Fonte: Amir Somo

Evolução em milhões de reais das receitas dos clubes brasileiros com direitos de televisão (Fonte: Amir Somoggi)

Amir Somoggi
12/11/2015
08:00
São Paulo (SP)

A recente saída de Marcelo Campos Pinto, homem forte da Globo na negociação dos direitos de transmissão de esporte no Brasil gerou certa dúvida do futuro da emissora com o futebol.

O nome escolhido para comandar as operações de aquisição de direitos é Pedro Garcia, executivo da Globosat. Muitos comentam que a escolha de um profissional com experiência com TV paga já é um forte indício de mudanças. Mas a verdade é que o próprio Marcelo já indicava em entrevistas que no futuro poderia haver mudanças, com menos futebol em TV aberta.

A Globo, por meio da atuação de Marcelo Campos Pinto, se transformou de longe no maior investidor do futebol no Brasil e ele sem dúvida no personagem mais poderoso do esporte brasileiro.

Pelos dados dos balanços dos clubes em 2014 as receitas com direitos de TV chegaram à marca de R$ 1,3 bilhão. Nos últimos 12 anos a Rede Globo pagou aos clubes quase R$ 8 bilhões para transmitir seus jogos, de longe a maior fonte de receita do futebol brasileiro. Desde 2003, com o início da era dos pontos corridos os direitos de TV cresceram 405%, enquanto a inflação do período foi de 99%.

O volume gerado com TV em 2003 foi de R$ 257 milhões e crescia muito pouco a cada ano. O primeiro grande salto foi em 2009, quando em um acordo com o Clube dos 13 o contrato cresceu 35% e atingiu a casa de
R$ 526 milhões. Em 2011, com o fim da entidade, tivemos um novo pulo, dessa vez de 52%. E em 2012 já com o novo contrato individual assinado com os clubes e as luvas pagas houve um salto de 54%.

A Globo infelizmente criou um abismo entre os clubes. O dinheiro cresceu. Entretanto, privilegiou Flamengo e Corinthians, em detrimento dos demais. Esse sem dúvida é o maior erro de todos cometido pela emissora neste assunto.

A nova gestão da Globo, pelo que já foi publicado, não mudou a forma de enxergar a distribuição das receitas entre os clubes e os novos acordos mantêm essa abordagem. A visão, ao que parece, permanece em acreditar que tamanho de torcida é parâmetro para definir a distribuição do dinheiro da TV. Uma visão antiquada e que somente limita o desenvolvimento do produto futebol no Brasil.

As negociações para estender o vínculo da Globo com os clubes até 2020 estão a todo vapor nesse momento. Claro que novas luvas serão dadas, empréstimos garantidos pela emissora continuarão como a tábua de salvação dos clubes pela sua falta de recursos e excesso de gastos.

Os clubes deveriam aproveitar esse momento de fragilidade da CBF e mudanças no comando da Globo para alterar os rumos atuais do futebol brasileiro, falando abertamente inclusive da criação de uma Liga Nacional, com um equilíbrio na divisão das receitas da TV.

Essa é uma grande oportunidade para mudanças, mas que deve ser perdida em função da gigantesca debilidade financeira dos clubes e sua desunião, desde o fim do Clube dos 13. Uma pena!