Roberto de Andrade, presidente do Corinthians, em entrevista coletiva (Foto: Bruno Cassucci)

Roberto de Andrade, presidente do Corinthians, em entrevista coletiva (Foto: Bruno Cassucci)

Luiz Fernando Gomes
15/06/2016
19:01
São Paulo (SP)

A irritação do presidente Roberto de Andrade com a CBF é mais do que justificada. Embora tardia e mal fundamentada. Tudo o que ele disse na entrevista dessa terça, já é de conhecimento do torcedor, faz tempo. Do torcedor e também do FBI, da Justiça americana e do Ministério Público Brasileiro.

Del Nero não pegar o telefone para avisar ao Corinthians que iria chamar seu técnico é quase como roubar uma bala das mãos de uma criança indefesa. Mais do que falta de ética, é falta de educação. É, na verdade, um pecadinho banal, desimportante no currículo de quem é acusado de golpear os cofres do futebol para encher os próprios bolsos e dos co-conspiradores (é o FBI quem diz) Marin e Teixeira.

O que deveria indignar o Corinthians, não agora, mas há anos, é o caos que essa turma espalhou. O desrespeito com os clubes não é de hoje. Se expressa no calendário que desfalca os times em pleno campeonato, no apoio que não dá à formação da base e à estrutura, apesar dos lucros milionárias. Isso sim é um problema grave. Mas que sempre foi tolerado. Que sempre contou – na hora de votar – com a cumplicidade de cartolas como o presidente corintiano.

Por enquanto, o discurso contundente de Roberto Andrade não passa de um arroubo. Precisa de atitudes para se tornar uma ruptura de fato.