Briga generalizada entre torcidas de Atlético-PR e Vasco (Foto: Felipe Gabriel/ LANCE!Press)

Sociólogo espera que promessas de combate à violência saiam do papel (Foto: Felipe Gabriel/ LANCE!Press)

Mauricio Murad
11/05/2016
17:18
Rio de Janeiro (RJ)

Ao ler a notícia sobre a divulgação do guia de segurança em estádios, a impressão que dá é a de uma ida ao cinema, para ver um filme necessário e há muito esperado. Compramos a entrada, a pipoca e o refrigerante, bastante animados com a novidade. O filme começa, e na verdade o que assistimos é a um trailer e, pelo trailer, a sensação é de que já vimos esse filme antes.

Faz alguns anos que as autoridades brasileiras prometem, anunciam, divulgam planos de segurança no futebol, e depois nada acontece, antes de uma nova promessa, um novo anúncio, uma nova divulgação. E a violência entre grupos de marginais infiltrados nas torcidas organizadas segue o seu caminho de vandalismo, devastação e mortes. Em 2016, até agora, já são seis as mortes comprovadas, por causa de rixas violentas entre esses delinquentes; de 2010 pra cá são 115 óbitos.

Para falarmos apenas dos últimos dez anos, dessas promessas não realizadas, foi assim na época do Pan 2007, no Rio de Janeiro, na Copa das Confederações, em 2013, após as cenas de horror entre torcedores do Vasco e do Atlético-PR, na Arena Joinville, em dezembro de 2013, na Copa do Mundo de 2014 e agora nos Jogos Olímpicos de 2016, além das barbáries recentes, em São Paulo e em Alagoas. Promessas e promessas que caem no esquecimento. Até quando?

Agora, ao apagar da luzes do governo e em consequência do Ministro dos Esportes, ficamos sabendo que desde 2010 um plano vinha sendo gestado, por dezenas de pessoas – policiais, especialistas, torcedores. A ver.

O trailer divulgado aponta para coisas boas, como a classificação dos jogos, segundo a sua “periculosidade”, a distribuição das atribuições das diversas forças de segurança pública, a determinação de procedimentos específicos, envolvendo as torcidas organizadas e a utilização dos Centros Integrados de Comando e Controle, como legado da Copa do Mundo. Informa também que o documento completo tem 60 páginas, mas este não está disponível, nem no site do Ministério. Então, como saber exatamente, se já vimos ou não esse filme? Dá a sensação que sim, mas vamos ver. A conferir.

*Mauricio Murad, sociólogo do Universo da Universo, é membro da Academia LANCE! e autor do livro "Para Entender a Violência no Futebol".