Tinga (Foto: Alexandre Lops/Internacional)

          Tinga minimizou as marcas causadas pela perda do Brasileirão de 2005 (Foto: Alexandre Lops/Internacional)

Luiz Signor e Vinícius Faustini
16/08/2016
12:35
Porto Alegre (RS)

Mais do que um título, um aprendizado. É assim que Tinga recorda a conquista da Copa Libertadores da América pelo Internacional em 2006, feito que completa dez anos nesta terça-feira. Alçado a herói, por marcar o gol que selou o empate em 2 a 2 diante do São Paulo, naquele 16 de agosto, e expulso no minuto seguinte, o ex-volante lembra ao LANCE! as lições deixadas no Beira-Rio:

– Foi uma prova de que você pode sair de herói a vilão por minutos. Do mesmo jeito que foi um sucesso, poderia prejudicar o Internacional. Falo com muita humildade, aquela expulsão e os 20 minutos fora de campo valeram mais que o título. O título é um marco, um aprendizado, mas ficaram algumas lições. A de não achar que se é o melhor do mundo por estar próximo do título, e nem achar que se é o pior homem do mundo por causa de um tropeço. Tem de estar sempre com os pés no chão – disse o ex-volante, que recebera o segundo amarelo por tirar a camisa colorada e exibir uma mensagem.

Responsável por promover o jogo festivo desta terça-feira, às 20h30, no Beira-Rio, Tinga não esconde sua emoção de ter contribuído para o Colorado passar por um "divisor de águas" em sua história:

– Saber que a gente fez parte de uma mudança capaz de tornar o Internacional um clube realmente internacional é gratificante. A cada ano que passa, dá para ver a diferença que as melhorias que o Inter teve desde 2006, na quantidade de sócios, no Beira-Rio... Fico feliz de fazer parte disto.

Visto como um dos responsáveis pela união do elenco do Inter, o ex-volante contou como agia no dia a dia do clube:

– Eram 30 jogadores, em um trabalho de dia, com várias tribos, mas eu tinha facilidade de transitar por todas as elas. Como eu convivia bem com o Fernandão, ajudava outros jogadores que tinham dificuldades para se aproximar e conversar com ele.

As boas lembranças da volta olímpica fazem Tinga minimizar um sabor de "vingança" da perda do Brasileirão de 2005. Além do Inter perder a liderança para o Corinthians devido à "Máfia do Apito", que causou a remarcação de jogos, no empate em 1 a 1 entre as duas equipes no Pacaembu, a diretoria colorada questionou um pênalti de Fábio Costa sobre o volante (que recebeu o segundo amarelo por simulação no lance, e foi expulso).

– Não, vingança não é a expressão. A gente não conseguiu por força maior vencer o Brasileiro. Mas, depois de superarmos isto, nós fomos passo a passo deixando para trás os adversários da Libertadores e terminamos a competição premiados com a conquista.

O título da Libertadores, no entanto, trouxe outro sabor para Tinga: o da despedida, para atuar no Borussia Dortmund (ALE), onde ficou até 2010. Segundo o volante, as boas lembranças deixadas na trajetória até o título continental do Colorado rechaçaram a hipótese de uma frustração por não estar na decisão do Mundial de Clubes do mesmo ano:

– Já tinha chegado a uma aura de campeão, tive a possibilidade de ajudar a construir aquela festa, e usufruí do título. Ao mesmo tempo, vivi meu sonho como profissional no Inter e como pessoa, de jogar na Europa.