Paulo Autuori (Foto: Antonio Carneiro)i

Paulo Autuori, em 2005, foi campeão da Libertadores em cima do Atlético-PR. (Foto: Antonio Carneiro)

Guilherme Moreira
07/03/2016
21:23
Curitiba (PR)

De forma surpreendente, o Atlético-PR anunciou Paulo Autuori como novo técnico para a temporada no início desta semana. O treinador de 59 anos é uma novidade dentro do padrão rubro-negro dos últimos anos.

Desde que voltou ao Furacão, Mario Celso Petraglia decidiu fazer apostas no comando técnico atleticano. Juan Ramón Carrasco, Ricardo Drubscky, Jorginho, Vagner Mancini, Miguel Ángel Portugal, Doriva, Claudinei Oliveira, Enderson Moreira, Milton Mendes e Cristóvão Borges passaram pelo clube paranaense de 2012 até aqui. O folclórico dirigente, atualmente, é presidente do Conselho Deliberativo.

O perfil dos técnicos citados acima é bem diferente do comandante contratado. Jovens e estudiosos, esses treinadores ainda buscavam espaço no mercado brasileiro e, por conveniência, acabavam acatando ao método do Atlético-PR sem contestar - na maioria das vezes. Se contestasse, o destino era a demissão.

Agora, com Paulo Autuori, o cenário muda. Com grande currículo e enorme experiência, o treinador faz parte da "velha geração" da profissão. Entretanto, apesar da idade, o carioca tenta não se acomodar e faz cursos de especialização na área com certa frequência para não parar no tempo, como o curso de Gestão Técnica, da Universidade do Futebol, há dois anos. 

No Furacão, o comandante terá uma estrutura de fazer inveja e com setores de alto nível ao seu lado. Mas terá que se adaptar aos métodos, como utilizar jovens formados nas categorias de base e adotar o sistema tático padrão rubro-negro: o 4-2-3-1.

Sem um grande trabalho há pouco mais de 10 anos, quando conquistou a Copa Libertadores e o Mundial pelo São Paulo, Autuori estava no Japão e seu padrão salarial não é mais top no Brasil - até por isso chegou a um acordo com o Atlético-PR, que não costuma passar da casa dos R$ 150 mil. O time paranaense é o primeiro dele fora do eixo RJ-SP-MG-RS.

Em seus últimos três trabalhos no País, após longo período no exterior, os números não animam tanto. Pelo Vasco da Gama, saiu com 42% de rendimento. No Tricolor paulista, também em 2013, foi demitido com 27,1% de aproveitamento. No Atlético-MG, no ano seguinte, teve um desempenho de 60,8%, mas acabou perdendo o Estadual e eliminado da Libertadores.

Com contrato de dois anos, o técnico pediu reforços para a temporada e sabe que, apesar de gostar do projeto atleticano, precisa mostrar resultado para ter continuidade. Só em 2015, o comando técnico mudou quatro vezes. Na quarta posição do Campeonato Paranaense e líder de seu grupo da Primeira Liga, o Furacão ainda tem a Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Copa Sul-Americana em 2016.

Clubes: Portuguesa (RJ); América (RJ); Santo Bento (SP); Marília (SP); Bonsucesso (RJ); Botafogo (RJ); Vitória de Guimarães (Portugal); Nacional (Portugal); Marítimo (Portugal); Benfica (Portugal); Cruzeiro (MG); Flamengo (RJ); Internacional (RJ); Santos (SP); Alianza Lima (Peru); Sporting Cristal (Peru); Seleção do Peru; São Paulo (SP); Kashima Antlers (Japão); Al-Rayyan (Qatar); Grêmio (RS); Seleção Olímpica do Qatar; Seleção Principal do Qatar; Vasco da Gama (RJ); Atlético Mineiro (MG) e Cerezo Osaka (Japão).

Títulos: Mundial de Clubes da FIFA (2005); Copa Libertadores da América (1997 e 2005); Campeonato Brasileiro (1995); Campeonato Mineiro (1997); Campeonato Peruano Apertura (2001 e 2012); Campeonato Peruano Clausura (2002); Copa del Emir (2010 e 2011).