Paulo Autuori

Treinador rubro-negro acha que reclamar do calendário é perda de tempo. (Divulgação/Atlético-PR)

Guilherme Moreira
16/03/2016
07:15
Curitiba (PR)

O problema de ter jogos consecutivos em um espaço curto de tempo é uma reclamação frequente de técnicos, jogadores e dirigentes no futebol brasileiro. Mas Paulo Autuori, atual treinador do Atlético-PR, revelou que já cansou desse discurso.

Ainda observando sua equipe, dois dias depois de ser anunciado, o carioca de 59 anos acompanhou a derrota para o Cruzeiro, em Belo Horizonte, pela terceira rodada da Primeira Liga, na quarta-feira passada. No sábado, o técnico estreou na goleada por 4 a 0 contra o PSTC, pela nona rodada do Estadual.

Agora, o Furacão tem quatro jogos em 10 dias: Brasil-RS (17), Coritiba (20), Flamengo (23) e Toledo (27). Dependendo da classificação no Campeonato Paranaense, pode jogar dia 2 ou de abril na partida de ida das quarta-de-final e dia 9 ou 10 no duelo da volta.

Esses confrontos acima já estão definidos. A partir daí, depende se o clube paranaense for avançando nas três competições que disputa nesse primeiro semestre. Apesar das variáveis, a grande sequência é uma rotina do futebol nacional.

- Você não tem o dia a dia, tem pouco tempo para o treino. Aí priorizamos o aspecto tático. O problema é o calendário, culpa da CBF que é responsável para mudar essas coisas. Um absurdo. A quantidade (de jogos) é enorme, mas sabemos disso e não posso reclamar. É a realidade - minimizou Autuori.

Unido ao Bom Senso, o técnico atleticano tem o zagueiro Paulo André, um dos líderes do movimento em seu elenco, e vê o grupo como importante para revolucionar a imagem do nosso futebol. Entretanto, Autuori sabe que o caminho é longo e, no momento, prefere priorizar seu novo trabalho.

- É um movimento que não pode ser só de jogadores. Tem ideias boas e claras para melhorar. A essência é de preservação do futebol em vários sentidos. Mas, enquanto não mudar radicalmente as pessoas na CBF, não muda absolutamente nada. É uma maquiagem. Essa é a minha percepção. E agora estou focado no Atlético-PR - completou. 

O rodízio, promovido ano passado pelo técnico Milton Mendes, aparentemente foi descartado por Autuori no Atlético-PR. O experiente treinador acredita que o clube não pode priorizar nenhuma competição que disputa, pois é um desrespeito ao torcedor do clube paranaense. O planejamento é dar chance aos atletas, principalmente, nos treinamentos no CT do Caju.

- Nos treinos, nós vamos dar as oportunidades. Temos que mostrar que eles sejam úteis e participativos. É fazer com que todos estejam no mesmo nível, respeitando cada individualidade, e conseguir que os setores estejam bem fisicamente. Vamos fazer mudanças pontuais, sem mudanças radicais de um jogo para outro. É uma falta de respeito (essa grande troca). Todos são jogos para ganhar, não podemos escolher - explicou.

No final de semana passado, entretanto, o comandante do Furacão poupou Christián Vilches, Deivid, Vinícius e Walter. Os quatro devem retornar para o jogo de quinta-feira, às 21h30, no Estádio Bento Freitas, pela estreia da Copa do Brasil, contra o Brasil de Pelotas.

- O objetivo foi fazer uma recuperação. Agora vamos pensar, treinar e ver com quem vamos começar o jogo. Não vamos alterar a maneira de jogar, independente do adversário. Não consigo ver jogo fácil. É uma competição complicada. O grau de dificuldade é enorme e espero ver sinais de que a equipe está assimilando nossas ideias - despistou.

O Atlético-PR deve ir a campo com: Weverton; Eduardo, Christián Vilches, Paulo André e Pará; Deivid, Otávio e Vinícius; Pablo (Marcos Guilherme), Nikão e Walter (André Lima).