torcida Atlético-PR

Organizada, que apoiou diretoria nas eleições de 2015, recebe duro golpe no ano seguinte (Foto: Divulgação)

Mauricio Murad
24/06/2016
15:14
Rio de Janeiro (RJ)

Vira e mexe clubes e autoridades diversas anunciam que descobriram a pólvora: acabar com as organizadas para acabar com as violências de facções ali infiltradas. Verdadeiro samba de uma nota só, até que um novo interesse aproxime diretorias de clubes às organizadas, como eleições internas e externas. Que minorias de vândalos organizados dentro das torcidas organizadas têm de ser combatidos está claro e é mais do que verdadeiro. A imensa maioria de torcedores pacíficos, não suporta mais tanta violência, nem suporta mais tanta impunidade. 

Isto também é igualmente verdadeiro. Para o futebol e para o Brasil. Clubes têm que atuar, sim, contra o vandalismo. Mas, por que a ideia é sempre a mesma: matar o gado para acabar com o carrapato? Proibir é mais fácil do que fiscalizar, prevenir, mas não é mais eficiente e medidas anteriores em nosso país, iguais as do Atlético-PR, comprovam isso. Proibidas, as organizadas entram numa zona sombria ainda maior de clandestinidade e aí é que não se controla mesmo as suas ações. 

Que tal a utilização das imagens, que são claríssimas, para focar a punição nos verdadeiros infratores, numa parceria inadiável entre clubes, federações e autoridades de segurança pública? Afinal, o desejado sentido pedagógico e ético da punição é estabelecer a diferença entre quem cometeu e quem não cometeu o delito.

*Mauricio Murad, sociólogo do Universo da Universo, é membro da Academia LANCE! e autor do livro "Para Entender a Violência no Futebol".