Sampaoli (Foto: Claudio Reyes / AFP)

Sampaoli conduziu o Chile para o título da Copa América  (Foto: Claudio Reyes / AFP)

Carlos Alberto Vieria
19/01/2016
20:35
Rio de Janeiro (RJ)

Acabou em divórcio quase litigioso o casamento de Jorge Sampaoli com a seleção chilena. Novela de final esperado que vinha durando desde novembro e que contou com um grande processo de fritura que fez o argentino passar do status de semideus dos torcedores chilenos para se tornar um pária mercenário.

Após levar o Chile ao primeiro título da centenária Copa América, Sampaoli, treinador renomado por tudo o que construíra na La U e na própria seleção, tornou-se ainda maior, com mercado no exterior. Quando Sergio Jadue, presidente da federação local, caiu em desgraça por causa do Fifagate e renunciou, estava aberto o caminho para que Sampaoli pudesse deixar o selecionado. Afinal, o cara que mais o apoiou e a quem devia lealdade, estava fora. A confirmação de que ele era finalista ao prêmio de melhor técnico do ano pela Fifa o colocou ainda mais em voga no mercado da bola. Definitivamente o Chile estava pequeno demais para ele. Restava apenas conversar sobre a multa contratual para o distrato.

A partir daí o que ocorreu foi uma encenação. A federação sabia que não iria segurá-lo, mas não queria aparecer como a vilã por ter perdido o personagem mais enigmático da seleção. Passou a fritá-lo na mídia. Nem foi tão difícil. Primeiro, divulgou o salário, R$ 1,2 milhão/mês. Para efeito de comparação, o maior vencimento entre os jogadores no país é o do ídolo Suazo no Colo Colo, R$ 240 mil. Quando foi publicado que o antigo presida da federação tinha acenado com mais aumento salarial, aí é que a torcida ficou irada. Ao mesmo tempo se insinuava - sem prova - que ele poderia estar envolvido em escândalos da federação. Nada confirmado, mas o estrago estava feito.

Em seguida, veio questão da multa contratual de R$ 24 milhões. Para a federação, já com presidente novo, Arturo Salah, bastava Sampaoli pagar e sair. O técnico achou o valor alto. Era mesmo. Mas vai falar isso para os chilenos. Como prova de que a coisa estava negra para o seu lado, quando Sampaoli desembarcou vindo da premiação da Fifa em Zurique, na semana passada, centenas estavam no aeroporto para vaiá-lo, xingá-lo, dar cusparadas.


Não havia mais clima. Restava ver até quando a queda de braço sobre a multa duraria. O capítulo final ocorreu ontem. A federação topou 30%, ou R$ 4 milhões. Sampaoli também abriu mão de um mês de salário e do prêmio da Copa América. E agora, o argentino mais odiado no Chile pegará o avião rumo à Europa para encarar um novo desafio.