Alexandre Guariglia
06/02/2017
07:45
São Paulo (SP)

Jogar na Europa é o sonho da grande maioria dos jogadores brasileiros. Com o meio-campista Pedro Ken, ex-Coritiba e Vasco, não foi diferente. Ao aceitar uma proposta do Terek Grozny, da Rússia, viu a oportunidade de realizar um desejo, mas apesar de bem adaptado ao clima e ao futebol local, entrar em campo tem sido raro para o jogador de 29 anos. A intenção agora é buscar novos rumos, desde que seja para jogar com mais frequência.

- A situação é que eu tenho mais um ano e meio de contrato aqui, mas eu quero jogar, quero sair para ter mais oportunidades de jogar - explicou Pedro Ken em entrevista ao LANCE!

Ele tem razão, desde que chegou ao clube russo, em fevereiro de 2016, foram seis jogos, quatro deles como titular, pouco mais de 300 minutos em campo. Se observarmos apenas a temporada atual, os números são piores. O ex-Coxa atuou em somente uma partida. Foram 66 minutos, até ser substituído.

- Aqui na Rússia a gente joga 33 ou 34 jogos, mais ou menos, são poucos. Para suspender são quatro amarelos, tem uma lei que obriga que joguem cinco russos e nosso time está muito bem, está em quarto, na zona de Europa League, em uma ótima situação. Então o time está certinho, está encaixado. Está difícil para eu jogar, para eu ter uma oportunidade - lamentou antes de completar:

- É difícil para mim, porque quase em toda a minha carreira eu passei jogando, pra mim é muito importante estar dentro de campo, então se nesse um ano e meio, eu tiver uma situação, que é claro, não quer dizer que eu saindo daqui eu vá jogar, mas talvez eu tenha mais chances, mais possibilidades.

A temporada na Rússia é curta, restam 13 jogos para o Terek encerrar sua participação. Com uma base formada há quase quatro anos, e fazendo boa campanha, é difícil que uma brecha seja aberta. Embora esteja treinando com os companheiros de time na pré-temporada, Pedro não crê que algo possa mudar na volta do campeonato após três meses de pausa de inverno.

- É como se eu estivesse sempre esperando a minha oportunidade e como eu falei, em outro lugar você tem mais jogos, mais suspensões, aqui é difícil ficar suspenso com quatro cartões, aqui também é difícil ter lesões, porque você acaba tendo mais tempo pra treinar, então não tem muito mais perspectiva, como o time está bem, não mexe, a questão é essa - argumentou.

O período de poucos jogos na Europa, porém, não faz com que o meio-campista se arrependa da mudança, pelo contrário, a estadia estaria perfeita, não fosse a falta de oportunidades.

- Não me arrependo, para mim foi ótimo, porque é um nível muito bom, aqui a gente tem muito tempo para treinar também, então você acaba indo inteiro pra os jogos, facilita para assimilar o trabalho do treinador em vários aspectos, então foi muito bom, não só profissionalmente, como também na parte cultural de conviver com pessoas de culturas diferentes, conhecer lugares diferentes, não me arrependo de forma alguma.

Como citado pelo próprio jogador, ainda há um contrato vigente com o clube russo que se encerra daqui um ano e meio, mas por conta de sua insatisfação já houve uma conversa entre as partes em que ficou estabelecido que nada impediria a saída de Pedro Ken, caso aparecesse algo interessante.

- Já até conversei com o pessoal, eles entendem essa situação, e se aparecer alguma coisa pra mim, eu já consegui minha liberação. Como eu vim em final de contrato, eles não me compraram, acaba sendo mais fácil, então se acontecer uma situação por agora ou no meio do ano, meio que eu já posso sair - avisou.

BATE-BOLA COM PEDRO KEN, MEIO-CAMPISTA DO TEREK GROZNY, DA RÚSSIA

Acha que a falta de oportunidades é algo pessoal com o treinador?
Não é nada pessoal, não sou só eu que estou nessa situação, outros jogadores também. Infelizmente precisam jogar 11, né? Quando eu cheguei aqui, foi no meio da temporada passada, já tinha um time jogando e hoje é praticamente o mesmo time. Como eu falei, é como se eu estivesse esperando uma oportunidade pra entrar, até tive chance para jogar, fui bem, mas foram em situações de exceção, no outro jogo já voltou o time normal.

Você demorou para se adaptar ao país?
A adaptação foi muito boa, o futebol aqui tem crescido muito, vão sediar a Copa do Mundo, os clubes têm um poder econômico muito grande, contratam jogadores do mundo inteiro, então o nível do campeonato é muito alto e é futebol europeu, então tem sido um aprendizado muito grande em todos os aspectos, conviver com jogadores de outros países, clubes diferentes. Não tive problemas de adaptação ao frio também, claro que em alguns jogos a gente acaba passando frio, mas na parte do inverno mais rigoroso o campeonato acaba parando, então a gente só vai ter jogo agora no dia 5 de março, são quase três meses, a gente para no início de dezembro. Na pré-temporada a gente viaja para os países que tem um clima mais ameno.

Morar fora do país não foi obstáculo para você?
Pra mim é tranquilo, porque é uma coisa que eu já sabia que iria enfrentar, claro que a gente fica com saudade do seu país, dos seus costumes, da sua família, namorada, amigos, acho que isso é o que mais acaba pegando. O povo russo é um povo mais fechado, mais frio, mas a situação mesmo é que eu queria ter mais oportunidades de jogo, eu tenho 29 anos, então é bom que eu esteja jogando, tenha mais chances de estar em campo, não tem outra questão mesmo.

Tem preferência para jogar em algum lugar?
A janela pra Europa já fechou, então o mais fácil de acontecer seria voltar para o Brasil, mas se aparecer alguma coisa boa no exterior mesmo, independentemente de onde for, se for um lugar bom, eu vou. Não tem nada em vista, até porque é uma coisa mais recente que eu acabei decidindo.