Ronaldinho Gaúcho, no Flamengo

Diretoria não soube fazer explorar os bons momentos que Ronaldinho teve no Fla  (Foto: Ivan Storti/Lancepress)

Amir Somoggi
19/02/2016
20:05
Rio de Janeiro 

O fim do processo movido por Ronaldinho Gaúcho contra o Flamengo, obrigando o clube da Gávea a desembolsar R$ 17 milhões, é mais uma de tantas provas da irresponsabilidade de boa parte dos dirigentes brasileiros.
Ronaldinho ficou 17 meses no Flamengo e queria receber no processo inicial R$ 50 milhões. Pelo acordo ficou feliz com os R$ 17 milhões. E como sempre o rombo é do clube e um problema gigantesco para a diretoria que sucedeu o irresponsável que contratou o jogador.

Se o clube fosse uma empresa, a ex-presidente Patrícia Amorim poderia ter que ressarcir o clube com seus bens. Segundo o estatuto do Flamengo agora isso virou realidade. Este é o que se chama o legado maldito de tantas más gestões anteriores.

E a conta pelo caso Ronaldinho será paga em uma parcela à vista de R$ 5 milhões e outras 10 de R$ 1,2 milhão. Isso tudo para um jogador que há anos não veste a camisa rubro-negra.

Com esse dinheiro o clube poderia contratar um ou mais jogadores de altíssimo nível. Mas não pode. Terá que usar recursos do orçamento para bancar a irresponsabilidade de gestões anteriores. Isso se repete em praticamente todos os clubes do Brasil.

A dívida do Flamengo em 2012 estava em R$ 804 milhões, 2013 foi para R$ 757 milhões e em 2014 baixou para R$ 698 milhões. Segundo o último balancete - setembro de 2015 -, a dívida está em R$ 569 milhões. Portanto, mesmo que sendo reduzida pela administração atual, ainda assim é gigantesca e de consequência direta de péssimas gestões ao longo de décadas.

Relembrando o caso Ronaldinho-Flamengo-Traffic

Na época, o Flamengo entrou no embalo dos casos bem-sucedidos de marketing de Ronaldo Fenômeno, no Corinthians, e do Neymar, no Santos. Ambos trouxeram resultado financeiro, mercadológico e esportivo para seus clubes.

Assim, o Flamengo embarcou na contratação de Ronaldinho Gaúcho e, para isso, teve o apoio da Traffic, que bancava a maior parte do salário de cerca de R$ 1 milhão por mês. A empresa de marketing esportivo deveria ficar com uma parte bem representativa dos futuros acordos de patrocínio.

O negócio não prosperou, especialmente pela incapacidade do marketing do clube, muito fraco, gerido de forma amadora. Além disso, houve terríveis falhas no trabalho que deveria ser em conjunto com a Traffic. Depois de um tempo os salários pararam de ser pagos e aconteceu tudo que sabemos. Um rombo gigantesco para o clube.

O jogador poderia ter virado um case de marketing, mas não virou. Antes de começar a faltar aos treinos, o ex-craque manteve um nível bom com a camisa do clube. Portanto, quem não entrou em campo foram os executivos de marketing. Agora, se o clube não tinha capacidade, que não contratasse o atleta.

Se os clubes não mudarem, muitos grandes poderão sofrer e até um dia fechar as portas O único caminho real e prático é a mudança de estrutura jurídica para empresas. Outro ponto é que cada clube busque o que há de melhor para si. Sem abnegados, irresponsáveis, incapacitados em sua presidência.

Nossos clubes precisam virar empresas para que as decisões sejam tomadas como nas corporações de forma responsável, utilizando modernas técnicas de gestão.

A dívida somada de todos os clubes brasileiros supera R$ 7 bilhões e os déficits acumulados ao longo de 12 anos, é de R$ 3,2 bilhões. Portanto, temos um modelo falido.

Precisamos mudar radicalmente um jogo que estamos tomando de goleada.