Leonardo Picciani, Eduardo Cunha e Michel Temer (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Leonardo Picciani, Eduardo Cunha e Michel Temer (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Luiz Fernando Gomes
11/05/2016
15:31
São Paulo (SP)

Ao iniciar as articulações para a formação de um novo governo, quando o processo de impedimento de Dilma Rousseff tornou-se irreversível, o vice-presidente Michel Temer admitiu a redução do número de ministérios dos atuais 32 para 20 ou 22 pastas. A intenção era formar um quadro de notáveis, capaz de resgatar a credibilidade do governo e agilizar as práticas da gestão pública.

Agora, às vésperas de anunciar a sua equipe de governo, quando o afastamento da presidente se consuma, as propostas iniciais de Temer correm o risco de perderem-se no vazio comum do toma-lá-dá-cá das negociatas políticas, em nome do que convencionou-se chamar de busca da governabilidade. Ao invés de notáveis, vê-se políticos - alguns os mesmos de sempre - escolhidos não pela competência ou pelo domínio da área, mas pela sigla partidária que acompanha seus nomes. E o número de pastas já chega a 26.

O Ministério do Esporte não escapa dessa infeliz realidade.

Primeiro, falou-se numa fusão com o Turismo, um cenário que já existiu em tempos passados e que mostrou-se inócuo - talvez nem tanto pela fórmula, mas pela fraqueza dos que ocuparam o cargo. Logo, contudo, a criação da pasta ressurgiu como mais uma atração da barganha política. O primeiro nome a ser citado foi o do deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral e secretário de esporte da estado do Rio. Seria uma forma de Temer "agradecer" o comportamento da bancada do PMDB carioca, que às vésperas da votação na câmara abandonou o barco dilmista.

No final da semana passada, Cabral desapareceu das listas de ministeriáveis, mas o PMDB carioca continuou forte na disputa pela vaga. Jornais anunciaram um convite formal de Michel Temer ao líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani, que embora tenha votado contra o impedimento da presidente, rendeu-se na reta final aos que articulavam o afastamento na bancada do Rio. A nomeação de Picciani teria a bênção do prefeito Eduardo Paes, que considera estratégico que o Rio, no ano da Olimpíada, tenha o comando do ministério do esporte.

Mas o martelo não está batido.

Na segunda-feira, no tabuleiro do xadrez ministerial, Temer ofereceu o Ministério do Esporte à bancada federal do PRB. Mas o partido, que até pouco tempo controlava a pasta - o deputado George Hilton era o ministro de Dilma - recusou o cargo, segundo seu presidente nacional, Marcos Pereira, por considerar que lidar com a organização dos Jogos Olímpicos do Rio na reta final seria problemático, podendo trazer ao partido mais desgastes do que benefícios.

A visão de Pereira é míope. E dá a dimensão do que se transformaram as articulações para a formação do novo governo. Partidos e políticos, mais uma vez, não parecem interessados em resolver as questões que afligem o país, mas miram prioritariamente seus interesses particulares e as benesses eleitorais - quiça financeiras - que a administração dos polpudos orçamentos ministeriais podem proporcionar.

Ainda mais míope, contudo, é a forma como vem sendo vista a indicação do novo ministro do esporte. É injustificável que um país que acaba de sediar uma Copa do Mundo e que está às vésperas de abrir uma Olimpíada, não tenha, já na iminência da escolha, o nome de uma personalidade com passado e formação profissional efetivamente ligados ao esporte. É um mal sinal. Tomara não leve à constatação de que as políticas públicas, as ações indispensáveis ao desenvolvimento do esporte nacional serão mais uma vez deixadas de lado.