Marcelo Chamusca - Guarani

Chamusca fez algumas 'exigências' à diretoria para conseguir reerguer o time do Guarani (foto: Divulgação)

Olga Bagatini
24/09/2016
07:00
São Paulo (SP)

Marcelo Chamusca chegou ao Guarani em abril, três dias após a eliminação da equipe na Série A2 do Paulista. A missão do baiano de 49 anos: substituir Pintado – contratado pelo São Paulo –, por fim ao clima ruim no vestiário bugrino e remontar o time para buscar o acesso à Série B do Brasileiro. Agora, o comandante está a um passo de completar a tarefa. Basta ao clube passar pelo ASA nas quartas de final da Série C, no próximo fim de semana, para enfim retornar à segunda divisão nacional.

– Cheguei em um momento muito difícil para o Guarani, depois de mais um insucesso no Paulista. Mas quando eu recebi a proposta, vi como uma chance de tentar fazer diferente, obter êxito. Vi na crise uma oportunidade – disse o técnico em entrevista ao LANCE!.

Apesar de confiante, Chamusca sabe que precisará de cuidados redobrados nas próximas semanas para não tropeçar. O treinador já bateu duas vezes na trave do acesso, com o Fortaleza, nos últimos dois anos. Primeiro caiu para o Macaé, enquanto o Brasil de Pelotas foi o carrasco de 2015. Desta vez, o treinador quer o inédito final feliz sob o comando da equipe de Campinas.

Após sua chegada, o técnico teve pouco mais de um mês até a estreia na Série C. Aproveitou o período para ajudar a realizar mudanças no clube que, a seu ver, dariam condições de lutar pelo acesso.

– Para buscar êxito eu precisava de algumas garantias, como autonomia para montar o elenco. Dispensei a maioria das peças, trouxe jogadores e consegui tirar o peso da eliminação dos remanescentes, como Fumagalli. Também exigi  melhora na estrutura, principalmente nos departamentos de fisiologia, fisioterapia e análise de desempenho. E o clube me garantiu isso – explicou;. 

Deu certo. A diretoria do Guarani cumpriu seu papel, e Chamusca cumpriu o dele. Montou uma equipe consistente, que terminou a primeira fase com 70% de aproveitamento e a segunda defesa menos vazada da competição (11 gols em 18 jogos, atrás apenas do Boa Esporte, com dez), e deu esperança à torcida bugrina de retornar à Série B após quatro anos. Desde que caiu para a terceira divisão, em 2012, o time não conseguiu se reerguer e chegou a flertar perigosamente com a Série D há dois anos.

- No início as pessoas estavam céticas em relação a mim, mas conseguir montar um time e conseguir esses números não é comum. Vim com convicção de que poderia fazer o Guarani crescer. Trabalhamos com conceitos de jogo muito bem definidos, principalmente em relação à parte defensiva , que os jogadores assimilaram muito bem - avaliou. 

Se depender do treinador e de seu otimismo, a história com o Guarani será diferente. O jogo de ida será no dia 1º de outubro, em Arapiraca. A partida que pode marcar o retorno do Bugre será dia 8, no Brinco de Ouro. 

– Tenho muita convicção no que faço. A pressão é natural, sei da importância do acesso para a torcida e a diretoria do Guarani. Fiquei um pouco frustrado com o Fortaleza, mas não absorvo a pressão do histórico pregresso. Aprendi, amadureci e sei bem o que preciso fazer. O time está trabalhando certo e tem tudo para ter êxito desta vez – assegurou o treinador.

Bate-bola com Marcelo Chamusca, técnico do Guarani
'O Bugre foi se fortalecendo ao longo da competição'

O longo tempo de preparação foi importante para montar o time?
Foram 30 e poucos dias que serviram para eu conhecer o clube, me adaptar a Campinas e montar essa estrutura extracampo. E para receber os atletas e já ir implementando nosso conceito de jogo. Foi interessante o tempo que eu tive. Mas o time, na verdade, foi se fortalecendo ao longo da competição.

Quais são os "conceitos de jogo" aos quais você se referiu?
Principalmente defensivos. Responsabilidade na hora de recompor, posicionamento sem quebrar as linhas na nossa linha de defesa. Fazemos marcação zonal a partir dos atacantes, todos com responsabilidades. Eles assimilaram bem essa recomposição sem a bola. Também ajuda o fato de a competição permitir uma semana de treinos, pudemos conquistar essa consistência no dia a dia. Também fazemos uma análise profunda dos adversários. Existe conceitos padrão para todo jogo, mas essa análise é muito importante na postura do time. Fazemos um estudo minucioso a cada semana e procuramos passar isso para o grupo. A gente também, um feedback em relação ao nosso comportamento em cada jogo. Isso fez o time se tornar equilibrado, com aproveitamento interessante no ataque e defesa consistente. 

Tem receio de repetir o insucesso do Fortaleza com o Guarani?
Acho injusto isso. Não fui eu que não consegui o acesso, foi o Fortaleza. Tive minha parcela de responsabilidade, mas a divido com presidente, diretoria, comissão técnica e jogadores. E quando falam sobre isso, parece que a responsabilidade é só minha.

O que há de diferente no Bugre neste ano que faz você acreditar no acesso? Além do comprometimento do elenco com o modelo de jogo, a atmosfera. Tanto no vestiário quanto da torcida. É uma torcida maravilhosa, extremamente apaixonada, e a grandeza clube pesa também. Estou tranquilo e com a convicção de que a gente está trabalhando certo e a gente tem tudo para ter êxito na próxima fase contra o ASA, com todo o respeito, que é equipe forte e competitiva também, mas acredito muito no nosso trabalho.

Você vai permanecer, caso o Bugre não consiga subir à Série B?
Ainda não sei, agora o foco é no que vai acontecer nas próximas três semanas. Depois penso no que vai ser do futuro.