Marcelo Chamusca concede entrevista antes da estreia na Série C (Foto: Reprodução / Facebook)

Marcelo Chamusca concede entrevista antes da estreia  do Guarani na Série C (Foto: Reprodução / Facebook)

Melissa Gargalis
22/05/2016
07:15
São Paulo (SP)

Neste domingo, o Guarani faz sua estreia em mais uma edição da Série C do Campeonato Brasileiro. Diante do Guaratinguetá, às 11h, no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, o Bugre dará o pontapé inicial na caminhada rumo o acesso à Segunda Divisão da competição nacional. Para o técnico Marcelo Chamusca, a expectativa para enfrentar o Tricolor do Vale é a melhor possível:

- A expectativa é extremamente positiva. Tivemos uma semana de preparação excelente, com comprometimento muito grande por parte dos jogadores. Queremos estrear bem jogando em casa - afirmou o técnico de 49 anos, em entrevista ao LANCE!

Apesar de jogar com os portões fechados por conta do cumprimento de uma punição aplicada após incidentes contra a Portuguesa na edição de 2015 da Terceira Divisão do Brasileiro, o treinador diz que o time está motivado para fazer sua estreia na competição.

"Temos a oportunidade de escrever uma nova história no Guarani"

- Apesar de jogar com os portões fechados, existe uma motivação muito grande para estrear com o pé direito e fortalecer a nossa confiança. Conseguir uma vitória é importante para todos nós. Ainda, acredito, sim, que o Guarani tem possibilidades de voltar a brigar pelo acesso, conseguir objetivos e voltar a crescer. É um clube muito grande, com uma história muito bonita. Temos a oportunidade de escrever uma nova história no Guarani - disse o comandante.

Em sua primeira passagem no futebol paulista, o treinador nascido na Bahia ainda conta sobre sua experiência em clubes do nordeste e também do exterior, relatando os aprendizados que trouxe e que pretende implantar no Guarani. Marcelo Chamusca ainda explica os planos para a disputa da Série C desta temporada e fala sobre as questões extracampo que nos últimos anos acabaram interferindo diretamente no desempenho da equipe dentro da cancha.

Bate-Bola com Marcelo Chamusca:

Como você analisa a chance se treinar um time paulista?
- Estou muito motivado com essa oportunidade de iniciar o meu trabalho aqui em São Paulo, em um clube com a história e a grandeza do Guarani. Queremos montar um time que brigue para ficar entre os primeiros da Série C.

Da sua experiência no futebol do nordeste, já que você treinou equipes como o CRB-AL, Vitória da Conquista-BA, Salgueiro-PE, Fortaleza-CE e Sampaio Corrêa-MA, o que você imagina que será mais desafiador à frente de um time paulista?
- Hoje o futebol é globalizado, você tem oportunidade de acompanhar e eu venho fazendo isso desde os anos anteriores. Os jogadores que jogam em São Paulo também jogam no nordeste e vice-versa, então não há dificuldade nenhuma em relação a essa questão. Acho que temos que pegar um leque de informação maior em relação aos estádios e aos árbitros. A atmosfera é um pouco diferente da nossa lá do nordeste, mas com a sequência dos jogos poderemos ter uma assimilação melhor.

"Vamos iniciar a competição ainda sem ter um elenco fechado, mas o planejamento é montar uma equipe competitiva para brigar pelo acesso"

Qual será o planejamento para a disputa da Série C?
- O planejamento é montar uma equipe competitiva que possa brigar pela classificação e posteriormente pelo acesso. A montagem do elenco está sendo feita até certo ponto tardia, existe um atraso, vamos iniciar a competição ainda sem ter um elenco fechado, mas esse é o planejamento, montar uma equipe competitiva para brigar pelo acesso.

Como está acontecendo o processo de reformulação?
- Já estava sendo feito quando eu cheguei aqui, nós temos poucos jogadores remanescentes da Série A2 do Paulista, tem alguns que foram formados no clube, são oriundos da divisão de base também . Mas, contratamos praticamente em todas as posições.

Quem chega?
- Estamos praticamente fechados com mais um volante, mais dois zagueiros, e um goleiro. Esses quatro já estão contratados, mas têm compromisso com outros clubes e nós aguardamos a apresentação deles no início da próxima semana. Ainda falta um camisa nove que nós estamos procurando no mercado para fechar o elenco para a Série C do Brasileiro.

O Guarani está cumprindo com o pagamento de salários?
- Sim, desde que eu cheguei o clube vem honrando com os seus compromissos. Apesar de ter sofrido nos últimos com questões financeiras, o clube tem mostrado comprometimento, está honrando com a comissão técnica e com os jogadores também.

Como foi sua experiência no futebol do Qatar ? (Esteve como auxiliar-técnico, no Al-Arabi Sports Club, em 2010, e no Al Jaish, em 2011/12)

- Eu passei dois anos no Qatar e no primeiro ano foi muito difícil me adaptar, principalmente quanto à cultura. É um país muçulmano, tem algumas dificuldades naturais quando você chega. O futebol ainda não é algo profissional, muitos atletas trabalham com outras profissões, treinam à noite e jogam no final de semana, isso traz certa dificuldade no começo, mas no segundo ano já tive uma adaptação melhor.

Qual foi o seu maior aprendizado nesse tempo que passou no Qatar?
- O maior aprendizado do mundo árabe é a troca de informações que você tem com treinadores brasileiros.  A maioria dos clubes ficam na mesma cidade, em Doha, e lá você tem um convívio muito próximo com os treinadores. Troca-se muita informação em relação aos métodos de treinamento, aos modelos de jogo e aos sistemas táticos. Dá também para aprender muito, já que eles contratam muitos treinadores europeus, principalmente sobre a metodologia de treino e o modelo de jogo.

E qual é o seu modelo de jogo? O que você pretende implantar no Guarani?
- A estratégia é sempre montar um time organizado, compacto, competitivo e comprometido também, mas respeitando a história do clube. Espero que possamos usar da melhor forma a característica individual dos jogadores que serão contratados. Espero que possamos ter a melhor performance e o melhor aproveitamento para conseguir o objetivo inicial:  a classificação para a próxima fase.