Mário Boechat
25/06/2016
07:30
Leverkusen (ALE)

O lateral-esquerdo Wendell deixou as férias de lado e a família no Brasil para chegar à pré-temporada do Bayer Leverkusen a todo vapor. Isso porque o jogador operou os ligamentos do tornozelo esquerdo em abril e está em fase final de recuperação. Além de chegar preparado para treinar com os companheiros na Alemanha, ele tem como meta a disputa dos Jogos Olímpicos com a Seleção Brasileira, em agosto.

Aos 22 anos, Wendell foi convocado para os últimos jogos da Seleção olímpica e nutre o sonho de vestir a Amarelinha na competição. Na quarta-feira, dia 29, o técnico Rogério Micale anuncia os 18 jogadores que tentarão buscar o inédito ouro olímpico, único título que falta ao Brasil.

- Espero que eu seja chamado para representar o Brasil. Se pintar a oportunidade, vou dar o meu máximo para conseguir esse ouro tão sonhado não só por mim, mas por todo o país. Nas últimas convocações, eu fui lembrado para vestir a camisa da Seleção e cada vez que estou lá é um sonho que se realiza.

RECUPERAÇÃO

Já estou liberado pelos médicos e na fase de transição entre fisioterapia e preparação física. Se não operasse, também estaria retornando agora. Estou correndo na esteira, não ganhei peso e não sinto dor. Me sinto melhor a cada dia, o que me deixa mais motivado. A cirurgia foi muito bem feita, os médicos disseram que foi um sucesso. Venho fazendo a minha parte, que é me dedicar à programação que o clube preparou. Claro que dá saudade da família, mas faz parte. A gente se fala todos os dias, minha esposa liga a câmera e consigo ver meu filho.

Wendell - Bayer Leverkusen
Wendell vem se recuperando bem (Foto: Divulgação / Bayer04.de)

NEYMAR

Todo mundo sabe a qualidade do Neymar. Em qualquer time ou seleção, ele seria titular. Todo mundo sabe o que ele representa para o futebol, não apenas para o brasileiro, como também para o mundial. É um jogador que vai dar mais estabilidade e vai definir os jogos. Todos sabem que ele é o 'cara'.

RESPONSABILIDADE

Temos uma comissão técnica forte, com muita gente capacitada, e um grupo preparado para fazer uma grande competição. Conquistar a medalha de ouro é o nosso objetivo principal. O Brasil tem grandes jogadores e a equipe está muito concentrada no que quer e com certeza vamos conseguir nosso objetivo. 

SELEÇÃO OLÍMPICA DA ALEMANHA

A seleção alemã é muito forte, que vem junto desde o sub-13, tem grandes jogadores que são meus companheiros que devem estar na Olimpíada. Sabemos que o futebol alemão é uma das forças do futebol internacional, atual campeão mundial, e tem jogadores que podem fazer a diferença. Mas o Brasil tem condições de fazer frente a eles.

CONCORRÊNCIA NA SELEÇÃO

Gosto muito do Douglas Santos, que é um grande jogador. Somos muitos amigos, considero-o como um irmão. O Zeca também é um grande jogador e vem fazendo uma grande temporada pelo Santos. É difícil conquistar uma vaga na lista final da Seleção, mas estou trabalhando para isso. Na Seleção principal, gosto muito do Marcelo. O Filipe Luís fez uma excelente temporada no Atlético de Madrid, assim como o Alex Sandro fez na Juventus. O Brasil está muito bem servido de lateral-esquerdo.

ENFRENTAR MESSI E O BARCELONA

Sabíamos que seriam jogos difíceis, contra grandes jogadores. Acredito que os dois jogos contra o Barcelona tenham sido os nossos dois melhores em toda a temporada. Na Espanha, tivemos a infelicidade de levar dois gols em três minutos e acabamos sofrendo a virada. Foi uma experiência legal de jogar contra um dos maiores clubes do mundo. No começo, senti um pouco de nervosismo, mas depois que a bola rola, são jogadores que te deixam 100% concentrados. A minha sorte é que o Barcelona já enfrentou a gente no Camp Nou classificado e eu não tive tanta dificuldade em marcar os atletas deles. Foi um duelo para provar que tenho capacidade de estar onde estou, no futebol europeu, enfrentando nomes como o Messi.

HOME - Bayer Leverkusen x Barcelona - Liga dos Campeões - Roberto Hilbert e Ivan Rakitic (Foto: Patrik Stollarz/AFP)
Leverkusen encarou o Barça na Champions (Foto: Patrik Stollarz/AFP)


JOGAR A LIGA DOS CAMPEÕES


É uma sensação diferente. A gente estava acostumado a ouvir aquele hino apenas pela televisão e quando você escuta dentro de campo, não tem como não se emocionar. Parece um sonho. É um charme diferente, mas não é tão diferente da Libertadores, que é um campeonato mais quente. A Libertadores é um pouco mais de pegada. A Liga dos Campeões é mais qualificada, mais bonita. Não sei se a escolha certa seria a Champions, porque gostei de jogar as duas competições. Não tenho um parâmetro para definir qual é a melhor.

BAYER NA CHAMPIONS

Estou muito empolgado com a minha próxima temporada. Chegar à Liga dos Campeões novamente era a missão do Leverkusen e graças a Deus conseguimos. E vamos enfrentar novamente os melhores clubes e jogadores do mundo. Estou muito motivado e espero que na próxima temporada a gente possa fazer diferente da que passou, pois tínhamos condições de chegar em segundo na nossa chave e não fomos capazes por causa de pontos que perdemos em casa. Espero chegar um pouco mais longe nesta temporada.

FAVORITISMO DO BAYERN

Dentro de campo, tudo pode acontecer. Mas até pelo dinheiro que eles têm, o poder dentro da Alemanha, os jogadores, entram com total favoritismo. Mas nada é impossível no futebol. Sabemos que o Bayern de Munique é o time a ser batido, porém há equipes capacitadas que podem chegar e ser campeãs.

Gotze - Bayern de Munique x Hannover
Bayern é o bicho-papão na Alemanha (Foto: Christof Stache / AFP)


INTERESSE DE GIGANTES


Fico feliz de algumas pessoas terem falado que Barcelonam Real Madrid e PSG estavam interessados em mim, mas fico bastante tranquilo sobre esse assunto. Vivo o presente, estou no Leverkusen, estou feliz aqui. Quero fazer história no futebol alemão. Isso só motiva mais, para ficar mais ligado nos jogos e procurar fazer o melhor sempre. Quem não fica feliz em ouvir que Barcelona, Real Madrid e PSG estão interessados em você? Espero fazer uma excelente temporada para que meu nome continue circulando nos jornais esportivos da Europa.

LEVERKUSEN O VENDERIA?

Nosso clube é vendedor. O Leverkusen tem essa cultura, o trabalho de comprar jogadores jovens para revender depois. Acho que estaria disposto, sim, a me vender, caso surja uma proposta boa para as duas partes. Espero que dê tudo certo para mim e para o Leverkusen, se for para ficar na Alemanha ou jogar em outro clube, eu vou estar muito feliz.