Maracanã sofre com falta de manutenção. Diversos furtos já aconteceram no estádio

Divulgação

Fábio Suzuki e Igor Siqueira
16/02/2017
07:15
Rio de Janeiro (RJ)

Quem vai ficar com o Maracanã? A resposta para a pergunta é (por que não?) a mais aguardada nos bastidores do futebol do Rio de Janeiro. E a projeção é que nos próximos dias uma solução definitiva comece a ser dada ao estádio, cuja administração é alvo de cobiça de duas grandes empresas (Lagardère e GL Events) e motivo de dor de cabeça para a Odebrecht.

A ideia inicial da atual administração do estádio era apontar até o fim desta semana o lado escolhido como próximo gestor, mas entre os envolvidos no processo há quem diga que pode ser que a definição se arraste para semana que vem. Coisas do ramo empresarial.

Nos últimos dias, tanto Lagardère quanto GL Events têm se movimentado para convencer a Odebrecht de que tem mais capacidade para tirar o Maracanã do abandono atual. Conversas com fornecedores, possíveis parceiros, além do papo com clubes – mais especificamente com o Flamengo, por parte da GL Events, já que o Rubro-Negro não se cansa de dizer que não joga no estádio com a Lagardère à frente do negócio.

– Estamos alinhados com esse grupo. Temos compromisso e acordo comercial praticamente finalizado. A vigência total do contrato com o Maracanã é de 32 anos. O espírito do Flamengo, respeitados os interesses do clube, é que a solução seja estável. Tudo vai depender disso (do acerto com a GL) para assinarmos um contrato longo – afirmou o CEO do Fla, Fred Luz, ao LANCE!.
A Lagardère confia que tem mais know-how e poderio econômico. Tanto é que já colocou logo a proposta financeira para o estádio (cerca de R$ 60 milhões) nos documentos que enviou para aprovação do Governo do Rio.

Mas o fato de a Odebrecht apontar a empresa a qual venderá a concessão do estádio não significará reabertura imediata do estádio. Há trâmites legais, burocráticos e, principalmente, ajustes físicos a serem feitos no estádio, que, mesmo com a ordem judicial para voltar a ser administrado pela Odebrecht, recebeu poucos ajustes.

A Ferj até tentou pressionar para que o Maraca recebesse semifinais e final da Taça Guanabara. Mas, com a gestão atual se esquivando, o caso voltou à Justiça e a solução ficou distante.

O tempo passa para o Maracanã, que, se pessoa fosse, estaria em depressão profunda.

OS CONCORRENTES

LAGARDÈRE - A empresa de origem francesa aposta na expertise de administrar cerca de 60 arenas pelo mundo, sendo 45 deles estádios (incluindo o Castelão). Nos últimos dias, a empresa reforçou a atuação nos bastidores em conversas com executivos da Odebrecht e fornecedores do Maracanã.

GL Events - Especialista em gerir espaços de eventos, como o Riocentro, a empresa ganhou forças na briga pelo Maracanã ao fechar parcerias para administrar o estádio. Junto com a empresa de origem inglesa estão a Amsterdam Arena, AEG, CSM/Golden Goal e o Flamengo, que ameaça não usar o estádio sem a gestão.

Com a palavra
"Resultado de falta de planejamento
Amir Somoggi, Consultor de gestão esportiva

A situação do Maracanã é resultado de falta de planejamento e de não saber executar a forma correta para dar certo. Foi uma sucessão de erros. Empresas que não entendem nada de marketing, de captação de patrocínios, naming rights. Foram mais de R$ 173 milhões de prejuízo.

Nenhum dos grandes estádios está dando lucro para as operadoras. Os clubes estão fazendo dinheiro com a bilheteria, mas os espaços nobres não são vendidos. Não tem serviço de qualidade e nem um futebol de qualidade. As pessoas estão com acesso aos jogos europeus e aumentaram o grau de exigência. O clube teria que participar efetivamente, ser muito mais parceiro no projeto. Com quatro meses de estadual, ninguém ganha dinheiro. A situação tende a melhorar se o clube tiver interesse no negócio.