Fernando Carvalho - Dirigente do Internacional

Sob a gestão de Carvalho, Inter evitou queda na última rodada de 2002 (foto: Itamar Aguiar/Freelancer/Lancepress!)

Olga Bagatini
08/11/2016
08:44
São Paulo (SP)

– O Internacional vive o momento mais delicado de sua história. Claro que tenho medo do rebaixamento, tenho esse medo desde o dia em que assumi o cargo – disse o vice-diretor de futebol Fernando Carvalho ao LANCE!, ao avaliar a situação do clube no Brasileiro. Após a derrota para o Palmeiras, no domingo, o time estacionou nos 38 pontos e voltou ao Z4.

Conhecido como "cavaleiro da esperança" por ter levado o Inter ao topo da América e do mundo em 2006, Carvalho já era presidente no fatídico ano de 2002, quando o time só evitou a queda na última rodada. 

Era o início da gestão do ex-presidente. Assim como em 2016, o Inter passou o ano nas cercanias da degola. A quatro rodadas do fim, Roth foi trocado por Cláudio Duarte, treinador que era habitualmente lembrado em tempos de crise. Para piorar, os diretos de imagem dos jogadores estavam atrasados. Na partida derradeira, o time precisava de um milagre: bater o Paysandu e torcer por uma combinação de resultados. Apesar do sufoco, deu certo. Caíram Palmeiras, Botafogo, Portuguesa e Gama. 

Em agosto deste ano, ele foi chamado às pressas pelo atual presidente Vitório Piffero para mobilizar o grupo e "salvar a história" do clube – um dos cinco times brasileiros que nunca conheceu a segunda divisão. Além do Inter, figuram no rol Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo. 

– Eu só voltei porque a situação era muito difícil. Piffero me convidou para ajudar a buscar a reação. Ele já me ajudou em diversas situações, como no quase rebaixamento de 2002, então aceitei – explicou o dirigente. 

Na época, o Inter enfrentava um jejum de 11 jogos (chegou a 14) e estava a dois pontos da degola. Falcão havia acabado de ser demitido. A chegada de Carvalho trouxe consigo Celso Roth, e pouca coisa mudou desde então. Sem encontrar regularidade, o Colorado chegou a cair para o 18 lugar, e só conseguiu sair do Z4 após triunfo histórico sobre o Flamengo.

A derrota no Allianz, no entanto, levou o time de volta à zona. Mesmo assim, Roth continua respaldado – ao contrário do que ocorreu em 2002, quando o treinador foi demitido a quatro rodadas do fim do torneio.

– Roth continua porque deu respostas positivas sempre que trabalhou comigo. Foi campeão da Libertadores de 2010, campeão gaúcho, e acho que faz um trabalho de recuperação da equipe. O trabalho tem que ser mantido. Senão, não vai ter resultado – avaliou o vice-diretor, que também trabalho ao lado do treinador na derrota vexatória para o Mazembe, no Mundial.

Para escapar, o Inter precisa de sete pontos nas quatro rodadas finais, contra Ponte Preta (casa) , Corinthians (fora), Cruzeiro (casa) e Fluminense (fora). O problema é que Roth ainda não venceu fora do Beira-Rio. Para cumprir o objetivo, salvar o Inter e fazer valer o apelido de "cavaleiro da esperança", Fernando Carvalho terá um árduo caminho pela frente.

SWAT COLORADA
Celso Roth não foi o único "reforço" trazido por Fernando Carvalho para tentar conter a crise. O vice de futebol também buscou outros ex-dirigentes que fizeram história no clube gaúcho, como Newton Drummond, o "Chumbinho" (diretor executivo entre 2002/2011 e 2013/2014) e Ibsen Pinheiro (dirigente na década de 70, quando o time foi tricampeão brasileiro). Junto com Roth, o grupo forma a "SWAT Colorada", em alusão à polícia especializada dos Estados Unidos, e tem a missão de livrar o time da Série B.

Deputado estadual (PMDB-RS) e famoso por ter conduzido o impeachment de Fernando Collor, Ibsen chegou a tentar se licenciar do cargo público para ajudar o clube de seu coração .

– Tentei me licenciar do cargo para me dedicar do Inter, mas apelos do governador José Ivo Sartori, do meu partido e até da posição me fizeram ver que seria um erro. Agora, ao invés de ser meio político, decidi ser meio cartola – disse Ibsen em entrevista ao L!.

Chumbinho assumiu um cargo executivo, Ibsen tornou-se o "braço direito" de Carvalho e atua como conselheiro.

– Sou diretor de futebol, auxiliar, assessor, palpiteiro e amigo do Fernando Carvalho. SWAT é uma expressão que ele utilizou para definir nossa política de emergência, e eu achei divertida. Nossa tarefa era montar um time com consistência defensiva, ocupação do meio-campo e velocidade no ataque. Estamos nesse caminho. Estou confiante que o Inter voltará a escapar do rebaixamento – encerrou o deputado. 

Bate-bola com Fernando Carvalho, dirigente do Internacional:
‘Seijas é um bom jogador, mas é o treinador quem escala a equipe’

Que medidas você tem tomado para ajudar a salvar o Inter?
São ações para mobilizar os jogadores, reuniões pessoais e em grupo e cobranças. Muitos dos jogadores são jovens, temos de passar tranquilidade para que eles possam desempenhar o trabalho.

O Inter investiu em Seijas, Nico López e Ariel. Porém, são atletas pouco utilizados por Roth. Faltou planejamento nas contratações?

São contratações que estão integradas ao grupo. Nico e Ariel não vinham jogando porque estavam se recuperando de lesão, estão retornando agora. Seijas é bom jogador, mas é o técnico quem escala. Roth analisa treinos e jogos e toma as decisões. Não quer dizer que Seijas não seja importante para nós.

O que o Inter precisa fazer para conquistar os pontos que faltam?

Não estamos fazendo contas. Nossa conta é sempre o próximo jogo. Agora, o Inter precisa conquistar os três pontos em casa contra a Ponte Preta, no fim de semana. Temos sempre de entrar em campo pensando em conquistar a vitória.