Mário Boechat
17/04/2016
07:25
Krasnodar (RUS)

Quando entrar em campo às 13h30 deste domingo contra o Rostov, terceiro colocado do Campeonato Russo, o zagueiro Xandão estará completando 100 jogos com a camisa do Kuban Krasnodar. Apesar da expressiva marca, o momento de sua equipe não é bom, com problemas extra-campo e situação preocupante na tabela. Atualmente, ocupa a 16ª colocação, com apenas 20 pontos.

Xandão chegou ao Kuban em 2013 e assinou até o fim desta temporada. Apesar de um contrato longo, o brasileiro não esperava atingir 100 jogos pelo clube.

- Tinha contrato grande, estou há mais de três anos aqui. Mas sinceramente esperava uma negociação no percurso. O clube investiu em mim, me tirou do Sporting, de Portugal, e pensei que nesse período de três anos e meio fossem me vender para recuperar o investimento feito em mim. Surgiram algumas propostas, mas o Kuban preferiu continuar comigo e estou chegando ao fim do meu contrato. É uma marca expressiva e importante para mim. É a primeira vez na minha carreira que chego a 100 jogos por um clube. Fico feliz por alcançar essa marca tão importante.

O zagueiro pode dizer que viveu quase de tudo no Kuban, que é um time de pouca expressão na Rússia. Em 2013, investidores bancavam uma equipe mais qualificada, que chegou pela primeira vez à Liga Europa.

- Cheguei em 2013 e vivi um momento muito bom. Conseguimos pela primeira vez na história do clube uma vaga na Liga Europa. Terminamos o Campeonato Russo em quarto lugar. Foi o momento especial alcançar esse feito. Financeiramente, o Kuban vivia um momento muito bom devido aos investidores que estavam no clube quando cheguei, fizeram boas contratações e conseguimos manter uma equipe competitiva durante dois anos - garantiu.

Xandão
Xandão marca o compatriota Hulk (Foto: Divulgação)

Mas o período de vacas gordas não durou muito tempo. Os investidores deixaram o clube, que passou a conviver com sérios problemas financeiros. Tanto que os salários, atualmente, estão atrasados em três meses. Segundo Xandão, isso vem afetando também o rendimento dentro de campo.

- No momento, estamos com três meses de salários atrasados. Desde o ano passado que o clube não paga em dia. Mas parece que agora está mais complicado ainda, pois ninguém dá nenhuma previsão de quando vai pagar. Tem mais de um ano que não recebemos premiação pelos jogos. A situação está bem crítica mesmo. Nós jogadores fomos atingidos e dentro de campo as coisas não estão indo tão bem quanto antes. Do início da temporada para cá, não estamos alcançando bons resultados. A crise acabou afetando a gente - lamentou o defensor.

A fonte de dinheiro do Kuban secou e, com a escassez de recursos, alguns jogadores foram negociados no início da temporada. Na janela de janeiro, nomes importantes deixaram o clube, alguns devido aos salários atrasados. De acordo com Xandão, o elenco reduzido é o principal culpado pelos resultados ruins.

- O que mais tem afetado a gente é o elenco reduzido. Perdemos muitos jogadores ao longo da temporada, jogadores importantes que acabaram saindo, tanto na janela de transferências do início da temporada quanto na de inverno. Por causa dos salários atrasados, três atletas importantíssimos foram à Fifa e deixaram a equipe. E a diretoria não conseguiu trazer nomes para repor as perdas. Com o elenco reduzido, muitos jovens da base subiram para completar o time.

BRASILEIROS CHEGARAM NESTA TEMPORADA

Durante a pausa do futebol Russo devido ao rigoroso inverno no país, Xandão ganhou a companhia de mais dois brasileiros: o zagueiro Felipe Santana e o lateral Apodi. Os novos companheiros só estrearam em março, quando o campeonato local voltou à atividade.

Zagueiro Felipe Santana vai vestir as cores do Kuban Krasnodar
Felipe Santana chegou este ano ao Kuban (Foto: Divulgação)

Apesar do pouco tempo juntos, Xandão acredita que o entrosamento só tende a melhorar e que o língua é um fator fundamental para uma melhor comunicação no setor defensivo.

- A chegada do Felipe Santana e do Apodi só vem para somar. Não só para o time, pela qualidade deles, mas também a mim, pela questão da língua, a facilidade de me comunicar. Um vem ajudando o outro e isso se reflete no rendimento da equipe também. A defesa é o alicerce do time e nós três estamos fazendo de tudo para dar sustentação ali atrás e quem sabe conseguir decidir ali na frente também para alcançar os resultados.