria interessante conhecer o outro lado. Tinha vaga, estavam precisando, fiz a inscrição e conseguiram me colocar aqui – contou Izzy ao LANCE!.

Para quem não está ligando o nome à pessoa, Izzy foi aquela jogadora pedida em casamento em pleno gramado do campo de Deodoro. A noiva dela, Marjorie, autora da surpresa que chamou a atenção durante a Rio-2016, continua trabalhando no local, mas agora com a companhia da pessoa amada.

– Foi uma das razões, mas tinha muito interesse de conhecer o outro lado. Para mim, foi uma experiência incrível participar dos Jogos Olímpicos. Se eu posso fazer uma parte pequena para entregar esse sonho para outros atletas também é um momento único – completou Izzy, de 25 anos.

A jogadora brasileira, que é identificada por alguns colegas como “aquela que foi pedida em casamento”, trabalha bem próxima às equipes do futebol de 7.

– Estou no serviço de informações. É para os times. Eles solicitam vídeos dos jogos e eu ajudo a conseguir. Também tem qualquer informação sobre protesto em relação à classificação de atletas. Enfim, informações gerais sobre qualquer serviço que eles queiram fora do campo – explica ela, que se surpreendeu com a estrutura:

– Não sabia que acontece muita coisa fora do campo de visão dos times, tem muito trabalho feito para entregar coisas específicas. Faço parte de uma equipe de oito pessoas. Tem a equipe da instalação, da comida e bebida, do transporte... É uma operação muito grande. Para mim, está interessante mesmo.

Voltando a falar sobre a futura vida conjugal, Izzy diz que nem deu tempo conversar muito com a Marjorie sobre preparativos.

- Planos, sim. Data, não. Estamos vendo isso também. Ela não parou de trabalhar, não tivemos tempo de planejar - respondeu.

ATLETA TAMBÉM VAI VIRAR TORCEDORA

A participação de Izzy nos Jogos Paralímpicos não vai se limitar ao voluntariado. Ela já comprou ingressos para ver de perto o desempenho dos melhores atletas do rúgbi em cadeira de rodas, no domingo, último dia de competições.

– Eu tenho ingresso para assistir à final e ao bronze. É um dos esportes que eu mais gosto dos Jogos Paralímpicos. É um jogo muito dinâmico, traz coisas do jogo olímpico. Mas também serve para ver atletas fazendo coisas que eu não consigo fazer. Eles são de alto rendimento também. É incrível ver o aspecto do jogo adaptado. É incrível – disse a jogadora brasileira, que ainda tira lições de vida da disputa:

– Eu não tenho desculpa para não conseguir fazer, me esforçar, para me superar vendo esses atletas.

CALENDÁRIO COM JOGOS

Como a seleção brasileira feminina de rúgbi terminou o torneio olímpico em nono lugar, a próxima temporada do Circuito Mundial será de atividades envolvendo o Brasil.

–O rúgbi feminino, com o nosso resultado nos Jogos Olímpicos, conquistou uma vaga fixa. Então, 2016/2017 estamos garantidas em seis etapas mundiais. Vai ser muito bom competir entre as melhores 12 equipes do mundo – comentou Izzy, que projeta evolução na modalidade:

– É uma chance de ter um ano completo, cheio de torneios, para aumentar a nossa consistência e competir.