icons.title signature.placeholder Vinícius Perazzini
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20/08/2015
08:48

Sem a ajuda de empreiteiras ou grandes empresas, um grupo de torcedores do Remo decidiu se organizar para reformar o Estádio Baenão, em Belém (PA), que não recebe jogos do clube há um ano por conta de problemas estruturais. O movimento – chamado de Revolução Azul e iniciado no fim de março – consiste em buscar um financiamento coletivo da obra, incentivando por meio de sua página no Facebook a doação de materiais de construção e verbas por boleto bancário ou cartão de crédito. O LANCE! conversou com Aline Porto, arquiteta, uma das criadoras do projeto, que também organiza os passos das obras. E ela contou detalhes.

A meta é revitalizar dois lances de arquibancadas que estão com as estruturas comprometidas, os tobogãs localizados nas avenidas Almirante Barroso e 25 de Setembro. Além das doações, o movimento também vende espaços na parede do alambrado do estádio para os torcedores colocarem seus nomes. Somando as doações e a campanha do alambrado, o grupo já conseguiu R$ 30 mil (R$ 19 mil das doações + R$ 11 mil da venda de nomes nos alambrados). O dinheiro é destinado aos operários da obra, pois quase todos os materiais de construção também vêm de doações.


Ação com paredes de alambrados ajuda a pagar reforma (Foto: Reprodução de internet)

Atualmente a revitalização do tobogã da Almirante Barroso encontra-se a todo vapor. A primeira parte da obra, o reforço e recuperação dos pilares do setor, foi finalizada. Agora a obra está na fase de cuidados com as vigas. A arquiteta Aline Porto explicou que ainda não há como projetar o valor total da reforma no estádio e uma data para a entrega total do estádio, mas já estabelece uma meta para setembro.

- Só a primeira parte custou R$ 30 mil em de mão de obra. Esperamos terminar o tobogã da Almirante Barroso já em setembro - disse.

BATE-BOLA com Aline Porto

> 'Baenão é nosso lar e referência'

1. Qual é a importância do Baenão para o time do Remo?

"O Baenão é a nossa casa, nossa referência. Está comprovada a pressão positiva que ele exerce sobre o time e dificilmente o Remo é derrotado lá. É o caldeirão azul".

2. Qual será o valor final da obra de revitalização do estádio?

"Como a maior parte do comprometimento estrutural é interno, não temos como orçar o total da obra. Não é fácil estimar o tamanho dos problemas. Os valores para as doações serão projetados de etapa em etapa e temos certeza de que tudo dará certo andando desta forma".

3. O clube tem apoiado o projeto?

"O clube está apoiando o movimento e vem ajudando na divulgação da campanha, mas a verba usada na reforma é 100% da torcida. É preciso parabenizar a força da torcida, pois o projeto já arrecadou uma quantia de peso (R$ 30 mil) e muitos materiais para a obra. A empolgação de todos os envolvidos com o projeto é incrível".

ESTÁDIO COM MUITA HISTÓRIA PARA CONTAR

Inaugurado em 1917 e patrimônio do Remo, o Baenão tem como nome oficial Estádio Evandro Almeida e já passou por diversas reformas ao longo de seus quase 100 anos. A capacidade atual do estádio é de 17 mil pessoas, mas o recorde é de 33.487 pessoas, quando o Remo goleou por 5 a 2 seu maior rival, o Paysandu, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro de 1976.

Sem o Baenão, o Remo usa o Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão, para mandar seus jogos. O Governo do Estado do Pará é o proprietário do estádio, que tem capacidade para 46.200 pessoas. Porém, o Remo sequer tem jogado no Mangueirão por conta de punição do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) após confusão nas arquibancadas no confronto entre Remo e River-PI, realizado no dia 14 de setembro de 2014, pela nona rodada da Quarta Divisão. São três jogos de gancho, que levaram o Remo no início da atual Série D para a Arena Verde, no município de Paragominas (PA), a 300 quilômetros de distância de Bélem.

A volta do Remo ao Mangueirão está prevista para o dia 13 de setembro, em duelo contra o contra o Vilhena-RO. Atualmente o Remo lidera seu grupo na Série D, até aqui garantindo sua classificação às oitavas de final. Ao fim do ano, os quatro clubes que foram às semifinais conquistarão o direito de disputar a Série C de 2016.

O BAENÃO

> 1917
No dia 15 de agosto de 1917, data que marcou o aniversário de seis anos de reorganização do Remo, o clube inaugurou o seu campo de futebol. O estádio comportava 2 500 pessoas.

> 1935
O Remo reestruturou o seu estádio com arquibancadas maiores. Para comemorar a reinauguração do estádio, o clube convidou o Paysandu para um jogo amistoso no dia 26 de maio de 1935, vencendo por e 5 a 4.

> 1976
O estádio recebeu seu maior público na história em 7 de setembro, quando Remo e Paysandu duelaram pelo Brasileirão. Deu Remo, 5 a 2.

OUTRAS TORCIDAS JÁ FIZERAM PARECIDO

A história protagonizada pelo Movimento Revolução Azul é rara, mas não é única no quesito 'torcidas que colocaram as mãos na massa'. Na época da construção do Morumbi, o São Paulo foi ativamente ajudado por sua torcida. Para obter materiais de construção, o Tricolor promoveu campanhas de vendas de produtos, cadeiras do estádio e de doação de cimento. Até a entrega final do Morumbi, em 1970, o São Paulo vendeu 12.000 cadeiras, o que ajudou tornar o sonho do estádio uma realidade.

Na Alemanha, a torcida do Union Berlin, da Série B nacional, reformou o estádio do clube em 2009. Cerca de 2 mil fanáticos trabalharam nas obras como voluntários, sem qualquer dinheiro em troca, para ampliar a arena do clube para 20 mil lugares, uma exigência da liga local.

Sem a ajuda de empreiteiras ou grandes empresas, um grupo de torcedores do Remo decidiu se organizar para reformar o Estádio Baenão, em Belém (PA), que não recebe jogos do clube há um ano por conta de problemas estruturais. O movimento – chamado de Revolução Azul e iniciado no fim de março – consiste em buscar um financiamento coletivo da obra, incentivando por meio de sua página no Facebook a doação de materiais de construção e verbas por boleto bancário ou cartão de crédito. O LANCE! conversou com Aline Porto, arquiteta, uma das criadoras do projeto, que também organiza os passos das obras. E ela contou detalhes.

A meta é revitalizar dois lances de arquibancadas que estão com as estruturas comprometidas, os tobogãs localizados nas avenidas Almirante Barroso e 25 de Setembro. Além das doações, o movimento também vende espaços na parede do alambrado do estádio para os torcedores colocarem seus nomes. Somando as doações e a campanha do alambrado, o grupo já conseguiu R$ 30 mil (R$ 19 mil das doações + R$ 11 mil da venda de nomes nos alambrados). O dinheiro é destinado aos operários da obra, pois quase todos os materiais de construção também vêm de doações.


Ação com paredes de alambrados ajuda a pagar reforma (Foto: Reprodução de internet)

Atualmente a revitalização do tobogã da Almirante Barroso encontra-se a todo vapor. A primeira parte da obra, o reforço e recuperação dos pilares do setor, foi finalizada. Agora a obra está na fase de cuidados com as vigas. A arquiteta Aline Porto explicou que ainda não há como projetar o valor total da reforma no estádio e uma data para a entrega total do estádio, mas já estabelece uma meta para setembro.

- Só a primeira parte custou R$ 30 mil em de mão de obra. Esperamos terminar o tobogã da Almirante Barroso já em setembro - disse.

BATE-BOLA com Aline Porto

> 'Baenão é nosso lar e referência'

1. Qual é a importância do Baenão para o time do Remo?

"O Baenão é a nossa casa, nossa referência. Está comprovada a pressão positiva que ele exerce sobre o time e dificilmente o Remo é derrotado lá. É o caldeirão azul".

2. Qual será o valor final da obra de revitalização do estádio?

"Como a maior parte do comprometimento estrutural é interno, não temos como orçar o total da obra. Não é fácil estimar o tamanho dos problemas. Os valores para as doações serão projetados de etapa em etapa e temos certeza de que tudo dará certo andando desta forma".

3. O clube tem apoiado o projeto?

"O clube está apoiando o movimento e vem ajudando na divulgação da campanha, mas a verba usada na reforma é 100% da torcida. É preciso parabenizar a força da torcida, pois o projeto já arrecadou uma quantia de peso (R$ 30 mil) e muitos materiais para a obra. A empolgação de todos os envolvidos com o projeto é incrível".

ESTÁDIO COM MUITA HISTÓRIA PARA CONTAR

Inaugurado em 1917 e patrimônio do Remo, o Baenão tem como nome oficial Estádio Evandro Almeida e já passou por diversas reformas ao longo de seus quase 100 anos. A capacidade atual do estádio é de 17 mil pessoas, mas o recorde é de 33.487 pessoas, quando o Remo goleou por 5 a 2 seu maior rival, o Paysandu, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro de 1976.

Sem o Baenão, o Remo usa o Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão, para mandar seus jogos. O Governo do Estado do Pará é o proprietário do estádio, que tem capacidade para 46.200 pessoas. Porém, o Remo sequer tem jogado no Mangueirão por conta de punição do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) após confusão nas arquibancadas no confronto entre Remo e River-PI, realizado no dia 14 de setembro de 2014, pela nona rodada da Quarta Divisão. São três jogos de gancho, que levaram o Remo no início da atual Série D para a Arena Verde, no município de Paragominas (PA), a 300 quilômetros de distância de Bélem.

A volta do Remo ao Mangueirão está prevista para o dia 13 de setembro, em duelo contra o contra o Vilhena-RO. Atualmente o Remo lidera seu grupo na Série D, até aqui garantindo sua classificação às oitavas de final. Ao fim do ano, os quatro clubes que foram às semifinais conquistarão o direito de disputar a Série C de 2016.

O BAENÃO

> 1917
No dia 15 de agosto de 1917, data que marcou o aniversário de seis anos de reorganização do Remo, o clube inaugurou o seu campo de futebol. O estádio comportava 2 500 pessoas.

> 1935
O Remo reestruturou o seu estádio com arquibancadas maiores. Para comemorar a reinauguração do estádio, o clube convidou o Paysandu para um jogo amistoso no dia 26 de maio de 1935, vencendo por e 5 a 4.

> 1976
O estádio recebeu seu maior público na história em 7 de setembro, quando Remo e Paysandu duelaram pelo Brasileirão. Deu Remo, 5 a 2.

OUTRAS TORCIDAS JÁ FIZERAM PARECIDO

A história protagonizada pelo Movimento Revolução Azul é rara, mas não é única no quesito 'torcidas que colocaram as mãos na massa'. Na época da construção do Morumbi, o São Paulo foi ativamente ajudado por sua torcida. Para obter materiais de construção, o Tricolor promoveu campanhas de vendas de produtos, cadeiras do estádio e de doação de cimento. Até a entrega final do Morumbi, em 1970, o São Paulo vendeu 12.000 cadeiras, o que ajudou tornar o sonho do estádio uma realidade.

Na Alemanha, a torcida do Union Berlin, da Série B nacional, reformou o estádio do clube em 2009. Cerca de 2 mil fanáticos trabalharam nas obras como voluntários, sem qualquer dinheiro em troca, para ampliar a arena do clube para 20 mil lugares, uma exigência da liga local.