Juninho estreou contra o Santos, mas foi pouco utilizado por Marcelo Oliveira em 2015 (foto: Divulgação)

Juninho estreou contra o Santos, mas foi pouco utilizado por Marcelo Oliveira em 2015 (foto: Divulgação)

Olga Bagatini
22/04/2016
18:12
São Paulo (SP)

Criado nas categorias de base do Palmeiras, Juninho aprendeu desde cedo a lidar com a pressão de jogos grandes. Sua estreia como profissional foi em um clássico contra o Santos, no Brasileiro-14. O atleta não conseguiu se firmar, retornou para a base e foi novamente promovido após a Copinha-15, ao lado de Gabriel Jesus. A falta de espaço com Marcelo Oliveira, contudo, levou o clube a emprestá-lo ao Osasco Audax para a disputa do Paulistão. Neste sábado, o meia colocará à prova sua capacidade de lidar com a "fogueira" no reencontro com o rival Corinthians por uma vaga na final. 

Apesar da força alvinegra, Juninho não vê o atual campeão brasileiro como favorito. Ele recorreu à boa campanha do time de Osasco, que incluiu goleada sobre o São Paulo nas quartas, para justificar a ausência de favoritos no duelo decisivo em Itaquera.

— Procuramos não absorver a pressão. Estamos bem tranquilos e confiantes. A gente respeita a campanha que eles fizeram, mas dentro das quatro linhas, tem que defender o nosso. Eles estão embalados por uma vitória de outro campeonato (6 a 0 sobre o Cobresal na Libertadores), mas a gente vem de uma sequência boa no Estadual. Se eles estão nesse ritmo bom, então a gente também está. Acredito na nossa vitória — disse ao LANCE!

Destaque em Osasco, o garoto credita seu ritmo à experiência adquirida no empréstimo ao Audax. Ele foi acionado apenas três vezes por Marcelo Oliveira em 2015 — incluindo um jogo contra o Sampaio Corrêa na Copa do Brasil, que o incluiu na lista de campeões. Agora, com Fernando Diniz, teve mais chances de mostrar seu futebol.

— Ganhei experiência, tive mais oportunidades de jogar na Série A1 do Paulista, um campeonato de alto nível, muito forte e visado. Também me ajudou como pessoa, convivi com muita gente boa. O técnico Diniz tem me ajudado muito, dentro e fora de campo — explicou o atleta.

Contra o próprio clube, Juninho também surpreendeu. Conduziu o meio-campo na vitória por 2 a 1 e ainda carimbou a trave de Prass, o que agradou Cuca e provocou a ira da torcida contra o ex-treinador que não soube utilizá-lo.

— Teve um gostinho a mais. Estava jogando contra meus ex-companheiros, e sempre que a gente vai jogar contra um clube que a gente já defendeu, quer mostrar um pouco mais. Sobre não ter sido aproveitado, fico na minha, pois não cabe a mim. Estava trabalhando e buscando oportunidade, e infelizmente não tive chances lá como estou tendo no Audax — disse o camisa 10. 

Juninho é esperado no Verdão ao término do empréstimo e tem contrato até o fim de 2018. Ele esteve na mira do Criciúma, mas por exercer bem uma função hoje carente no elenco de Cuca, despertou a atenção do novo comandante. Juninho quer ficar, desde que seja aproveitado. E não esconde o desejo de enfrentar sua equipe em uma eventual final. 

— Caso aconteça de enfrentar o Palmeiras, será legal reencontrar os antigos companheiros. Querendo ou não, eu sou do Palmeiras. No fundo, torço por eles também. 

Bate-bola com Juninho
'Se for para ter mais chances, quero ficar no Palmeiras'

Você voltará ao Palmeiras ao fim do empréstimo?
Pelo que foi combinado, eu tenho que voltar para o Palmeiras no fim do Estadual. Mas não sei como vai ficar, se vou permanecer.

Como andam as negociações com o Criciúma?
São mais especulações, ainda não chegou nada concreto até mim. Não é certeza de nada. Recebi algumas propostas, mas também nada foi concretizado.

Você quer ficar?
Eu quero jogar, quero estar aparecendo, quero ajudar. Não importa a equipe onde eu estiver. Quero ajudar meus companheiros, e se for para ter mais chances, quero ficar no Palmeiras.

A campanha do Audax na primeira fase te surpreendeu?
Não, porque a gente fez uma boa pré-temporada e o objetivo do grupo era mesmo fazer uma boa campanha na primeira fase e buscar a liderança do grupo. Não foi uma surpresa, a gente estava muito focado nisso.

E a goleada sobre o São Paulo nas quartas?
A gente estava muito confiante, não só eu, mas o elenco todo. Estávamos seguros e trabalhamos para isso. Quando chegou o dia do jogo, a gente procurou colocar em prática tudo o que treinou. E deu certo. A vitória era esperada, mas não dessa forma (4 a 1). Foi ainda melhor. A chave foi o espírito do grupo, a gente se uniu muito dentro e fora de campo.

Já enfrentou o Corinthians antes?
Só na base. Foi ano passado, na fase de grupos do Paulista sub-20. Joguei contra o Yago. A gente ganhou um e empatou o outro. Ganhou de 3 a 1 e empatou em 0 a 0.

A rivalidade aumenta a motivação?
Acho que não. Estou no Audax agora, a história é outra. Vejo como um jogo importante pela camisa do Audax. Nada a ver com o Palmeiras. Não sinto isso, a gente se motiva por ser o Corinthians, um dos grandes, e não pela rivalidade.

Qual é a estratégia do Audax para bater o Corinthians na Arena?
Taticamente é repetir o que a gente vem fazendo, jogar sempre junto, estar perto um do outro, ficar bastante com a bola. Do meio para a frente é criatividade e ousadia. Vamos usar a mesma estratégia que usamos contra o São Paulo: a amizade e a união do grupo.