Alexandre Guariglia
04/08/2016
10:00
São Paulo (SP)

A mais recente conquista olímpica da Seleção Brasileira de futebol foi nos Jogos de Londres-12. O time liderado por Neymar, Thiago Silva e Marcelo levou a medalha de prata ao ser derrotado por 2 a 1 pelo México na final do torneio. Não teve jeito, a expectativa gigantesca criada em torno do ouro se transformou em decepção.

O volante Rômulo, ex-Vasco e atualmente no Spartak Moscou, da Rússia, falou ao LANCE! sobre a participação brasileira na Olimpíada de 2012. Ele tem noção de que o segundo lugar não era o esperado, mas valorizou a luta e a importância de uma medalha.

- Para o Brasil essa medalha de prata não é tão comemorada, mas para nós jogadores estar ali, ver a luta, ver a dificuldade, ver o quanto a gente batalhou para chegar até a final é muito importante e gratificante. São poucos aqueles que ganharam uma - comentou.

Autor de um dos três gols brasileiros na semifinal contra a Coréia do Sul, Rômulo acredita que o objetivo maior não foi atingido por circunstâncias inerentes ao futebol, mas negou que a equipe de Mano Menezes tenha feito uma apresentação abaixo da crítica.

- Foi no detalhe, às vezes um descuido, um minuto ou outro que você não está concentrado e acaba acontecendo, mas é futebol, não tem jeito. Não jogamos mal contra o México, criamos oportunidades, mas os caras foram mais felizes, concluíram as chances que tiveram, e a gente também teve oportunidade de empatar o jogo quando estava 2 a 1, o Oscar deu uma cabeçada na trave, mas infelizmente não deu. É o futebol... - refletiu.

Como dito anteriormente, o ouro no futebol era uma medalha dada como certa por nove em cada dez envolvidos no meio esportivo. A exigência por atingir essa glória inédita para o Brasil não ficava apenas fora do ambiente dos jogadores, eles puderam sentir toda essa expectativa, mas encontraram na descontração uma maneira de driblar a pressão.

- A responsabilidade é muito grande, mas nas horas livres que tínhamos, aproveitávamos para descontrair, brincar, não só os jogadores, a comissão técnica também. Era uma forma de aliviar um pouco da pressão que era colocada em cima da gente para conquistar a medalha de ouro. Isso que pesou mais - afirmou o volante ex-Vasco.

Durante o papo por telefone com a reportagem do LANCE!, Rômulo não se cansou de dizer o quanto era feliz pela conquista da medalha de prata. Não é à toa, desde criança alimentava a esperança de um dia ostentar uma dessas relíquias. Seja de ouro ou não, ele viu seu sonho se tornar realidade.

- Sempre sonhei, desde quando era moleque, mas nunca imaginei que poderia ser real. Sempre trabalhei, sempre busquei e consegui realizar esse sonho de disputar os Jogos, infelizmente não consegui o objetivo principal, que era buscar a medalha de ouro, mas consegui a de prata e sou muito contente por isso - celebrou.

O futebol na Olimpíada costuma ser considerado um "peixe fora d'água", ainda assim há espaço para que esses dois mundos tão diferentes interajam e absorvam lições desse encontro. Rômulo conseguiu entender e aproveitou o espírito olímpico em seus objetivos.

- É uma experiência diferente, disputar os Jogos é algo muito diferente do que você no futebol normalmente, é um clima em que você vê vários esportes juntos, várias modalidades e cada uma dessas coisas vai motivando a gente cada vez mais a conseguir as vitórias. Isso é muito importante.

A comissão técnica, comandada por Mano Menezes, decidiu não deixar seus jogadores concentrados com os demais atletas da delegação brasileira na Vila Olímpica. A Seleção ficou hospedada em um hotel, o que acabou dificultando a possibilidade de Rômulo e seus companheiros assistirem a algum evento, ainda assim houve tempo para visitar os compatriotas concentrados na Vila.

- A gente treinava e ficava distante dos locais dos eventos, mas sempre que podíamos, frequentávamos a Vila Olímpica para visitar os atletas brasileiros de outras modalidades. Conhecemos a parte do Brasil na Vila, as atletas do vôlei, as meninas da ginástica, foi legal demais, é uma experiência que todo jogador sonha em conhecer - declarou o volante do Spartak Moscou.

"Apesar de muitos falarem que a Seleção estava vivendo com estrelismo, fez bem para nós"

O fato de o futebol ter privilégios e estar longe do convívio da esmagadora maioria dos atletas olímpicos nunca foi bem digerido, a insatisfação em torno dessa divisão, algumas vezes, chegou a ser notada, mas para Rômulo o isolamento só fez bem ao time.

- O pessoal geralmente falava que só tinha isso porque era a Seleção Brasileira, que a gente ficava em hotel, não ficava na Vila Olímpica, mas acho que foi bom para nós, porque ficamos mais concentrados, tivemos mais tempo para trabalhar, mais facilidades, apesar de muitos falarem que a Seleção estava vivendo com estrelismo, fez bem para nós.

Em relação ao torneio olímpico de 2016, Rômulo está otimista quanto ao sucesso dos brasileiros no futebol e a conquista do inédito ouro que, para ele, pode servir também como base para a formação da Seleção principal.

- Acho que com os nomes que tem, com o tempo de trabalho que tem, vai conseguir se encaixar direitinho e vai dar certo. Inclusive servindo como base para a Seleção principal, já tem Gabigol, Rodrigo Caio, Marquinhos. É um grande time - finalizou.