Tite e Luxemburgo

Tite em jogo contra Vanderlei Luxemburgo (foto: Ari Ferreira)

Thiago Salata
11/11/2015
08:00
São Paulo (SP)

Tite está prestes a confirmar o segundo título do Brasileirão em seu currículo num intervalo de quatro anos. Vanderlei Luxemburgo, entre 1993 e 2004, conquistou a cobiçada taça cinco vezes - ninguém tem mais canecos do que ele. Tite já levou um Mundial e uma Libertadores. Luxa nunca conseguiu tais troféus. Tite ainda sonha com a primeira chance na Seleção Brasileira. Luxa já passou por lá e caiu antes do que se esperava. Tite já bateu Luxa em uma final de Copa do Brasil, torneio que os dois têm no currículo. O "novo" Tite ou o "velho" Luxa: quem você escolheria para comandar o seu time?

A brincadeira surgiu em uma conversa entre amigos que adoram futebol. Tite é sem dúvida o melhor treinador do Brasil hoje e merecia estar na Seleção. Acabou com rótulos, como o de retranqueiro. O Corinthians tem disparado o melhor ataque do Brasileirão (63 gols), além de ter a melhor defesa (26). Tite montou um meio de campo fortíssimo, uma equipe moderna que ataca e defende com extrema eficiência. Faz jogadores o idolatrarem. É um técnico que se vira para superar desfalques, mesmo sem as peças de reposição esperadas. Chegou a inventar o esquecido meia Rodriguinho como volante, por exemplo, e manteve o padrão de sua equipe.


Elias não é um volante. É um meia. Os bons times do mundo, aliás, não se prendem mais às definições "meia e volante", como se fossem posições distintas. São todos meio-campistas. Mas ainda ouvimos no Brasil treinadores que soltam a definição "primeiro volante" com o velho conceito do "cabeça de área". Dói o ouvido. Marcelo Oliveira, atual bicampeão brasileiro, demorou quanto tempo para achar uma solução aos problemas no meio do Palmeiras com a insistência em ter o "marcador"? Estamos falando do bicampeão nacional!

Luxemburgo dos anos 90 e início dos 2000, e Tite, hoje, são dois dos grandes técnicos que o Brasil teve nos últimos mais de 20 anos


Vanderlei Luxemburgo começou a sobrar já na década de 90 quando teve grandes sacadas na posição. Fez do lateral-direito Mazinho um volante brilhante na máquina do Verdão de 1993-94. Rincón, antes só meia, e Vampeta, lateral, também se descobriram na função na mão de Luxa no Timão bi do Brasileirão. Vanderlei estava à frente dos demais. Sobrou. Acumulou taças e respeito. Todos os jogadores queriam ser treinado por ele. Era "o estrategista", como dizia o famoso jornalista Roberto Avallone.


Tite, que surgiu para o cenário nacional com o Grêmio campeão da Copa do Brasil de 2001 contra Luxa, vinha caindo na vala comum até se reencontrar no Corinthians, em 2011. Hoje, com 54 anos, é o melhor do Brasil, o estrategista da vez. Luxemburgo, uma vez chamado de genial em coro da arquibancada, está na China, no fim de uma brilhante carreira, com 63 anos.

O "novo" Tite ou o "velho" Luxa? Há, claro, muitas diferenças entre eles, em vários sentidos. Este humilde texto trata apenas do que se viu em campo, com resultados, de técnicos campeões que fugiram da mesmice, em épocas diferentes. Se fosse possível escolher, ainda ficaria com Vanderlei. Ainda. O corintiano tem longo chão para percorrer, títulos a acumular e uma justa chance na Seleção a receber (assim esperamos que aconteça). Em um ponto não há dúvidas: eles são dois dos grandes treinadores que o Brasil viu nos últimos 20 anos. Os mais vencedores? Não. Muricy e Felipão entram com tudo na briga quando o assunto é taça na galeria. Os melhores no período? Talvez. Mas aí abriríamos outra discussão...