(foto: Fundação Real Madrid/Divulgação)

Crianças aprendem valores como esforço, respeito e liderança (foto: Fundação Real Madrid/Divulgação)

Olga Bagatini
19/05/2016
07:55
São Paulo (SP)

Vivenciar a rotina de um craque é sonho de qualquer pequeno ou pequena fã de futebol. Como será o dia a dia nos maiores clubes do mundo? A Fundação Real Madrid promoverá, em São Paulo, um evento que permitirá a crianças e adolescentes de 7 a 17 anos realizar este sonho.

Entre os dias 4 e 29 de julho, a instituição realizará o Campus Experience, projeto inédito no Brasil. O intuito é difundir noções para a formação individual, esportiva e social dos participantes de maneira lúdica, seguindo a filosofia do clube merengue.

De acordo com Joaguim Sagués, diretor mundial do projeto, a ideia é ir muito além do futebol. O campo será comandado por treinadores formados no Real Madrid e monitores brasileiros, que utilizarão craques do time de exemplos para transmitir aos jovens valores como liderança e trabalho em equipe.

- A cada manhã trabalhamos uma lição e damos um treinamento. De tarde, realizamos partidas de futebol para que as crianças ponham em prática o que aprenderam. Assim, elas entram nessa dinâmica de como é o cotidiano de seus ídolos - disse o espanhol ao LANCE!.

- Além dessa formação futebolística e de valores, também oferecemos uma formação esportiva completa. Explicamos como prevenir lesões, por exemplo, e para que serve cada músculo do corpo. Também se trabalha com eles a dieta e a alimentação, . Os monitores explicam a importância de variar o cardápio, e quando uma criança teima, dizemos "Marcelo come verdura, você tem que comer verdura", e a criança come. Ou "tem que comer peixe, porque Cristiano Ronaldo come peixe", e a criança come - acrescentou.

Na edição do Campus realizada em Madri em julho do ano passado, mais de 3 mil crianças de 83 países participaram. Mas a Fundação Real Madrid achou injusto que, para viver essa experiência, fosse preciso viajar à Espanha. E decidiu expandir o projeto para os quatro cantos do globo.

Uma das metas é implementar o projeto em Cuba, já que o fortalecimento da Major League Soccer (MLS) nos Estados Unidos aumentou a popularidade do futebol nos países sob a influência cultural americana. 

- Em todos os países da órbita dos EUA, onde até pouco tempo atrás o principal esporte era o beisebol, agora o futebol está crescendo. Depois da Espanha, os Estados Unidos foi o país com maior número de participantes, com mais de 800 crianças. Há torcida. E em Cuba está acontecendo o mesmo. Por isso pensamos em fazer o primeiro Campus lá - explicou o diretor. 

No Brasil, já foram realizadas "clínicas" do Real e de outros gigantes europeus. Trata-se de um projeto mais curto, voltado especificamente para o futebol. No entanto, a instituição fará o campo completo em São Paulo pela primeira vez. 

O programa será dividido em duas partes. A primeira, na quinzena inicial de julho, será realizada no Ville Soccer, em Alphaville. Já na segunda quinzena, a atividade será no Rivellino Sport Center, em São Paulo. São 560 vagas no total, e os valores estão no site do Campus Experience. Para dar oportunidade aos que não têm condições de pagar pelo programa, a Fundação criou uma inscrição social, na qual crianças e jovens da Casa do Zezinho e do Projeto Fazendinha (PROFAZ) podem ser apadrinhadas por terceiros. 

A intenção não é recrutar atletas ou buscar talentos, mas educar e formar jovens através da metologia utilizada no Real Madrid. Além disso, é uma das maneiras encontradas pelo clube - segundo a Forbes, a marca esportiva mais valiosa do planeta - para devolver à sociedade parte do apoio dos fãs. 

- Ter alguns dos melhores jogadores do mundo desperta a torcida por todo o mundo. É nossa responsabilidade desenvolver programas sociais para devolver esse apoio. Claro que isso fortalece a marca, porque angariamos novos torcedores e consumidores, mas não é o elemento chave. Nosso maior objetivo é possibilitar que crianças tenham acesso à essa formação humana e esportiva. Não buscamos craques ou comprar-lhes a alma para que sejam madrinistas para toda a vida. Isso é consequência - completou Sagués.