Marcio Fernandes

Técnico do Vila Nova busca título da Série C sobre o Londrina para presentear o pai (FOTO: Divulgação)

Léo Saueia
21/11/2015
09:00
São Paulo (SP)

No dia em que garantiu vaga na Série B do Brasileirão, quando bateu a Portuguesa em pleno Canindé lotado, o Vila Nova por pouco não esteve desfalcado do técnico Marcio Fernandes. Horas antes de a bola rolar pelas quartas de final da Série C, o pai do comandante, Ernesto Fernandes, faleceu em Santos. Para prestar as últimas homenagens ao pai, Marcio deixou a concentração do time goiano em São Paulo e cogitou não voltar.

A decisão de retornar à capital paulista e dirigir o Vila Nova na beira do gramado mostrou-se acertada logo que o árbitro apitou o fim do jogo, com vitória do Tigre por 2 a 1. A vitória, obviamente, foi dedicada ao pai, mas Marcio Fernandes ainda tem uma dívida com seu Ernesto, e pretende pagar o que deve na tarde deste sábado, no Serra Dourada, com o título da Série C sobre o Londrina.

Depois de perder o primeiro jogo da decisão no Paraná por 1 a 0, o Vila tem a dura missão de reverter o resultado e soltar o entalado grito de 'é campeão!'. Com o Serra Dourada lotado depois de seguidos rebaixamentos nas últimas temporadas, Marcio Fernandes pretende retribuir o carinho que os fanáticos pelo Vila prestaram a ele no Canindé, quando o saudaram pela classificação.

- Em um momento desses, você sente um vazio, então aquele calor e eles gritando meu nome preencheu um pouco aquele espaço que estava vago dentro de mim. Não ia trazer de volta o meu pai, mas foi um reconhecimento pelo trabalho, e em muito do meu trabalho ele esteve sempre ali. Ele me ajudou de algum lugar que eu não sei - disse o comandante do Vila, ao LANCE!.


Deste mesmo lugar, seu Ernesto certamente deseja boas vibrações ao filho para a grande decisão. De pai para filho, de Ernesto para Marcio, este último aprendeu a nunca desistir dos objetivos. Foi através da luta de seu pai que Marcio Fernandes superou as dificuldades e tornou-se jogador e, depois, treinador.

- É difícil falar, mas o que mais penso é no tanto que meu pai lutou para que eu pudesse ser jogador e depois treinador. Então certamente ele queria ver conquistas, títulos, me ver feliz. Ele sempre foi meu alicerce, meu tudo. Tenho certeza de que ele já está muito feliz pelo acesso, mas queremos ainda o título - destacou o comandante.

Para completar a missão, o time do Vila tem de enfrentar seu principal inimigo antes do apito inicial: a ansiedade. De acordo com o chefe, o frio na barriga não é exclusivo de quem entra em campo, mas também de quem está à beira do gramado roendo as unhas contra (ou a favor) o passar do tempo.

- É de todo mundo que está envolvido no processo. É normal, mas claro que quando eu jogava tinha a ansiedade e depois de 15 minutos ficava tranquilo, mas como treinador é até pior, você não pode fazer nada - lembrou.

Lado a lado desde a conquista do Campeonato Goiano deste ano, a torcida do Vila e seu treinador já têm diversos motivos a comemorar. Mas o título virou questão de honra. Presentear seu Ernesto virou obrigação.