RADAR / LANCE!
14/12/2016
12:33
Rio de Janeiro (RJ)

O histórico triunfo por 3 a 0 que o Kashima Antlers aplicou sobre o Atlético Nacional, nesta quarta-feira, pela semifinal do Mundial de Clubes, ganhou dimensões internacionais também graças à interferência da arbitragem. O primeiro gol, marcado por Doi, aconteceu após o árbitro Viktor Kassai (Fifa/HUN) assinalar um pênalti graças ao auxílio do recurso tecnológico.

Porém, o lance, inédito na história do torneio, rendeu uma polêmica que correu o mundo, pois, no início da jogada, Nisshii Daigo voltava em impedimento. Representante da Conmebol no Ifab e Instrutor Técnico da Escola Nacional de Arbitragem, Manoel Serapião Filho admitiu falta de orientação de quem realizou o uso tecnológico, mas não crê em uma retrocesso:

- Pode servir como uma grande lição. Foi um erro inaceitável, e talvez o árbitro de vídeo não tenha sido devidamente orientado. Ele precisava apontar um impedimento, e não o pênalti. O recurso de vídeo deve ser utilizado para lances claros e indiscutíveis, e não de interpretação - afirmou o ex-árbitro, ao LANCE!.


Ao LANCE!, o ex-árbitro José Roberto Wright definiu o uso da tecnologia como "mambembe", e previu que os erros de árbitros de vídeo podem ser ainda mais frequentes em outras competições:


- Quando vemos em um torneio como este, com tantas câmeras, segue a possibilidade do erro, imagina o que pode acontecer em competições com menos recursos tecnológicos! Em relação à jogada, houve de fato um impedimento, enquanto o lance do pênalti marcado, tenho dúvidas, mais um encontrão entre os dois.

Especialista em Arbitragem da Academia LANCE!, Wright também não poupou críticas à Fifa sobre a forma como o recurso tecnológico surgiu:

- A maneira como houve o uso do vídeo também comprova que a Fifa está completamente perdida em sua análise. Não é permitido na regra do jogo voltar atrás uma partida. Isto dá margem para acontecer uma infração maior.

Comentarista da Rede Globo, Arnaldo Cezar Coelho também questionou a orientação do árbitro de vídeo:

- O jogador que estava impedido, volta e passa a interferir na jogada. O calço acontece quando ele sofreu um tranco do adversário. O árbitro de vídeo tinha de orientar o juiz, mas não o fez.

O ex-árbitro definiu a ideia como bem intencionada, mas mal executada:

- Infelizmente, é uma boa ideia, mas é um brinquedo novo que entregaram na mão de irresponsáveis. Interferiram na arbitragem de um árbitro da Fifa. O gol teve interferência no jogo, e em um jogo de Mundial!  Foi uma grande lambança.

Comentarista da Fox Sports, Carlos Eugênio Simon limitou-se a avaliar a jogada. Aos seus olhos, o pênalti foi bem assinalado


- Quando a bola é alçada para a área, o jogador Nishi Daigo está adiantado, em impedimento. Porém, a bola originalmente não vai para ele, e sim para outro companheiro, na mesma linha de Berrio. Portanto, o que caracteriza é que houve a infração, o pênalti foi bem marcado.