Carlos Alberto Torres (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Carlos Alberto Torres (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Igor Siqueira
25/10/2016
14:01
Rio de Janeiro (RJ)

Nunca joguei em time algum. E nem vi Carlos Alberto Torres jogar. Estou longe de ser figura popular no jornalismo esportivo. Mas a profissão e a vida te dão certos privilégios que você só percebe quando os perde. Ter contato com o Capita foi um deles.

Sempre disposto a compartilhar a experiência que acumulou ao longo da carreira vitoriosa pela Seleção Brasileira e por grandes clubes do país, Carlos Alberto Torres fazia questão de comparecer às reuniões na CBF e também no Conselho Nacional do Esporte, duas atividades que conciliou até o fim da vida com o cargo de comentarista do SporTV.

Semana passada, inclusive, estava eu lá esperando mais uma reunião do Comitê de Reformas acabar para falar com algum dos membros. E um dos primeiros que parou para conversar foi justamente ele. Carlos Alberto Torres. Com a atenção de sempre a preocupação eterna de tentar ser ouvido para desenvolver o futebol nacional. Para completar, ainda chegou Ricardo Rocha, que dividiu espaço à mesa com Capita nos últimos tempos.

Por falar em mesa, lembro-me também, entre umas entrevistas e outras, de um jantar do qual participei em que o próprio Ricardo Rocha fez o Capita gargalhar muito de tantas piadas e causos que contou. Até hoje não entendi o que eu estava fazendo dividindo espaço com essas lendas.

Quando ele foi convidado ao Conselho Nacional do Esporte, por telefone ele não escondeu a honra. Mas na última reunião Capita não esteve. Abatido, ele me contou que estava resolvendo questões burocráticas após a morte do irmão. Deixei "meus pêsames". Ele "me pagou" com "um abraço".

Meu relato não é para me gabar por ter tido esses momentos simples e ao mesmo tempo épicos. Mas fico refletindo. Às vezes o cara fica do seu lado por tantas vezes que você se "esquece" o quão lendária é a figura. Carlos Alberto, pela sua simplicidade, permitia que isso acontecesse.

Como muita gente, estou atordoado com a notícia do falecimento daquele que ergueu a taça da conquista que mais orgulha o futebol brasileiro - a Copa do Mundo de 1970 -, porque nela exibimos o ápice do nosso futebol.

Agora, só nos restam as imagens, as lembranças e a felicidade por Carlos Alberto Torres ter nascido brasileiro.