Estadio Taquaritinga

Taquarão foi construído em tempo recorde, antes do Paulistão de 1983, para receber 30 mil pessoas (Reprodução)

Alex Sabino -
17/09/2016
08:30
São Paulo (SP)

Durante 30 anos, o estádio Adail Nunes da Silva teve o rótulo de maior orgulho de Taquaritinga, cidade a 307 km da capital . Com capacidade para 30 mil pessoas, foi erguido em três meses para que o Clube Atlético Taquaritinga, o CAT, tivesse casa para jogar na primeira divisão do futebol paulista em 1983. A construção mobilizou a população. Cidadãos comuns se apresentaram para ajudar. Um dos três coveiros do cemitério municipal pediu para ser liberado e auxiliar no canteiro de obras.

O marceneiro Bento Irineu Previdelli passou três dias e três noites trabalhando para que o estádio fosse entregue a tempo.

Ele hoje é presidente do CAT no momento em que o Taquarão passou de benção a maldição. Nos últimos três anos, o estádio, glória de Taquaritinga, fez com o que a equipe fosse excluída do Estadual da 4 divisão pela FPF (Federação Paulista).

– O local está abandonado. Um promotor determinou, em 2014, que a Prefeitura fizesse melhorias. Como não foram feitas, a lacração do estádio acabou sendo determinada – explica Previdelli ao LANCE!

Até agora, o município não reverteu a decisão. Conseguiu laudos do corpo de bombeiros e tentou a liberação para cinco mil pessoas, o mínimo estipulado pela FPF. Mas a entidade só vai incluir o CAT nos torneios quando o fechamento for revogado.

– Em 2014, estávamos classificados. Tivemos de abandonar a competição porque a Federação não permite que joguemos em outra cidade – completa o presidente.

Em fevereiro deste ano, a FPF incluiu o Taquaritinga na tabela da quarta divisão. A diretoria do clube havia apresentado laudos e prometera que o fechamento seria revertido. Quando isso não aconteceu, o time foi excluído. Previdelli, 75 anos, teve de ser levado para o hospital por causa de crise de estresse. Ele havia montado equipe para disputar o torneio. Liberou todos os atletas, inclusive oito que eram consideradas revelações da cidade.

Quando o fechamento completou dois anos, a torcida do CAT fez churrascada em frente ao estádio para, ironicamente, “comemorar“ o aniversário. Fotos foram postadas no Facebook para mostrar o abandono em que o estádio estava.

A Prefeitura prestou queixa de roubo no Taquarão em 2015. O prejuízo foi de R$ 350 mil. Cabos, fiação elétrica e bateria de gerador sumiram. Chuveiros, canos, disjuntores, fusíveis e chave de controle de eletricidade foram danificados. A Prefeitura não tinha R$ 70 mil necessários para reparos emergenciais.

– Aliados do prefeito disseram que o prejuízo com o roubo foi de R$ 650 mil. Virou piada na cidade. Depois, caiu para R$ 350 mil – afirma o diretor Eduardo Moutinho.

Bons tempos

Com o Taquarão recém-construído, o CAT realizou boa campanha no Paulista de 1983. Ganhou do Corinthians em casa, empatou com o Santos na Vila Belmiro e quase se classificou para a 2 fase. No ano seguinte, foi rebaixado. Subiu de novo em 1993 e caiu em 1994. Nunca mais voltou.

"Em 2014, estávamos classificados. Tivemos de abandonar a competição porque a Federação não permite que joguemos em outra cidade


O Taquarão e, por consequência, o clube, estão no meio de rixa política. Moutinho é um dos líderes da oposição ao prefeito Fulvio Zuppani (PPS). Dirigentes acusam a Prefeitura de má vontade com o CAT.

– O clube tem sido prejudicado. Retiraram o espaço no estádio que servia de república para os jogadores, tiraram as placas de publicidade… – se queixa o presidente.

Edmílson, ex-Palmeiras e São Paulo, campeão mundial em 2002, tem fundação na cidade e conseguiu a doação de 550 assentos, 23 vasos sanitários e seis pias duplas retiradas do Engenhão para a reforma antes dos Jogos Olímpicos.

– Vou sair. Cansei de dar murro em ponta de faca – diz Previdelli.

Os oito candidatos a prefeito de Taquaritinga prometeram, se eleitos, liberar o Taquarão para o Paulista de 2017. Inclusive Zuppani, que tenta a reeleição.

O arbitral da Quarta Divisão da próxima temporada deve acontecer em fevereiro. Se nada for feito, pelo quarto ano seguido, o estádio construído para salvar o Taquaritinga, será sua maldição.

Desde a semana passada, por e-mail e telefone, o LANCE! tentou ouvir o prefeito Fulvio Zuppani ou representante da Prefeitura de Taquaritinga sobre a situação do estádio. Não conseguiu.