Lazlo Dalfovo
27/10/2017
08:10
Changchun (CHN)

Mário Sérgio Santos Costa. Ou Marinho. Ou Di Marinho. Aos 27 anos, o extrovertido atacante ex-Vitória está na reta final de sua primeira temporada no futebol chinês. O saldo é positivo, apesar de não ter repetido a fase artilheira de 2016, quando marcou 21 gols no Brasil. Com a camisa do Changchun Yatai, até aqui, foram dois gols em 16 oportunidades.

Cada vez mais adaptado à China, Marinho conversou com o LANCE! sobre as barreiras encontradas nos primeiros meses na Ásia. O meia-atacante também comentou a respeito de propostas de gigantes brasileiros no fim da última temporada, sobretudo a do Flamengo - clube que mais se aproximou do jogador. Por fim, brincou sobre o apelido e contou onde é o berço da alcunha.

- Foi uma adaptação um pouco complicada, não pela cidade, nem pela alimentação. Não joguei no início, a equipe vinha de derrotas consecutivas e isso pesou um pouco para aumentar a cobrança, até de minha parte, para marcar gols, o que também não ajudou - comentou Marinho.

- Hoje, eu jogo pelo lado esquerdo, onde eu, praticamente, não tinha jogado no Brasil. Tivemos a troca de treinador também (o sul-coreano Lee Jang-Soo deu lugar ao chinês Jingang Chen), e eu perdi espaço com ele. Pedi para treinar no time B para manter o ritmo, e isso foi importante. Hoje estou mais adaptado, o Chen tem me elogiado e dito que eu compreendi o futebol local. Não é nada fácil se adaptar ao futebol chinês - emendou o atleta.

'Não é fácil se adaptar ao futebol chinês'

Marinho despontou tarde no cenário nacional. Depois de passar pelas divisões de base do Fluminense e do Internacional, onde ficou encostado e não teve oportunidades no time de cima, Marinho teve a carreira catapultada na Série B de 2015, com a camisa do Ceará. Pouco depois de brilhar e virar meme com as pérolas "Sabia não" e "É mesmo? Que m..., hein", acertou com o Cruzeiro. 

Em Belo Horizonte, fez 12 partidas, marcou um gol e deixou o clube emprestado depois de algumas críticas. No Vitória, no último ano, as oportunidades surgiram e o seu potencial aflorou ao longo de 43 jogos, tanto que o Leão o adquiriu em definitivo. Propostas surgiram, ele chegou a estar muito perto do Flamengo, mas o clube baiano travou o negócio. Ele explica. 

- Fiquei sabendo de propostas do Flamengo, Grêmio, Santos e Botafogo, mas a situação com o Flamengo avançou bastante, estava muito perto de um acerto, mas não rolou. O Vitória queria o valor integral e os clubes encontraram dificuldade para negociar. Aí, quando a proposta da China veio, o Vitória disse que era a única forma de eu sair.

O contrato de Marinho com o Changchun Yatai é até dezembro de 2019

- Foi a escolha certa, não me arrependo. Tenho que pensar no meu futuro e a carreira de jogador passa muito rápido. O futebol é dinâmico, mas, por enquanto, não penso em sair. Espero que tudo dê certo aqui. Quando voltar ao Brasil, não darei preferência à nenhuma equipe.

Eu seu momento de lazer em Changchun, Marinho tem jogado sinuca e, quando se depara com longas brechas no calendário local (às vezes de até cinco folgas na semana), aproveita para conhecer a China, de trem, com a família. Como era de se esperar, por lá, o assédio dos fãs não chega ao calor daqui. Aliás, foi nesta altura que Marinho falou sobre o apelido "Di Marinho".

- Levo o apelido muito na boa, eu me amarro. Recebi ainda no Ceará, mas foi no Vitória, na ótima fase, que pegou mesmo. Eu me divertia quando me chamavam para tirar foto assim (risos). Geral chama... Acho um reconhecimento e um carinho - finalizou. 

MOMENTO DE TIME CHINÊS

Depois de passar boa parte da temporada na briga contra o rebaixamento, nesta reta final de Super League, o Changchun Yatai não corre mais risco de queda. Assim, o técnico Jingang Chen tem feito rodízio de estrangeiros, onde o centroavante nigeriano Ighalo (ex-Watford) tem se destacado. 

Invicto há quatro partidas, o time de Marinho é o oitavo colocado do nacional, com 38 pontos, restando dois jogos para o fim. O último gol do brazuca se deu na golada por 5 a 1 sobre o Tianjin Teda, fora de casa, há cerca de um mês.