Vila Capanema

Partida contra o Galo seria na Vila Capanema, mas foi alterada para o campo do rival Coritiba. (Rodrigo Sanches/Paraná)

Guilherme Moreira
18/05/2017
17:46
Curitiba (PR)

No dia 10 de maio, a diretoria anunciou a mudança de local do jogo entre Paraná e Atlético-MG, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, da Vila Capanema para o Couto Pereira, no dia 24. A decisão intrigou a todos, mas o LANCE! apurou que o leilão da subsede do Boqueirão não ter dado certo até agora é o principal motivo.

A empresa Ônix Empreendimentos arrematou o imóvel por R$ 9,2 milhões no início de abril, mas deu dois cheques sem fundos de entrada e a venda foi cancelada. Com a não homologação, a nova data deve acontecer no início de junho.

Esse "calote", que pode ser momentâneo se houver arremate e pagamento no próximo, prejudicou a viabilização financeira paranista para todo o ano. Com a verba da subsede, o Tricolor teria um orçamento para manter todas as contas em dia nesta temporada. E com sobras.

Apesar de arrecadar um ótimo valor em premiação, avançando em quatro fases do torneio mata-mata nacional (R$ 3,3 milhões), esse dinheiro está penhorado e não pode ser utilizado, assim como a cota da Série B (R$ 5,2 milhões). Ou seja, o Paraná tem R$ 8,5 milhões parados em seus cofres.

O que manteve o salário sem atraso até aqui foi o dinheiro da TV no Paranaense (R$ 450 mil), Primeira Liga (R$ 200 mil pela ida às quartas de final, além de R$ 800 mil da participação inicial), bilheteria e arrecadação com o sócio. A receita, entretanto, só aguentou até esse mês.

A explicação desse cenário pode ser observada na própria nota oficial, que explica a alteração do estádio no confronto contra o Galo: "procuramos investidores que viabilizassem a realização do jogo em Curitiba, apostando na força e na história do nosso torcedor". Para pagar a folha de maio, de aproximadamente R$ 260 mil, o Tricolor precisou vender o duelo contra o Galo a um investidor (empresário Naor Malaquias) que mantivesse a partida na capital e não escolhesse uma outra cidade. A princípio, iria para Brasília.

- O jogo no Couto nos propiciou começar bem na Série B e é uma venda para 800 metros daqui. Então isso foi uma forma que nós conseguimos manter o jogo em Curitiba e potencializar a torcida. Precisamos do público para manter o trabalho - explicou o presidente Leonardo Oliveira, após a estreia na Série B.

Como comparação, na fase anterior, diante do Vitória, o público foi de 7.399 torcedores e a renda de R$ 207.900,00. A expectativa é de um apoio ainda maior da torcida, já que a capacidade do estádio do rival é de 40 mil torcedores - o Durival Britto e Silva comporta pouco mais de 15 mil atualmente. Assim, o valor pago pela compra da partida (R$ aproximadamente R$ 500 mil) pode ser recuperado e até dar lucro, a ser dividido pela metade entre as partes - é bom lembrar que o Coritiba não cobrará aluguel e o investidor tem apenas o custo de abertura do estádio, próximo de R$ 80 mil.

Fôlego financeiro

O Tricolor espera que a nova realização do leilão, no próximo mês, devolva a tranquilidade para o clube. O montante dessa venda do Boqueirão é vista como a salvação para a viabilidade financeira em planejamento a curto e médio prazo, além de dar fôlego para lutar por uma das vagas no G-4 da Série B, concretizando o sonho de voltar à elite após dez anos.

Bronca

Após o público de pouco mais de duas mil pessoas no triunfo por 2 a 0 contra o Goiás, em sua casa, o mandatário paranista desabafou e cobrou mais dos torcedores. Essa foi a terceira pior presença da torcida na temporada. A maior foi contra o Atlético-PR, nas quartas de final do Estadual, com 13.018 pagantes. A média no ano é de 4,7 mil pagantes.

- Vai ficar difícil manter esse trabalho com esse número de torcedores que veio. Tivemos uma grande expectativa de manter o time, apostamos no momento que vivemos neste primeiro semestre, mas iniciar a Série B com 2.177 é frustrante. É incompreensível esse público - reclamou.