Flamengo x Vasco

Contra o Vasco, Wallace esteve mais seguro. Porém, contra o Bota voltou a vacilar (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Aurino Leite
02/04/2016
23:09
Rio de Janeiro (RJ)

Já que ele gosta tanto de livros - admirável isso em um jogador de futebol -, começo a acreditar que Wallace recorreu a pesquisas no google para tentar ser um bom zagueiro. Lá tem vários tópicos para se "transformar" em um super, hiper, mega defensor: 1) Lembre-se de tentar prever se o jogador irá chutar ou tentar um drible - você precisa ser inteligente; 2) Nunca fique olhando a bola, esteja ciente de onde os atacantes estão e o que farão à sua volta, ou seja, fique alerta!; 3) Zagueiro que não dá o bote, é um cone em campo. Não serve pra nada; 4) Esteja preparado para usar o segundo pé. Por exemplo: Você está frente a frente a um oponente, e acha que ele irá correr para a esquerda. Porém, ao primeiro sinal de movimento, você usou seu pé para fechar a esquerda e ele passou pela direita; nesse momento, use o segundo pé".

Só isso mesmo para explicar a capacidade dele errar tanto num jogo, seja contra times pequenos, seja em clássicos, como neste sábado. Na teoria, o zagueiro manda bem, mas na prática e com a bola rolando, é justo a perseguição da torcida. Se o Botafogo apertasse mais, se explorasse as jogadas em cima do capitão do Flamengo, certamente, faria mais gols. Ainda mais porque até o goleiro Paulo Victor resolveu catar borboleta boa parte da partida.

É nítido que o elenco do Flamengo carece de um BOM zagueiro, pois, dentro do contexto de que Wallace é titular, os reservas dele, são piores ainda. Certo? Só acho que Muricy Ramalho poderia fazer o tal rodízio também no sistema defensivo e deixar o atual capitão uns 365 dias descansando...

Cadê o Centro de Inteligência e Mercado em Futebol, gerido pelo diretor de futebol Rodrigo Caetano e destacadamente enaltecido pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello, que não vê que o Rubro-Negro precisa de zagueiro? Até um recém-nascido consegue ter esse esclarecimento.

Vou abrir comentário também para Guerrero. Cabe ao treinador arrumar um jeito de o atacante ser melhor aproveitado em campo e até mesmo detectar essa má fase, pois, muitas vezes, a bola chega e ele não acerta o pé. Não está nada tranquilo, está tudo muito desfavorável. Contra o Vasco, poderia ter garantido a vitória. Contra o Botafogo, a mesma coisa.

Um jogador que embolsa o que ele ganha, não se pode dar ao luxo de ficar tanto tempo assim sem gols pelo time e muito menos não decidir a parada. Afinal, não tem aquele ditado de que "clássico é decidido em detalhes"? Então, Guerrero está em débito...

E no Botafogo? Renan Fonseca foi o "Wallace alvinegro". Olha que ano passado, era absoluto na zaga. Mas não há o que contestar o desempenho de Joel Carli. Por isso, o ex-titular tem que esquentar o banco mesmo. Sábio, neste caso, Ricardo Gomes que não precisou de muito para enxergar isso, enquanto pelo lado rubro-negro, Wallace continua intocável. Vai entender... Cabeça de técnico é mesmo igual a "kinder ovo", uma caixinha de surpresa.

*Aurino Leite é editor do LANCE!