Paulo Zagallo (foto:divulgação)

Paulo Zagallo está de volta à ativa e quer um espaço no mercado de técnicos do futebol paulista (Foto: Divulgação)

Alexandre Guariglia
02/05/2016
17:46
São Paulo (SP)

Engana-se quem pensa que filho de personalidade do futebol tem vida fácil no esporte. Certo mesmo é que a paixão nacional está no sangue e, em muitos casos, no próprio nome. Esse é o caso de Paulo Zagallo, filho da lenda Mario Jorge Lobo Zagallo.

Paulo, assim como sua referência em casa, nasceu, cresceu e vive o esporte, ou seja, carrega vasta experiência no meio. Versátil como os novos tempos pedem, já foi diretor, auxiliar, coordenador e técnico, função em que se sente mais à vontade, no entanto teve de se ausentar dela por um tempo para ajudar a cuidar do pai, com saúde debilitada.

Voltando à ativa, o filho do Velho Lobo, que já treinou a Seleção Brasileira de base, tem um objetivo claro e quer trabalhar no mercado do futebol paulista, uma vez que lhe ofereceria as condições ideais para exercer seu trabalho:

- É o centro mais estruturado do país. Se compararmos o futebol paulista com o carioca, por exemplo, temos uma diferença enorme em termos de estrutura e condições de trabalho. Há times do interior do estado que oferecem centros de treinamento que não são piores do que o dos considerados grandes, às vezes são até melhores - afirmou.

Para ele, a precariedade com que os treinadores se deparam nos clubes Brasil afora e as conquistas que eles conseguem tirar disso são as provas de que os colegas brasileiros são os melhores do mundo:

- Para mim os técnicos brasileiros não ficam atrás de ninguém. Veja as condições de trabalho que eles recebem e mesmo assim entregam resultado. Não dá para comparar com a Europa, o nível de investimento, a possibilidade de escolher o jogador que quiser... Claro que precisa haver preparo, intercâmbio de informações, mas a nossa qualidade eu não vejo igual - comentou.

Ao ser questionado sobre os tipos de dificuldade que encontrou para trabalhar ao longo da carreira, Paulo Zagallo relembrou momentos em que precisou usar de recursos próprios para suprir as necessidades de seus jogadores:

- Faz parte da função do treinador tentar administrar esses obstáculos. Tanto como diretor quanto auxiliar ou técnico a gente já viveu situações assim. Certa vez eu treinava um clube que não estava pagando salários para os meus jogadores. Alguns não tinham dinheiro nem para comer e o clube não tinha refeitório, alimentação. Tive que tirar do meu próprio bolso para ajudá-los. Como ia fazer? Era uma necessidade básica, dentro e fora do clube - lamentou.

Além de citar tais obstáculos, Paulo aproveitou para fazer um alerta para as deficiências que os jogadores profissionais tem apresentado por conta da falta de uma melhor formação nas categorias de base:

- A quantidade de atletas que surgem aqui é incomparável, o talento é nato. No entanto, acredito que estamos pecando na formação do jogador, nos conceitos de base. Já peguei atletas que não conseguiam fazer um passe, não entendiam o que era um cruzamento fechado ou aberto. Isso é questão de fundamento básico, treinar quando jovem nas categorias de base, passo a passo - finalizou.

FICHA TÉCNICA

Nome: Paulo Jorge de Castro Zagallo
Idade: 57 anos
Clube com Diretor: Botafogo-RJ
Clube como Coordenardor: Estácio de Sá-RJ
Clubes como Auxiliar: Botafogo-RJ, Duque de Caxias e América-RJ
Clubes como Treinador (Juniores): Madureira, América-RJ, Botafogo-RJ e Goiás
Clubes como Treinador: Madureira, Guarany-CE, Luziânia-GO, Brusquense-SC e Aquidauanense-MS
Seleção Brasileira de base