jogadores Atlético-PR

Atletas do Atlético-PR comemoram o título do Estadual. (Giuliano Gomes/PR PRESS)

Guilherme Moreira
09/05/2016
08:00
Curitiba (PR)

Após ter vencido o jogo de ida por 3 a 0, na Arena da Baixada, o Atlético-PR tinha a missão de não entrar no oba-oba da boa vantagem. No domingo, diante do Coritiba, o Furacão venceu novamente, dessa vez por 2 a 0 no Couto Pereira, e sagrou-se campeão do Campeonato Paranaense após sete anos.

O início do jogo foi como o esperado. Precisando reverter o placar adverso do primeiro jogo, o Verdão começou em cima do adversário e é bem verdade que poderia ter feito, pelo menos, dois gols nos 20 minutos iniciais. Leandro, na pequena área e sem goleiro, e Ruy, na marca do pênalti, tiveram oportunidades claras de marcar, mas chutaram para fora. Outras duas chances perigosas foram criadas.

Mas aí o Furacão se acalmou, encaixou a marcação e sobrou em campo. Antes de fazer o gol, Walter já tinha perdido duas chances em jogada de Ewandro. Na terceira, o jejum de sete meses sem marcar acabou na hora certa. O camisa 18 aproveitou rebote de Elisson, que tinha feito um milagre, e completou para as redes.

Na frente do marcador, o time atleticano aumentava sua vantagem e, com isso, praticava seu futebol. Com calma, a equipe poderia ter feito mais. E fez outro. Walter, em seu novo estilo após ter emagrecido, matou a bola no peito e foi para cima de Luccas Claro, driblando pela esquerda e cruzando para Ewandro finalizar, no último minuto do primeiro tempo, coroando sua atuação como protagonista. O meia-atacante foi o grande nome das decisões dentro do gramado. 

- Trabalho muito forte para isso. Quando não estava entrando tanto nos jogos, continuava sempre lutando e ajudando a equipe. Na final tive a felicidade de jogar e fazer gol nos dois jogos. Então é preciso estar sempre preparado. Estou muito feliz com isso. Foi meu primeiro título como profissional e representa muito para mim. Mesmo com pouco tempo no Clube, já pude comemorar um titulo com a camisa do Atlético e isso é muito gratificante - comemorou o jovem atleta de 20 anos.

O segundo tempo nem precisava ter acontecido. Sem forças, o Coxa pouco assustava e, desanimado, sabia que o título não viria mais. Não foi por falta de vontade, vale ressaltar. O Atlético-PR, ocupando bem os espaços, ainda tinha o contra-ataque e, se tivesse tido calma na finalização ou escolha do passe, golearia. Não precisou e apenas esperou passar o tempo.

O agregado de 5 a 0 reflete bem o que foram os dois Atletibas, maior clássico do Estado. Na Arena, Paulo Autuori chamou a responsabilidade e fez cinco mexidas no time (duas por obrigação). Ousou e foi decisivo, com a melhor atuação rubro-negra no ano.

No Couto, o comandante prometeu jogar para ganhar de novo. E cumpriu. Após o sufoco inicial, o Furacão parecia vencer a hora que quisesse. O Coritiba, que tinha pontos positivos a seu favor antes das finais, como melhor ataque, defesa menos vazada e artilheiro da competição, viu o adversário passear nos dois confrontos. Triunfos com sobras.

- Se quisermos ser grandes e vitoriosos, não podemos, de maneira nenhuma, mesmo com vantagens como essa, deixar de fazer o jogo que devemos fazer. Foi com autoridade que foi conseguido (o título). Isto foi o que mais me animou, o que me deixou feliz. Temos que valorizar este momento - sentenciou o treinador. 

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Torcida cobrou e ganhou: faixa e título paranaense. (Giuliano Gomes/PR PRESS)

Quando assumiu, o mandatário Luiz Sallim Emed prometeu lutar por títulos. Falhou na Primeira Liga. Conquistou o Campeonato Paranaense. Deixou o discurso sobre a ótima estrutura "de lado", investiu em contratações no início do ano e formou um elenco compacto para o nível da competição. E já prometeu, depois da conquista, continuar na busca de novos canecos, incluindo nacionais.

Se o Estadual "não vale nada", como o atual presidente do Conselho Deliberativo, Mario Celso Petraglia, tentou colocar na cabeça da nação nos últimos quatro anos e, em muitos casos conseguiu, essa teoria terminou. O discurso pós-título dos atletas deixou isso claro.

Nas arquibancadas, a torcida rubro-negra lavou a alma e ainda vai comemorar muito. Com sinalizadores, uma proibição sem cabimento nos palcos brasileiros, os quatro mil torcedores "incendiaram" o estádio do rival. Muito choro e emoção pela quebra do tabu de títulos, que não vinha desde 2009.

O torcedor atleticano cobrava e precisava de uma coisa: levantar uma taça. A faixa de campeão paranaense tem que ser exibida com orgulho, como já foi feita no Couto. Curitiba voltou a ser pintada de vermelho e preto. E a capital estava com saudades disso.