Eduardo Mansell e Vinícius Perazzini
17/06/2016
07:05
Rio de Janeiro (RJ)


Nesta sexta-feira o Brasil relembra a morte de Bussunda. Humorista, escritor, artista, colunista do LANCE!, Cláudio Besserman Vianna teve a sua história de vida confundida com o Casseta & Planeta. Passados dez anos da perda do seu mais ilustre membro, o grupo ainda convive com boas lembranças e também com um forte sentimento de saudade. Fanático por futebol, pelo Flamengo e pela Seleção Brasileira, Bussunda se despediu da vida aos 43 anos em grande estilo, no meio da cobertura da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, por conta de problemas cardíacos, fato que gera uma ironia do destino na opinião de Cláudio Manoel, um de seus principais parceiros.

- O Bussunda tinha temperamento maravilhoso. O nosso grupo tinha os estressados e os zens. O Hélio de la Peña quem falava muito isso. Os estressados ficavam nervosos toda semana e os zens trabalhavam para que os estressados não morressem do coração. Por ironia do destino quis que um zen morresse justamente do coração - lembrou o "Carlos Maçaranduba", personagem estilo pitboy feito por Cláudio Manoel, que tinha como parceiro de quadro "Hudson Montanha", vivido por Bussunda.


O jeito zen, porém, perdia força para o lado fanático quando o assunto era o Flamengo. Uma paixão capaz de irritar os "rivais".
- Lembro que no fim da década de 80 e no início da década de 90 sempre que o Flamengo ganhava um título a gente vazia um show no dia seguinte. Parecia combinado. Aí o Bussunda entrava no palco com camisa, com faixa. Isso me irritava demais. Mas também ele sofreu comigo no dia 21 de junho de 1989. Eu faço aniversário dia 18 de junho e o Bussunda no dia 25. Aí combinamos de comemorar juntos o aniversário com uma festa no African Bar, de propriedade do Nelson Motta. Naquele dia o Botafogo quebrou o jejum de 21 anos sem títulos e justamente contra o Flamengo. Ali foi um presentão de aniversário, pois pude sacanear o mais ilustre flamenguista do Brasil - recordou rindo Helio de la Peña, que conheceu Bussunda na praia, inciando uma amizade que foi muito além do trabalho.

Beto Silva é outro que lembra da paixão do colega pelo Flamengo.

- Acho que a maior loucura do Bussunda era é ser flamenguista (risos). Eu sou tricolor. Mas ele realmente respirava futebol. Era uma loucura em alguns momentos. Lembro que quando ele fazia o Ronaldo ele ficava preocupado porque o jogador estava machucada. Encarnava mesmo o personagem. Depois foi o contrário né, o Ronaldo engordou e ficou parecido com o Bussunda - recordou Beto, se referindo ao Ronaldo Fofômeno, personagem que era uma sátira de Bussunda ao peso do artilheiro do penta.


Quem não se irritava com a paixão de Bussunda pelo Flamengo era Cláudio Manoel, tão apaixonado quanto o amigo pelo Rubro-Negro, ele relembrou algumas loucuras dos dois para apoiar o time de coração.
- Cara nós fizemos muitas loucuras, principalmente para acompanhar o Flamengo. Fundamos duas torcidas. A primeira foi a Fla geral, pois a gente queria ver todos os jogos e isso não cabia no orçamento. Depois fundamos a Fla diretas. Lembro da gente gritando que nem um louco depois da sapatada do Andrade que fez o Flamengo devolver a derrota de 6 a 0 para o Botafogo. Lembro da gente viajando com torcida organizada para ver um jogo contra o Corinthians e de repente pararam o ônibus e gritaram "a a a parada pra roubar" e saquearam uma parada de ônibus. Aí nunca mais fomos com organizadas (risos). A Copa do Mundo de 94 também foi marcante, pois ficamos 45 dias fora de casa - disse Cláudio Manoel.

A loucura pelo Flamengo se mistura com a saudade do amigo.

- Por muito tempo depois que perdemos o Bussunda, quando eu estava em casa vendo um jogo do Flamengo e acontecia algum lance muito bom ou até mesmo bizarro, me pegava com o telefone na mão me preparando para ligar para ele e comentar. Esse meu ato falho deixa nítido o vazio que ficou com a sua morte - disse o "Carlos Maçaranduba".


Nesta sexta-feira, como era tradição desde muito antes dos jovens humoristas fundarem o Casseta $ Planeta, os membros do grupo jogarão uma pelada que terá como foco uma homenagem ao imortal Bussunda, que nos deixou aos 43 anos.
- O Bussunda era uma pessoa ampla em todos os sentidos. Tinha um coração enorme. Foi meu padrinho de casamento, moramos juntos. A primeira imagem que tenho dele é igual à última, ou seja, chegando para jogar uma pelada. Nada mais justo que seja homenageado dessa forma. Não tenho dúvidas de que ele faz grande falta como para o humor, para a televisão, mas com certeza isso não chega nem perto da falta que ele faz para nós como amigos - finalizou Cláudio Manoel.