Thiago Salata
30/11/2015
08:45
São Paulo (SP)

Por que ir ao Morumbi depois daquele vexame da semana passada? Porque sim. Simples assim. 20 mil resolveram ir. Dane-se o que estava em jogo. Dane-se a temporada ruim. Dane-se que até os 45 do segundo tempo o São Paulo estava perdendo mais um jogo em casa. Dane-se também o 6 a 1. Houve quatro minutos em que tudo isso foi esquecido no sábado. Justa alegria.

Quem tenta minimizar o que se passou no Morumbi dos 45 aos 49 entende pouco o que significa estar na arquibancada. Foi a tarde da abraçar o desconhecido que sentou ao lado, de desabafar. Soltar palavrões aos torcedores rivais que tripudiavam. O são-paulino já festejou coisas muito maiores. Naquele momento, dane-se! Foram saborosos três pontos. Foi o dia em que o pai saiu do estádio radiante com seus filhos pequenos, o fanático abriu a cerveja para aliviar a tensão de dias muito complicados.

Quatro minutos compensaram os 90 anteriores para os tricolores em São Paulo 3x2 Figueirense. De Kardec a Thiago Mendes, três pontos. E vaga na Libertadores encaminhada. Gols que, em outro estado, foram igualmente festejados por desesperados vascaínos. Muitos gols de Kardec pelo Vasco não foram tão comemorados como este de sábado.

São 440 quilômetros de estrada que separam o Morumbi de São Januário. Pouco menos de 24 horas depois do apito final na capital paulista a bola rolou, ou tentou rolar, no Rio de Janeiro. O sofrimento vascaíno começou já na saída de casa com o dilúvio. Seguiu na arquibancada com gols perdidos até a explosão com o gol de pênalti de Nenê. Foi a vez do torcedor cruz-maltino extravasar, abraçar desconhecidos e seguir sonhando com a Série A-2016.

Não foi fácil, e nem poderia. O apito final só aconteceu aos 50 minutos do segundo tempo: Vasco 1x0 Santos. Se o São Paulo ajudou, Ponte e Palmeiras perderam para Avaí e Coritiba, respectivamente. O time carioca vai para o jogo final, contra o Coxa, fora, sem depender de suas forças. Difícil, mas dane-se! Foi dia só de festejar nova vitória!