Edinho

Edinho é apresentado como técnico do Água Santa para a Copa Paulista deste ano (Foto: Divulgação)

Alex Sabino -
16/07/2016
08:00
São Paulo (SP)

A vida nunca correu da maneira normal para Edson Cholby do Nascimento, 45 anos. Tornou-se goleiro de um clube grande do Brasil sem nunca ter passado pelas categorias de base. Até entrar na vida adulta, jamais havia sequer passado pela cabeça estar envolvido com o futebol. Gastou a infância jogando beisebol, basquete, futebol americano e hóquei no gelo.

– Hoje em dia, futebol é tudo o que eu sei. É o que amo fazer e está no meu sangue – confessa Edinho, filho de Pelé, em entrevista ao LANCE! ontem.
Hoje, às 15 horas, em Diadema, ele estreia como técnico do Água Santa, time que neste ano disputou a Série A-1 do Estadual em São Paulo. O adversário será o São José, pela Copa Paulista.

Foi há dois meses que ele ligou ao pai, aquele que para todos os outros é simplesmente “o rei”. Tinha uma novidade a contar. Havia sido convidado para comandar o clube da região do ABC.

– Ele estava no exterior, mas ficou feliz porque consegui o emprego. Agora o Água tem um torcedor ilustre – garante.

Edinho tinha 24 anos quando foi indicado pelo pai para ser goleiro do Santos. Nunca havia jogado para valer. No ano seguinte, como titular, foi vice-campeão brasileiro. Pendurou as chuteiras em 1999. Nos anos seguintes, se tornou notícia por problemas na Justiça.

Foi preso por associação ao tráfico e lavagem de dinheiro. Seus advogados apelaram da sentença de 33 anos de cadeia.

– Eu não gosto de falar que (ser técnico do Água Santa) é recomeço. Não é. É uma continuação da minha carreira, inclusive diante dos problemas com a Justiça. Foram coisas que aconteceram há muitos anos. Infelizmente, há a morosidade da Justiça – lamenta.

Edinho nunca foi, quando jogador, fã de usar a fama de Pelé como muleta para explicar qualquer coisa. Hoje não é diferente. Ser técnico virou uma válvula de escape. Durante oito anos, fez parte da comissão técnica do Santos. Observou. Ele mesmo cita ter aprendido com Vanderlei Luxemburgo, Emerson Leão. Vágner Mancini, Dorival Júnior e Oswaldo de Oliveira.

– Estar no Santos foi a minha formação, o meu estágio. É como se eu tivesse feito dois cursos universitários de quatro anos cada na minha área. Adquiri o conhecimento necessário para chegar onde estou hoje na carreira – garante.

A imagem da Vila Belmiro e por ter trabalhado no clube no período da geração de Neymar e Ganso lhe garantiram o convite para ser técnico do Água Santa. Segundo o presidente, Edinho conhece por dentro a estrutura do time que ficou famoso pela formação de atletas.

– Ele teve participação na formação do jovem elenco do Santos. Nós queremos implantar isso. A gente quer apostar em uma equipe mais nova, formada por garotos – explica Paulo Sirqueira.

É um projeto a longo prazo tanto quanto seja possível pensar nisso no futebol brasileiro. Edinho passou pelo Mogi Mirim, onde ficou por apenas quatro jogos. Nem considera ter sido seu primeiro emprego como técnico. Foi muito pouco tempo.

– Nem todo mundo recebe a chance de fazer o que gosta. Estou muito orgulhoso por ter conseguido isso. Eu acredito que sei ver o jogo, é uma coisa natural. Não é oportunismo. Ser técnico é uma escolha de vida – garante Edinho, quase confessando ser mesmo um recomeço.


BATE-BOLA com EDINHO, técnico do Água Santa

Qual sua filosofia de jogo? Como é o Edinho como técnico?
O aspecto coletivo é prioritário. O talento individual tem de servir a um propósito dentro de campo. Eu não declaro nenhum estilo preferido porque depende das peças que você tem na mão. Não adianta cismar com um esquema tático se não há jogadores com característica para isso.

Como surgiu essa ideia de ser técnico profissional?
Uma das coisas que ficam na cabeça de quem foi atleta é dar continuidade na área. Nem todos têm aptidão para a coisa. Eu sempre tive facilidade para enxergar as coisas. Como goleiro, eu tinha função de organizar as equipes dentro de campo, ser um verdadeiro auxiliar do treinador.

Por que você não considera um recomeço esta chance?
Porque é uma sequência. Recomeço foi há dez anos, quando eu cheguei para ser auxiliar do Litoral (clube que havia sido fundado por Pelé). Hoje posso dizer que é uma sequência. O problema é que na minha área de treinador a instabilidade é grande.