Santa Cruz 2015 acesso

Santa Cruz, que caiu em 2006, voltou à Série A antes do Paraná, rebaixado um ano depois. (Antônio Melcop/Santa Cruz)

Guilherme Moreira
15/06/2016
18:14
Curitiba (PR)

Contratado um dia depois de dispensar Claudinei Oliveira, o técnico Marcelo Martelotte será oficializado nesta quinta-feira e chega ao Paraná com uma aposta "certeira" para conseguir o sonhado acesso à Série A. Algo que o treinador conquistou ano passado, pelo Santa Cruz, em um cenário similar ao atual do Tricolor nesta temporada, e acredita que possa se repetir.

O comandante assumiu o lugar de Ricardinho, conhecido da torcida paranista, na oitava rodada da Série B. Na décima oitava colocação, o time pernambucano tinha apenas uma vitória, dois empates e quatro derrotas, ocupando a zona de rebaixamento. Sua confirmação aconteceu no dia 13 de junho.

A primeira mudança aconteceu no sistema tático. Martelotte, logo de cara, alterou o 4-4-2 (e a variação com o 4-2-2-2) para o 4-5-1 e suas variações dentro do esquema: 4-2-3-1 e 4-1-4-1. Esse tipo de estratégia, com possíveis mudanças táticas durante os jogos, era uma reclamação da cúpula do Paraná em relação a Oliveira: pouco treino e apenas a aposta no contra-ataque, sem surpresas que alterassem o rumo do jogo. 

Outro ponto que conta a favor do novo técnico paranista é o olho clínico para aproveitar jogadores do elenco em pontos estratégicos e funções diferentes. No momento, por exemplo, o Tricolor tem apenas três volantes de ofício: Jean, Uchôa e Lucas Otávio. Enquanto o último é o único que sabe sair jogando, os outros dois possuem deficiência com a bola no pé. Além disso, lesões dificultam a utilização e a falta de opções no elenco também impossibilita Fernandes como improvisado, que atuou assim em 2015, por ter apenas Rafael Carioca como ala e estar machucado, novamente.

No triunfo por 2 a 0 contra o Goiás, na terça-feira, o interino Fernando Miguel utilizou o meia Murilo recuado para preencher o meio-campo e tentar distribuir o jogo na segunda etapa, já que as ligações diretas eram frequentes e sem efetividade nenhuma nos 45 minutos iniciais. Deu certo, dando melhor qualidade, apesar de ser preciso mais treinamentos nessa função.

Ano passado, o agora treinador paranista fez exatamente essa mudança no Santinha. João Paulo, o considerado camisa 10 da equipe, foi recuado para segundo volante e ligava o contra-ataque rápido logo que recuperava a bola, além de se apresentar como um meia na criação de jogadas em algumas ocasiões. Renatinho também fazia essa função. Para dar tal liberdade aos atletas de criação recuados, Martelotte "achou" Wellington, da base, para dar sustentação na marcação.

Na frente, Daniel Costa jogava mais centralizado, com Luisinho (revelado na Vila Capanema) e Lelê abertos pelas pontas, tendo Grafite como "referência". Essas aspas são por conta que o experiente atacante não gosta de atuar parado na área e, aproveitando o sistema do treinador, flutuava e invertia posição com os jogadores dos flancos. Alguns gols foram marcados assim.

O resultado do ano passado dentro de campo foi o vice-campeonato do Campeonato Brasileiro, com 67 pontos conquistados - desses, 62 foram após a chegada do comandante. Com o futebol ofensivo, chegando ao ataque com cinco ou seis atletas, mesmo quando atuava fora de casa, Martelotte conseguiu o melhor ataque do torneio, fazendo 63 gols. Em Curitiba, ele verá jogadores no elenco do Paraná que podem se adaptar a esse tipo de tática. Obviamente, com alguns ajustes e muito trabalho no dia a dia.

O treinador aceitou o compromisso por acreditar que o Tricolor tenha condições de retornar à elite do futebol brasileiro ainda neste ano. A direção paranista também aposta que o elenco atual tem potencial para brigar pelo acesso. Mesmo assim, alguns reforços pontuais devem chegar no decorrer na competição e caberá ao técnico conseguir, dentro das peças disponíveis, outra missão difícil de levar um clube tradicional para a Série A.

E no Paraná?

Com base no time pernambucano e esquema utilizado, comparando ao time paranaense, Martelotte possui opções diversas para escalar a equipe titular. Uma deles, já citada, é tirar um volante marcador (Jean ou Uchôa) e manter apenas um deles, recuando algum meia para a função de segundo volante: Nadson, Murilo ou Válber.

Do meio para frente, o treinador pode usar a linha de três e um de referência, com Válber, Robson e Henrique, tendo Lúcio Flávio ou Robert como centroavante. Em outro caso, pode tirar o "camisa 9" e preencher com alguém de boa finalização, mas também de grande mobilidade, ficando Nadson, Válber, Murilo (Diego Tavares), Henrique e Robson.

A grande questão, caso opte por manter esse esquema ofensivo, é tentar se acertar a partir da zaga. Leandro Silva, zagueiro que atua como ala, pode ficar apenas com essa função defensiva dando cobertura ao grupo da frente. A importância de um único volante mais marcador fica ainda maior no preenchimento de espaço, com a ajuda dos demais, para não deixar a equipe exposta.

Enfim, a partir do pós-jogo diante da Luverdense nesta sexta-feira, às 21h, na Vila Capanema, o novo treinador começará a esboçar um trabalho no dia a dia para melhorar o rendimento. Em tese, a contratação vem para justamente sair desse "marasmo" atual na forma de jogar, oferecendo opções e variações para o restante do ano.