(Foto: Reprodução/SporTV)

Policiais deixaram quatro funcionários do Capivariano feridos em Itu (Foto: Reprodução/SporTV)

Olga Bagatini
01/03/2016
08:00
São Paulo (SP)

Quatro funcionários do Capivariano saíram machucados de uma confusão com a Polícia Militar após a derrota para o Ituano, na noite de domingo, no estádio Novelli Júnior. Entre eles estava o assessor Lucas Oliveira, que sofreu pancadas de cassetete na cabeça e precisou ser submetido a uma tomografia. O que mais revoltou Lucas, contudo, não foi o entrevero com os policias, e sim os comentários tecidos pelo árbitro Luiz Flávio de Oliveira na súmula da partida.

— Ninguém tentou furar bloqueio, ninguém foi pra cima dele, ele é mentiroso pra caramba — disparou o assessor em entrevista ao LANCE!.

A balbúrdia começou logo após o apito final. Irritados com as decisões de Luiz Flávio, alguns dirigentes foram reclamar dos dois pênaltis marcador a favor do Ituano — um deles nos acréscimos do segundo tempo —, que possibilitaram a vitória dos anfitriões por 2 a 1, de virada. Lucas afirma que o grupo foi apenas cobrar o juiz, e em nenhum momento avançou em sua direção. Luiz Flávio, no entanto, deu uma versão diferente no relatório oficial.

“Após o término da partida, quando nos dirigíamos para nosso vestiário, no corredor de acesso ao mesmo, haviam vários dirigentes da equipe do Capivariano Futebol Clube, que, muito alterados e se forçando contra a barreira de policiais, proferiam palavras como: ‘vocês são safados, sem vergonha, roubaram a gente, vergonhoso, ladrões, pilantras, dois pênaltis inexistentes’. Como o acesso era muito estreito, aguardamos por pelo menos três minutos e a ação policial para que pudéssemos sair com segurança, momento no qual os referidos dirigentes forçaram para furar o bloqueio policial, que utilizou de força proporcional para preservação de nossa integridade física”, escreveu o árbitro paulista.

O assessor, por sua vez, reclamou da agressividade dos policiais e pediu que as imagens dos canais de transmissão fossem utilizadas para "desmentir" o árbitro, evitando assim possíveis punições ao Capivariano, lanterna do  Campeonato Paulista, com quatro pontos conquistados.

— Ele mentiu ao falar que a gente tentou furar bloqueio e mentiu ainda mais dizendo que os policiais usaram de força moderada. As imagens mostram três brutamontes batendo na gente num espaço minúsculo. Assim fica fácil. O cara faz uso da força policial, pois sabe que vai continuar impune. A situação foi relatada na súmula, possivelmente vai caber suspensão ou multa em cima da gente ou coisa do tipo — preocupou-se.

Segundo o roupeiro Rodrigo Parma, que sofreu uma luxação no braço, os membros do Capivariano não reagiram durante a ação policial. 

— Ele (Luiz Flávio) deu uma risadinha irônica e falou que ia ver as imagens da televisão para ver se tinha errado. Então disse que só ia entrar no vestiário depois que já estivéssemos no nosso. Nisso a polícia veio e começou a nos agredir. Ficamos revoltados, claro, mas não existiu qualquer agressão da nossa parte —, explicou ao L!

Após o incidente, os funcionários agredidos se dirigiram a uma delegacia em Itu para registrar um boletim de ocorrência. Após uma hora de espera, Lucas passou mal e o grupo seguiu para um pronto socorro próximo, onde o assessor ficou em observação durante a madrugada. Em nota, o Capivariano informou que o delegado de plantão não deu continuidade ao B.O. aberto. Também informou que os nomes dos policiais envolvidos não foram informados. 

A PM instaurou um inquérito para apurar os fatos. Enquanto aguarda, o Capivariano irá apresentar sua defesa contra a súmula na Federação Paulista de Futebol (FPF) para evitar punições. De acordo com o supervisor de futebol Denis Conselvan, que deixou o Novelli Júnior com um dedo quebrado, o departamento jurídico do clube analisa as possibilidades e deverá se posicionar em breve.

Único atleta atacado, o capitão Leandro Silva contou ao L! já ter sido procurado pelo Sindicato dos Atletas e pelo próprio clube, que se dispuseram a ajudá-lo a tomar uma atitude contra a agressão. O zagueiro, que havia deixado o campo aos 25 do segundo tempo por causa de uma entorse no tornozelo, seguirá para Capivari nesta terça para realizar exames e saber se terá condições de enfrentar o Palmeiras, no próximo domingo, no Allianz Parque. 

— O hematoma e o inchaço no rosto estão diminuindo. Não foi nada grave. O pior é se sentir impotente diante dessa situação — reclamou o jogador, sem deixar de lastimar a derrota. 

 —Mesmo com todos os recursos de imagem atuais, não adianta, porque o resultado não vai voltar atrás. A FPF precisa tomar uma atitude para minimizar os erros, os pênaltis determinaram o resultado do jogo. Vamos ver qual será a atitude do pessoal. Entre tudo o que já aconteceu dentro dos estádios brasileiros, esta é só mais uma estatística que fica para a gente lamentar — finalizou.