Grupo de jogadores do Misto na última quinta-feira em frente a delegacia local (Foto: Divulgação)

Grupo de jogadores do Misto na última quinta-feira em frente a delegacia local (Foto: Divulgação)

Lucas Strabko
22/01/2016
17:55
São Paulo (SP)

Uma briga nos bastidores do Misto (MS) deixou na mão, sem ter onde dormir ou comer, um grupo de 20 jogadores que disputariam o Campeonato Sul-Matogrossense pelo clube.

Na última quinta-feira, Fábio Henrique da Silva, empresário do ramo de engenharia que patrocinaria o Misto nesta temporada, e Jamiro Rodrigues, o presidente da agremiação, trocaram desavenças por causa dos valores que seriam depositados ao clube. Fábio diz que usou o dinheiro para moradia dos jogadores e custos administrativos do Misto, portanto não deveria depositar o restante acordado.

De acordo com o contrato de patrocínio obtido pelo LANCE!, no qual o empresário garante os direitos de explorar a imagem do Misto (MS) por três anos, o valor mensal que deveria ser depositado por Fábio a agremiação é de 150 mil reais.  No documento, há cláusulas que colocam a cargo do Misto a administração do clube e o pagamento de salários dos jogadores. 

- Cheguei e não tinha absolutamente nada do clube. Não tinha sede social. Ele (Jamiro Rodrigues) tentou me dar o golpe, vendeu um produto que não existe. O dinheiro era para montar a sede, eu ajudaria a pagar o salário do Abuda. Tinha uma casa que moravam 13 atletas em condições sub-humanas, que depois seria a casa da comissão técnica. O presidente disse que os colocaria em outro lugar. Tudo deveria ser no nome do clube - diz Fábio da Silva, ao LANCE!, que promete levar os jogadores a um time que disputará a primeira divisão do Campeonato Matogrossense

A confusão fez com que o mandatário demitisse os 20 atletas levados ao clube pelo empresário, incluindo o atacante Abuda, que foi formado nas categorias de base do Corinthians e também teve passagem pelo Vasco. 

Além da demissão, outros problemas respingaram nos jogadores. Alojados no Novo Hotel, pequeno empreendimento localizado na cidade de Três Lagoas (MS), eles foram surpreendidos quando chegaram ao local e tiveram a entrada proibida.

Por falta de dinheiro, o presidente do Misto disse ao dono da pousada que os atletas não poderiam continuar se hospedando por lá. Após conversarem com o proprietário do hotel, os jogadores disseram que não teriam onde dormir e conseguiram permanecer por mais uma noite.

- A hospedagem era por minha conta. Suspendi todos os pagamentos porque estava muito cômodo. Os jogadores estavam no hotel de boa. Dois atletas se machucaram e o clube não deu assistência. O presidente recolheu o material de treino dos meninos. Já que estava dessa forma, a responsabilidade virou dele, não minha - afirma Fábio da Silva.

O mesmo aconteceu no Restaurante Araguaia, onde estavam acostumados a comer no período de preparação para o campeonato local. Os jogadores não puderam fazer as refeições, antes pagas pelo Misto. Houve rateio entre os atletas e o dono do Novo Hotel para comprar pizzas para os jogadores terem o que jantar na última quinta-feira. 

- Acabou que os dois (Jamiro e Fábio) largaram todo mundo aqui, despejados e sem alimentação. Puxamos a ficha desse patrocinador e tem várias passagens pela polícia, até por estelionato, furto e agressão. Ele usou o mesmo nome da Herbalife para dar golpe no Noroeste - conta Renan Assunção, um dos membros do grupo de jogadores, ao LANCE!

Apesar de Fábio da Silva negar ter qualquer vínculo com a Herbalife, empresa multinacional que comercializa produtos de nutrição, no contrato de patrocínio obtido pelo LANCE!, o empresário é citado como "representante de vendas independente da Herbalife". No documento, dentre os 150 mil reais que seriam depositados ao clube mensalmente, cinco mil reais seriam em produtos da Herbalife. 

Na noite de quinta-feira, o grupo de atletas se reuniu e foi a uma delegacia local para fazer Boletim de Ocorrência contra o presidente do clube, porém não conseguiu registrar o documento porque não haviam escrivão e advogado no local. Na tarde desta sexta, os jogadores voltaram à delegacia e confirmaram a ocorrência. A grande parte dos atletas voltará às suas casas nos próximos dias. 

- Todo mundo veio com contrato com o clube, gastamos dinheiro com passagem, só tivemos prejuízo. Eles não pagaram ninguém. O patrocinador desligou o celular. Consegui falar com o presidente hoje, ele disse que o clube não tem obrigação com os jogadores que estão aqui. O contrato está lá, ainda temos vínculo com o Misto - completa Renan.

Jamiro Rodrigues (presidente do Misto) não atendeu às ligações do LANCE!