HOME - Sport x Santa Cruz - Campeonato Pernambucano - Tulio de Melo (Foto: Aldo Carneiro/LANCE!Press)

Tulio de Melo comemora o gol da vitória do Sport sobre o Santa Cruz  (Foto: Aldo Carneiro/LANCE!Press)

Alexandre Guariglia
23/02/2016
10:25
São Paulo (SP)

Sport e Santa Cruz fazem um dos clássicos de maior rivalidade do país. No último domingo, na Ilha do Retiro, a história não foi diferente. O gol de Tulio de Melo, que sacramentou a vitória de virada do time da casa por 2 a 1, deu à torcida rubro-negra um novo herói para saudar.

O centroavante que passou mais de dez anos na Europa, atuou na Chapecoense no Brasileirão de 2015 e chegou ao Sport no começo deste ano, mas seus números fazem parecer que já está há mais tempo em Recife. Foram quatro gols em seis jogos na temporada, incluindo o do clássico, mas nem ele mesmo esperava esse desempenho:

- Não tinha essa expectativa de marcar tantos gols em poucas partidas, meu pensamento sempre é jogo a jogo, cada jogo eu me cobro muito para ser útil pra equipe e nada mais útil do que fazer gols, então eu procuro me focar assim. Claro que eu tenho uma meta de gols, mas não fico me cobrando, pensando nessa meta todos os dias, meu pensamento diário é sempre no próximo jogo, tento me concentrar o máximo nisso - salientou.

A semana que antecedeu o clássico foi providencial para Tulio sentir a responsabilidade de disputar uma partida como essa:

- Eles (torcedores) são bem fanáticos, levam muito a sério essa história de rivalidade. Antes do clássico o que a gente escutava era que podia perder o campeonato, mas não podia perder para o Santa Cruz - comentou.

Sereno ao relatar o dia após seu feito e ter sentido o que é um clássico em Pernambuco, o jogador expressou o significado de ter balançado a rede de forma tão decisiva:

- Fazer gol em clássico é muito bom, o gol da virada, então... Com certeza tem um sabor especial e isso permitiu que a torcida do Sport extravasasse completamente. Começamos perdendo dentro de casa, contra o principal rival e conseguimos a virada, aí você pode imaginar a festa que foi.

Apesar da vitória contra o Santa e do bom retrospecto neste início de ano, Tulio acredita que o Sport ainda não mostrou tudo o que pode e crê em uma boa margem de crescimento para os próximos jogos:

- As condições de trabalho são ótimas, fizemos uma boa pré-temporada, nos primeiros jogos demoramos para engrenar, creio que ainda não estamos no nosso patamar máximo, creio que temos uma boa margem para crescer - analisou.

Em conversa exclusiva com o LANCE, Tulio de Melo ainda aproveitou para falar do trabalho com o técnico Paulo Roberto Falcão e lamentar as consequências do apertado calendário do futebol brasileiro. Confira um bate-bola com o camisa 99 do Sport:

1 - Como tem sido trabalhar com o Falcão?
Como atleta, dispensa qualquer comentário, tem nossa total admiração, como treinador tem implementado a maneira dele de trabalhar, ou melhor, o que pode, né? Porque a gente não tem tempo para treinar, não tem tempo de estar no campo fazendo muito treinamento tático, não tem condições. Ele está tentando passar para a gente tudo isso. Muitas vezes mais falando e na teoria, porque na prática a gente não tem tanto tempo.

2 - É possível se preparar para uma temporada tão apertada e com tantos jogos?
Não tem como se preparar para isso, a preparação é descanso e eu posso falar com propriedade agora, não se treina, time que joga não tem tempo de treinar, nem condições de treinar. Time joga, descansa, faz uma prevenção e joga de novo. É muito pouco tempo para treinar, muitas tentativas são feitas já no jogo, não tem como, não tem tempo. Todo momento você está viajando, voltando de viagem, descansando de uma partida.

3 - Por que são tão poucas as vozes no futebol que comentam sobre isso com tanta veemência?
Sei lá, acho que é meio cultural isso no Brasil, é só comparar com a situação política, todo mundo sabe o que acontece, sabe que é errado, mas acaba se omitindo e se cansando, consequentemente aceitando o que já está prescrito, sem manifestar insatisfação. Antes eu estava lá fora e escutava o pessoal aqui no Brasil tentando mudar o calendário, se adaptar mais ao calendário europeu, até por conta das transferências, mas estão fazendo o contrário, no lugar de diminuir, estão aumentando. Remando contra a maré.