Renato Gaúcho, durante o jogo de ontem, da copa do Brasil

Renato Gaúcho causou rebuliço com a opinião sobre o valor do estudo (Foto: Dudu Macedo/Fotoarena/Lancepress!)

José Luiz Portella
14/12/2016
12:00
São Paulo (SP) 

Renato Gaúcho causou rebuliço com a opinião sobre o valor do estudo. “Quem sabe, sabe. Quem não sabe, vai estudar”, declarou. 

Renato é figura que combina prepotência, verborragia e audácia. Discordo dele, no caso, completamente. Todavia, ele demonstra coragem de "ir contra a corrente", enfrentar verdades estabelecidas. Mesmo ao discordar, admiro quem tem tal ousadia.

Lugano também se confrontou com o "politicamente correto e dominante" ao falar de Tite. Também discordo de Lugano, porém ele teve o condão de colocar um alerta nessa louvação exagerada e sem distanciamento que endeusa o melhor treinador do Brasil, hoje, mas que, como todos, comete falhas.

Tite tem várias qualidades, entre elas o esforço e a inteligência, que procurou explicitar em entrevista a Osmar Garrafa. Todavia, já se equivocou no Corinthians, levou seu filho à CBF, quebrando norma de conduta vigente, e assinou um manifesto que ignorou, logo após. Além de assumir o cargo, o que era até aceitável, beijou Del Nero, numa demasia que ajudou na perpetuação deste na entidade.

O distanciamento de quem critica ajuda o criticado, oferecendo oportunidade de aprimoramento. O elogio constante colabora com a soberba.

DIFERENÇAS

Ao escrever temos várias possibilidades. Emitir uma opinião com dois ou três dados ilustrativos. É uma "pensata", tem seu papel, serve de referência para os leitores. Mas é simples opinião. Dá-se a sua, respeita-se a dos outros.

Quando há dados mais estruturados e ricos, como em artigos sobre finanças de clubes, temos um artigo técnico. Não examina todas as hipóteses e visões.  Já uma tese acadêmica, além da ideia instigante, precisa trazer algo inusitado, comprovado por dados exaustivos e baseados em fontes que a universidade reconheça. Ela necessita de extensa análise, de uma revisão de toda a literatura relativa ao tema, até então publicada. Por isso, dá trabalho e levam uns três anos, além dos créditos em disciplinas atinentes. 

Ciência é algo mais complexo ainda. Necessita transformar-se em postulado geral que se confirma em 99% (ou mais) dos casos aplicados, assegurando conhecimento universal permanente.  

Precisa ser aceita pela comunidade científica. Mesmo ela, com todas as suas relevâncias, corre o risco de ser confrontada, alterada ou especificada. Foi o que a Teoria da Relatividade, de Einstein, e a Física Quântica fizeram com a Física de Newton.

RELEVÂNCIAS

Não há, em nossas posições no futebol, mais que opiniões. Não dá tempo para ir além. 

Quando Renato fala, pouco importa se concordamos. Cria-se oportunidade para quem dá valor ao estudo, e ele vale muito, de expressar como se dá sua importância. Renato, de certa forma, navegou na galhofa, porque é vaidoso e sentiu-se atingido quando chamado de técnico de futevôlei.

Aos boleiros, com exceções, incomoda os que pensam. Muitos deles se julgam com o monopólio do conhecimento de tática, técnica e “vestiário”, este muito mais um assunto da psicologia. 

Acham que só quem esteve em campo, sabe.  Sem sentido. Eles emitem frequentemente opiniões sobre administração e gerenciamento financeiro sem nunca terem estudado nem "estado lá", onde cabe aprender. 

Renato, pelo menos, dá a cara à tapa e vai a campo. Alguns ficam na bancada da TV, no conforto da análise pós-resultado. Porém, vale a pena ouvi-los, no que cabe.

DIALÉTICA


Ninguém é campeão absoluto de ideias. E como dizia brilhante figura do mercado financeiro diante de tanta análise, “Na verdade, quase sempre, ninguém sabe nada. É tudo um chute, com alguma informação”.

Discutir, dividir, sentir-se superior é perda de tempo. Tostão foi bem: quase sempre poderíamos ter escrito algo melhor.

Tem a tese, antítese e vem a síntese. Geralmente, a verdade está no meio. Longe da nossa teimosia.

Renato e Lugano vieram para que avaliemos o Estudo e Tite com mais precisão. Cumpriram um papel necessário de antítese.