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21/08/2015
19:43

Feliz e bem-aventurado o técnico que tem ao menos uma temporada inteira para trabalhar no futebol brasileiro. Dele é o reino do céu!  A bíblia do ludopédio, caso existisse, teria esse versículo em destaque. Ficamos pasmos quando um treinador rompe essa barreira. Todo ano é a mesma coisa, as demissões vão se sucedendo com o passar do Brasileirão e surgem as listas com os professores-sertanejos, uns fortes, aqueles que resistem no cargo. E quando o ranking aponta que um deles segue no comando desde o ano anterior o fato vira motivo de brinde. Tintim! 

Neste fim de semana começa o segundo turno do Brasileirão e 15 técnicos já foram ejetados dos clubes. A cultura de demissão após dois ou três resultados negativos produz um vazio enorme de ideias. Não conseguimos ter uma amostragem razoável de bons trabalhos para discutir verdadeiramente os caminhos do futebol local. Pouco sabemos da capacidade de reação de um desses profissionais aos períodos de dificuldades. Rotula-se de fracassada uma passagem de poucos meses, um adjetivo inapropriado para tempo tão exíguo. Tomando como exemplo os últimos cinco anos, serão citados Marcelo Oliveira, no Cruzeiro, e Tite, no Corinthians como casos raros de sobrevida longa. E aí comete-se uma bárbara comparação deles com outros que não tiveram a mesma oportunidade. 

                                    Cristovão foi o 15º técnico demitido neste Brasileirão (FOTO: Wagner Meier/LANCE!Press) 

Os dirigentes acostumaram-se a ter na troca de técnicos uma resposta imediata para a pressão de torcedores, conselheiros e cornetas outros. Com a demissão, têm um alívio, ganham tempo para segurar a barra por umas semanas, até que novo momento ruim exigirá a mesma solução simplista. É um circulo vicioso sem fim. As contratações equivocadas, a falta de investimento na base, as crises políticas e outros componentes ficarão como elementos adicionais, sem o protagonismo que deveriam ter na maioria das vezes. O técnico expia as culpas todas. 

Curioso que muitos dos que exaltam o equilíbrio do futebol brasileiro lideram também as gritas por substituições no banco de reservas. É um contrassenso. Se há esse equilíbrio, oscilar é quase inevitável. A oscilação, então, não deveria pautar as decisões dos cartolas. É um sistema que emburrece, limitador de aprofundamentos. 

Como em qualquer profissão, treinadores acertam e erram. Criticar os erros é do jogo e necessário. Nociva é a banalização da transformação do erro em razão para mandar embora. Um comportamento que deixa o futebol nacional cego. Dificulta a avaliação do que é um bom e um mau desempenho dentro de uma margem mínima de jogos.  É um ação estritamente emocional, que atende a anseios que ignora existirem adversários do outro lado e gera uma ciranda ensandecida. Um técnico que não serve para um serve para outro, que demitiu um que serviu para o primeiro. A mudança de cultura só será possível com cartolas que queiram afrontá-la, que coloquem convicções acima de receios e passionalidades. 

Feliz e bem-aventurado o técnico que tem ao menos uma temporada inteira para trabalhar no futebol brasileiro. Dele é o reino do céu!  A bíblia do ludopédio, caso existisse, teria esse versículo em destaque. Ficamos pasmos quando um treinador rompe essa barreira. Todo ano é a mesma coisa, as demissões vão se sucedendo com o passar do Brasileirão e surgem as listas com os professores-sertanejos, uns fortes, aqueles que resistem no cargo. E quando o ranking aponta que um deles segue no comando desde o ano anterior o fato vira motivo de brinde. Tintim! 

Neste fim de semana começa o segundo turno do Brasileirão e 15 técnicos já foram ejetados dos clubes. A cultura de demissão após dois ou três resultados negativos produz um vazio enorme de ideias. Não conseguimos ter uma amostragem razoável de bons trabalhos para discutir verdadeiramente os caminhos do futebol local. Pouco sabemos da capacidade de reação de um desses profissionais aos períodos de dificuldades. Rotula-se de fracassada uma passagem de poucos meses, um adjetivo inapropriado para tempo tão exíguo. Tomando como exemplo os últimos cinco anos, serão citados Marcelo Oliveira, no Cruzeiro, e Tite, no Corinthians como casos raros de sobrevida longa. E aí comete-se uma bárbara comparação deles com outros que não tiveram a mesma oportunidade. 

                                    Cristovão foi o 15º técnico demitido neste Brasileirão (FOTO: Wagner Meier/LANCE!Press) 

Os dirigentes acostumaram-se a ter na troca de técnicos uma resposta imediata para a pressão de torcedores, conselheiros e cornetas outros. Com a demissão, têm um alívio, ganham tempo para segurar a barra por umas semanas, até que novo momento ruim exigirá a mesma solução simplista. É um circulo vicioso sem fim. As contratações equivocadas, a falta de investimento na base, as crises políticas e outros componentes ficarão como elementos adicionais, sem o protagonismo que deveriam ter na maioria das vezes. O técnico expia as culpas todas. 

Curioso que muitos dos que exaltam o equilíbrio do futebol brasileiro lideram também as gritas por substituições no banco de reservas. É um contrassenso. Se há esse equilíbrio, oscilar é quase inevitável. A oscilação, então, não deveria pautar as decisões dos cartolas. É um sistema que emburrece, limitador de aprofundamentos. 

Como em qualquer profissão, treinadores acertam e erram. Criticar os erros é do jogo e necessário. Nociva é a banalização da transformação do erro em razão para mandar embora. Um comportamento que deixa o futebol nacional cego. Dificulta a avaliação do que é um bom e um mau desempenho dentro de uma margem mínima de jogos.  É um ação estritamente emocional, que atende a anseios que ignora existirem adversários do outro lado e gera uma ciranda ensandecida. Um técnico que não serve para um serve para outro, que demitiu um que serviu para o primeiro. A mudança de cultura só será possível com cartolas que queiram afrontá-la, que coloquem convicções acima de receios e passionalidades.