Flamengo x Corinthians - Briga

Briga entre corintianos e policiais no Maracanã  (Foto: Reginaldo Pimenta/Raw Image/Lancepress!)

Luiz Fernando Gomes
18/12/2016
08:30
São Paulo (SP)

A questão é uma só: até quando as autoridades de segurança pública, o Ministério Público e a cartolagem, especialmente em São Paulo, mas em todo o país, vão continuar fingindo – e a palavra é essa mesmo, por mais infantil que possa parecer - que estão atuando de verdade para resolver o problema da violência em torno do futebol brasileiro?

Vamos por partes.

Em primeiro lugar, é preciso começar a discutir o assunto do lugar certo. Nem isso se tem conseguido. Parte-se do princípio de que o futebol é causa da violência. Óbvio que não é. O futebol, na verdade, é o maior prejudicado pela violência. Pois é o futebol que sofre quando os pais deixam de ir e de levar os filhos aos estádios, quando mandos de campo são alterados, quando jogos são realizados com portões fechados, quando o torcedor não pode andar na rua com a camisa do seu time.

Basta, portanto, de punir o futebol.

Já estamos fartos de medidas esdrúxulas como proibir bandeiras nas arquibancadas – como se isso evitasse algum tipo de agressão. Quantas vezes mais vão cassar registros de torcidas organizadas, impedi-las de entrar nos estádios como se os criminosos infiltrados nessas organizações precisassem de CNPJ ou alvará de funcionamento para cometer suas atrocidades?

É no meio de tudo isso, que veio essa semana a decisão de manter em 2017 a realização dos clássicos do Paulistão com torcida única do mandante. Este sim, talvez o mais grave atentado contra o futebol. Algo que fere no peito um dos pilares que desde os tempos de Charles Miller sustenta a paixão do brasileiro pelo jogo: a rivalidade das arquibancadas, as provocações, os gritos de guerra, a sensação única de comemorar um gol diante do silêncio de um dos lados do estádio. Pode parecer saudosismo, ingenuidade. Mas é esse o futebol que moldou gerações de torcedores. E que agora vamos privar nossos filhos de assistir.

A quem interessa e a quem beneficia uma medida como essa? A ninguém. Ou melhor, somente a quem é responsável pela proteção da sociedade e que esconde dessa forma sua incompetência de lidar com situações de risco e, principalmente, em cumprir com sua obrigação constitucional de garantir a segurança e a integridade do cidadão, onde quer que ele esteja. Nada mais nada menos do que aquela historinha do pai que perdeu a autoridade de impedir a filha de namorar e “resolveu” o problema tirando o sofá da sala. É ridículo, seria cômico, não fosse sério demais.

Não é possível que se continue a tratar as brigas, os feridos e os mortos no metrô, nas estradas, nas ruas e até mesmo dentro das arenas como um problema do futebol. Nada disso tem a ver com futebol. Isso é crime, seus autores são criminosos. Exatamente como no tráfico de drogas, nas disputas pelos pontos de jogo do bicho, nos confrontos de gangues de funkeiros ou na ação de milicianos nas comunidades carentes.

Proibir bandeiras, punir torcidas e, por fim, impedir o torcedor de ver seu time jogar na casa do adversário são paliativos, é enxugar gelo. Ações só terão efeitos quando se der nome e prender os bois. Individualmente e não mirando no coletivo. Qualquer um que vai a um estádio é capaz de apontar quem é quem na arquibancada. Identificar um por um os bandidos. Por que só quem tem que fazer – a polícia - não o faz?

Os criminosos, os vândalos de Oruro – que parte da mídia buscou transformar em vítimas como agora se tenta fazer com os corintianos presos no Rio – são um bom (ou mau) exemplo: até hoje estão por aí, confusão após confusão tem um com a carinha exposta em fotos e vídeos, distribuindo socos, pontapés e, sabe-se lá, até balas. São estes, como tantos outros da mesma laia, que precisam ser punidos. Não os clubes. Não os torcedores. Não as chamadas organizadas que, uma vez livres desse câncer, quem sabe não poderão recuperar o espírito de antigamente. De torcer, torcer e torcer.