Marquinhos Gabriel está insatisfeito no Al Nassr (Foto: Divulgação)

Marquinhos Gabriel está insatisfeito no Al Nassr (Foto: Divulgação)

Bruno Cassucci e Russel Dias
16/04/2016
07:35
São Paulo (SP)

Marquinhos Gabriel deve assinar na próxima segunda-feira um contrato de quatro anos com o Corinthians. Mas até a última quinta-feira o meia-atacante sempre esteve muito mais próximo de outro alvinegro paulista, o Santos, que chegou até a oferecer mais ao atleta e ao Al Nassr, da Arábia Saudita, mas acabou sendo superado pelo rival.

A reviravolta só ocorreu devido ao oportunismo e agilidade da diretoria corintiana, mas também a uma série de atitudes dos santistas que incomodaram os árabes e o estafe do jogador. O principal dos motivos foi a demora do Peixe na negociação e a participação de diversos empresários tentando intermediar o retorno de Marquinhos à Vila Belmiro.

Tudo começou no fim do ano passado, quando o Peixe designou o agente Caio Ziller, sócio de Augusto Castro, empresário de Ricardo Oliveira, para viajar até o Oriente Médio e negociar com o Al Nassr. Os representantes de Marquinhos Gabriel não desejavam que outra pessoa participasse das tratativas, até porque isso geraria custos extras com comissão. Em vez de pagar a "atravessadores", o Santos poderia subir a oferta a Marquinhos e ao clube árabe na visão deles.

Sem sucesso entre dezembro de 2015 e janeiro deste ano, o Santos recorreu a Luiz Taveira, agente de ótimo trânsito na Vila Belmiro, segundo pessoas envolvidas na negociação. Novamente a entrada de um terceiro na operação incomodou Marquinhos Gabriel. A gota d'água veio na última semana, quando um outro empresário se apresentou como representante do Peixe na tentativa de repatriar o atleta.

Em meio a isso, o Corinthians formulou uma proposta de pagamento à vista, como desejava o Al Nassr, que tem dificuldades para pagar salários. Enquanto o Santos pagaria cerca de 3,1 milhões de euros aos árabes (aproximadamente R$ 12,3 milhões), o Timão vai pagar menos, mas terá de deixar uma parte dos direitos econômicos de Marquinhos com o ex-clube. A expectativa é de que o Alvinegro de Parque São Jorge fique com 60% dos direitos econômicos do atleta.

Vale destacar, entretanto, que não foi só o Peixe que recorreu a intermediários. Em dezembro, o empresário Giuliano Bertolucci tentou participar das tratativas entre Corinthians e Al Nassr, mas não teve êxito. Agora, contudo, as conversas foram diretamente entre a diretoria do Timão, o clube árabe e o estafe do jogador, fato determinante para o martelo ter sido batido.

Disposto a jogar a Copa Libertadores e confiando que pode render mais sob o comando do técnico Tite, Marquinhos Gabriel aceitou um salário menor no Corinthians. Assim, ele abriu mão não só de dinheiro, mas também do desejo de reencontrar no Santos amigos e o treinador Dorival Júnior, com quem mantinha conversas.

Em contato com a reportagem, o empresário Luiz Taveira negou ter participado da negociação entre Santos e Marquinhos Gabriel.

- O Marquinhos Gabriel preferiu jogar no Corinthians por vontade própria. Eu nunca estive envolvido em nenhum tipo de negócio envolvendo o atleta - afirmou.

Procurado, o presidente do Santos, Modesto Roma Júnior, afirmou que o clube não precisou dos empresários Luiz Taveira e Caio Ziller, e que tratou do assunto diretamente com a Traffic, empresa que também representa Marquinhos Gabriel.