Thiago Galhardo, meia do Red Bull, comemora primeiro gol no Campeonato Paulista 2016 (Foto: Reprodução/Facebook)

Thiago Galhardo, meia do Red Bull, comemora primeiro gol no Campeonato Paulista 2016 (Foto: Reprodução/Facebook)

Melissa Gargalis   
20/02/2016
12:04
São Paulo (SP)

26 anos e muita história para contar. O meia do Red Bull Brasil, Thiago Galhardo, selecionado para a Seleção do Paulista pelo Blog Números da Bola, do LANCE!, após a quarta rodada da competição estadual, é quase um mineiro. Nascido no Rio de Janeiro, mas criado em Minas Gerais, o camisa 10 do Touro Loko teve uma infância bastante aproveitada na pequena cidade de São João del-Rei. Quando criança, mesmo que lhe rendesse voltar para casa com o “tampão” do dedo e com o joelho ralados, brincar de bola na rua era a grande alegria do garoto que sonhava em se tornar jogador de futebol.

Aos 20 anos, surgiu a primeira oportunidade. No Bangu pôde iniciar sua trajetória como atleta profissional, no entanto, o retorno para o Rio não foi fácil. Sozinho, morando na concentração do alvirrubro, dividindo o mesmo ambiente com oito atletas, o jogador se deparou com as primeiras dificuldades da vida de quem busca alcançar um espaço no futebol brasileiro. Porém, a insistência, o apoio da mãe e a vontade de realizar o sonho foram maiores e, em 2012, após ter passado pelo Botafogo, Thiago Galhardo retornou ao time de Moça Bonita para realizar mais um grande sonho: jogar profissionalmente ao lado de seu irmão mais novo.

- Quando a gente ia para o treino juntos, eu com 21 ele com 17, na época, era uma coisa que eu não sei explicar, era de família, um sonho que eu estava vivendo acordado. No meu quarto jogo, depois que eu voltei, contra o Flamengo (na sexta rodada do Campeonato Carioca de 2012, válido pelo returno), jogamos pela primeira vez juntos. Jogar com ele foi uma emoção muito grande. No jogo seguinte, o Gabriel virou titular – contou, em entrevista ao LANCE!, por telefone.

Na ocasião, temporada 2012/13, os irmãos Thiago e Gabriel Galhardo, ainda conseguiram fazer história, ajudando a salvar a equipe alvirrubra do rebaixamento e classificando o time para às semifinais do Carioca, após dez anos.

- A gente conseguiu livrar o Bangu do rebaixamento, levar a uma semifinal depois de dez anos. Eu espero poder voltar a jogar com ele profissionalmente de novo num grande clube. Quem sabe, disputar a Série A do Campeonato Brasileiro, numa Sul-Americana, numa Libertadores, enfim, foi um sonho que eu vivi acordado – revelou o jogador, que como bom irmão mais velho, quer ser um espelho para o caçula.

"Hoje me vejo como um espelho para ele. Quero fazer tudo da melhor maneira possível para que ele possa me seguir, acho que tenho conseguido fazer assim"

Hoje, no São José, Gabriel disputa a Série A3, do Campeonato Paulista. Entre os irmãos, Thiago garante que não há rivalidade. Perguntado sobre quem é melhor, o jogador não pensa duas vezes.

- No futebol, o melhor da família é meu pai. Todo mundo fala que eu dei sorte na vida, meu irmão é muito melhor, mas ele ainda não conseguiu a ascensão profissional, ai eu brinco que Deus dá a estrela para cada um. Mas é difícil falar, são posições diferentes, ele é volante e eu sou meia, então são características diferentes, mas pode-se dizer que ele é mais completo do que eu. Sendo melhor ou não, isso não é problema, não nos preocupamos, temos a brincadeira que se jogássemos 50% do que meu pai joga, seriamos craque – brincou.

Ao contrário do irmão, Thiago optou por seguir os passos do pai e tornou-se diferenciado no meio de campo. Jogando nesta posição, ainda pôde defender muitas equipes do Brasil antes de chegar ao Red Bull. O jogador ainda somou passagens por clubes como Botafogo-RJ, Comercial-SP, América-RN, Remo, Boa Esporte, Brasiliense e Coritiba, além do próprio Bangu.

O camisa 10 teve também uma atuação de destaque no último Campeonato Carioca pelo Madureira, dando oito assistências para gol. No Coritiba, clube que Galhardo tem vínculo até julho de 2018, o meia marcou um gol e deu quatro assistências em 29 jogos disputados no Campeonato Brasileiro de 2015, mas, no final do ano, acabou sendo emprestado ao Red Bull.

- A minha chegada ao Coritiba, acho que foi positiva, só não foi mais positiva porque o time acabou brigando para não cair, então, de certa forma, tudo que você acaba fazendo não é visto com bons olhos. Você vai e joga bem, mas o time perde, acaba que você não está ajudando – explicou.

Perguntado sobre o relacionamento que mantém com o clube do Paraná, o jogador assegura que é bom, mas não tem certeza se voltará para o Coxa após o encerramento do Campeonato Paulista.

"Resolveram me emprestar, eu não tive nem o prazer de conhecer o Gilson Kleina, de saber se foi opção dele ou da diretoria"

- Não aconteceu nada, o diretor de futebol, Valdir Barbosa, ligou para o meu empresário e disse que montaram o elenco e meu nome estava livre. Eu poderia procurar um clube. Não sei, eles acharam, na concepção deles, que eu não servia. Eu joguei 29 jogos lá, no ano de 2015 e, talvez, esses 29 jogos não foram tão bons, ou da forma como eles queriam, eu não sei. Acabando o Paulista, a gente resolve, mas pelo que dá para entender, se o cara não me quis no começo do ano, provavelmente, não vai me querer também no meio – disse o jogador, garantindo que não há nenhum tipo de ressentimento com o Coritiba.

- Pelo contrário. Só tenho a agradecer. Ressentimento nenhum, se eu tiver que voltar para lá, vou voltar muito feliz, de cabeça erguida. Mas meu pensamento hoje é fazer com que o Red Bull consiga classificar,  alcançar alguns objetivos pessoais para que depois a gente negocie. Seja com o Coritiba, se eles quiserem que eu volte para lá, mas o meu pensamento agora é o Paulista. Depois que acabar isso aqui, eu vou pensar no que fazer e para onde ir - afirmou.

Após tantas idas e vindas, passagens por tantos clubes diferentes, além das histórias de vida, como poder se orgulhar de ter conquistado uma vaga no concorrido concurso da Petrobras, em 2008, o jogador fala sobre as lições que carrega consigo até hoje.

- Eu acho que com o tempo ganhamos uma coisa que quando somos mais novos, não acreditamos muito, que é a maturidade. Amadureci muito de 2011 para cá. Aprendi com a vida, que é uma outra coisa que todo mundo diz, que ou você aprende no amor, ou na dor. Eu acabei aprendendo na dor, você tem que passar por algumas coisas, sentir na pele e eu passei, aprendi com meus erros. Passei por tudo muito novo, tive tempo para errar, para aprender e para consertar, então muitos ainda julgam aquela imagem minha de 2011, 12 e 13, mas não olham o que eu venho fazendo desde 2015 - disse o jogador, ressaltando ainda a decisão de mudar.

- Hoje eu sou um cara muito maduro, as coisas que eu fiz de errado eu levo como lição para não repeti-las e tento ser o mais correto possível. Não sou um jogador de chegar atrasado, não bebo, não sou de noitada, coisas que eu fazia antes, hoje eu não faço. Então, acho que o que eu posso resumir disso tudo é o amadurecimento, junto com a base familiar que eu tive, eu quis mudar, e eu mudei – finalizou.

Pela quinta rodada do Paulista, o Red Bull Brasil, quarto colocado na competição, busca voltar a encontrar o caminho das vitórias neste sábado, às 19h, diante do XV de Piracicaba, no Estádio Barradão da Serra Negra, em Piracicaba, interior de São Paulo.