Alexandre Guariglia
25/08/2016
08:00
São Paulo (SP)

Em agosto de 2015, o zagueiro brasileiro Eric Botteghin trocava o modesto Groningen, onde era capitão e havia acabado de ser campeão da Copa da Holanda, pelo tradicional Feyenoord. Naquele momento ele renunciava à tão sonhada vaga na fase de grupos da Liga Europa para abraçar uma chance em uma equipe maior do país.

- Eu tive que tomar essa decisão de deixar de jogar a Liga Europa neste ano para ir para um time maior, em que eu tenha possibilidade de jogar nos próximos anos e com mais chances do que se eu estivesse no Groningen - disse Eric em entrevista ao LANCE! à época.

Hoje, um ano depois, bicampeão da Copa da Holanda, já que levantou a taça também pelo Feyenoord, e às vésperas de estrear com seu time na Liga Europa, ele voltou a conversar com a reportagem e se disse satisfeito com a decisão que tomou lá atrás:

- Claro que na época que eu vim para o Feyenoord a vaga na Liga pesou, mas hoje olhando para trás foi uma decisão certa, com certeza, porque além de eu ter ido para um time que disputa títulos, com eles a chance é bem maior de chegar longe - afirmou.

Apesar de confiar que com o Feyenoord poderá fazer uma campanha consistente no torneio continental, Eric sabe que o momento dos clubes holandeses não é dos melhores, mas acredita que o fato casa possa ajudá-los a passar de fase.

- Os times holandeses não têm se destacado tanto nesses campeonatos europeus, na verdade. Então tem sido mais difícil, mas claro que o Feyenoord sempre entra forte, todos sabem da nossa força jogando em casa, a gente tem essa vantagem com a torcida lotando o estádio e criando uma atmosfera diferente para a disputa de um jogo desse nível e, claro, nosso primeiro objetivo é a classificação na fase de grupos.

Na temporada passada, as negociações entre Eric, Groningen e Feyenoord se arrastaram a ponto do jogador ter iniciado a pré-temporada em um clube e não ter conseguido terminá-la adequadamente em outro. Essa defasagem nos trabalhos acabou trazendo problemas de lesões para o zagueiro ao longo do ano. Dessa vez, melhor preparado e em sintonia com os companheiros, ele se diz pronto para o desafio continental.

- Nesta temporada foi bom porque já estou desde o começo, desde o primeiro dia com o time, fazendo os trabalhos com todo mundo, estou me sentindo muito bem, preparado, esperançoso e não vejo a hora de começar, espero fazer uma bela Liga Europa.

"Para sair de uma crise, só com vitória, por ter ganho esse jogo, ter classificado para a semifinal da Copa da Holanda, recuperamos a confiança"

Mesmo com um ano de clube, Eric é considerado um dos líderes do grupo, status fortalecido após ter marcado o gol que classificou o Feyenoord, na prorrogação, para a semifinal da última Copa da Holanda, feito que acabou colocando um ponto final em uma 'pane' que deixou a equipe sem vencer por alguns jogos.

- Por conta de a gente ter passado por essa crise, o time ficou sem confiança, acabou batendo o desespero, então pra sair de uma crise, só com vitória, por ter ganho esse jogo, ter classificado para a semifinal da Copa da Holanda, recuperamos a confiança, voltamos a vencer e seguimos assim até o final da temporada - explicou.

Com a troca de comando técnico na Seleção Brasileira, Eric mantém a esperança de ser monitorado pela nova comissão técnica e, quem sabe, ser convocado para vestir pela primeira vez a Amarelinha.

- Sempre que entra um treinador novo a gente sabe que ele vai começar a olhar tudo novamente, claro que ele já tem suas opções e outras escolhas que o treinador antigo já tinha como base, mas por eu estar jogando em clube como o Feyenoord, que é mais conhecido, jogando a Liga Europa, uma vitrine maior, quem sabe. Apesar de ter a noção de que o pessoal do Brasil não olha tanto para o Campeonato Holandês - finalizou.

Confira um bate-bola com Eric Botteghin:

Como avalia esse ano com o Feyenoord?
Na época do Groningen ainda estava nos sonhos de ser campeão, de conquistar algo, graças a Deus consegui, tive uma transferência para um time grande da Holanda, no primeiro ano já fui campeão e classificação para a Liga Europa, foi um ano de mudanças, mas muito bom.

Que balanço você faz da temporada passada do time?
Começamos o campeonato passado muito bem, fomos até a parada de inverno nessa toada, estávamos na segunda posição, a dois pontos do Ajax, que era o líder, mas na volta dessa pausa deu uma pane aqui, ficamos alguns jogos sem vencer, mas conseguimos nos recuperar, ficamos 15 jogos sem perder e ainda conquistamos a Copa da Holanda, foi uma pena que tivemos essa queda em seis semanas, se não teríamos brigado pelo título do Campeonato Holandês também. Acho que o time aprendeu, temos falado bastante sobre isso, corrigir essa instabilidade que a gente teve e nesta temporada acredito que estaremos brigando lá em cima.

O Feyenoord contratou menos do que na temporada passada, isso te preocupa?
Não, na verdade eu vejo por outro lado, pelo lado bom, positivo, porque no ano passado, talvez um dos motivos de termos sido tão instáveis foi pela chegada de muitos jogadores novos, então tinha que se acostumar com a nova ideia, se conhecer e nesta temporada muitos jogadores renovaram seus contratos, tivemos contratações pontuais, e isso só tem a ajudar, porque já somos entrosados, já passamos por coisas boas e ruins, assim o time está bem mais fortalecido, até mesmo na pré-temporada já dava para ver que o estávamos bem melhor preparados, ganhamos os amistosos, porque a gente já está um passo na frente do que a gente estava na temporada passada.

Como você vê essa onda de terrorismo aí na Europa?
Aqui na Holanda é mais tranquilo, graças a Deus ainda não aconteceu nada, mas volta e meia tem algum alarme e o pessoal fica meio desconfiado com qualquer coisa que encontra, mas deixa um pouco preocupado, com certeza. Hoje em dia, quando tem alguma folga, a gente pensa muito bem antes de ir para uma cidade, se lá está tendo alguma ameaça ou não, infelizmente. Antes era tão tranquilo por aqui, você ia para qualquer lado e nem pensava nesse tipo de segurança, hoje a gente pensa um pouco mais, claro, mas nada demais, aqui na Holanda estamos bem seguros.