Torcida do Leicester - Chelsea x Tottenham

Em Leicester e o no mundo, todos torceram pelo "mais fraco".  Agora é hora de festejar o título improvável da Premier League. Mas sem perder o foco: o sucesso midiático dos Foxes pode torná-lo um grande    / AFP

Carlos Alberto Vieira
02/05/2016
18:44
Rio de  Janeiro (RJ)

Dinheiro gera dinheiro. É preciso competência,  algumas vezes sorte. Em outros casos as duas coisas e mais um bocado de ousadia. Lá na Inglaterra estamos vendo uns sortudos que apostaram uma libra no título do Leicester e ganharão cinco mil, pois este era o time menos cotado. Teve quem apostou 50 libras  e levará 250 mil. Dinheiro na sorte.

O astro do Leicester é o Vardy. Há anos estava na quarta divisão e hoje faz gol a rodo e é titular da seleção inglesa.  Ganhará belo aumento por sua competência.

Quem mais ganhará com o Leicester não precisa de dinheiro.  Vichai Srivaddhanaprabha. Bilionário, nono mais rico da Tailândia pela Forbes ,  o rei dos freeshops nos aeroportos do país natal (entre outros negócios) e que comprou o Leicester sonhando em tornar-se um Roman Abramovich, que fez do Chelsea potência e virou popstar.

Diferentemente de Abramovich, com jeitão de galã, Vichai é tiozão sem empatia. Diferentemente de Abramovich que chegou injetando centenas de milhões no elenco do Blues, Vichai desde que entrou no clube em 2010 (comprando-o por R$ 200 milhões) sempre apostou em jogadores modestos. No início da temporada, o seu time inteiro não valia um dos craques do Chelsea. Pelo seu planejamento, investiria a conta-gotas - até porque estava perdendo dinheiro - e lá para 2018 o Leicester talvez disputasse uma Liga Europeia.

Só que desde esta segunda, com o tropeço do Spurs no clássico com o Chelsea, o Leicester ratificou a campanha mais épica da história: o nanico foi campeão
da Premier League, o mais rico e relevante campeonato nacional, aquele
que, embora pouco valorizado no Brasil, é o torneio mais acompanhado
em cada um dos países da Europa depois da Champions e da Liga local. E audiência pesada na África, Ásia e EUA.

Aí é que pinta o barril de dinheiro em que Vichai sobre o qual se sentou. Enquanto os novos ricos que são campeões - City, Chelsea, PSG - contam com algum grau de antipatia, o Leicester é queridinho. O mundo torceu por ele no Inglês. Agora, torcerá por ele na Champions, vai querer que conquiste o bi da Premier League e estará louco para consumir tudo dele. Podem quintuplicar a fabricação de camisas: venderá! Podem aumentar o preço dos ingressos: lotará! Com o esquema de pagamento de cotas de TV na Inglaterra, os Foxes já contabilizam forte alavancagem financeira. Se fizer bonito na Champions, podem levar até R$ 400 milhões em prêmios.

Vichai é um dos 600 mais ricos do mundo, já está lucrando e nem precisará pôr dinheiro do bolso para acimentar a popularidade do Leicester. Basta usar parte da grana nova para um craque e para ações de marketing.

O Inglês começou em agosto. Em nove meses de gestação, veio o parto do novo campeão. Este é o nascimento do primeiro "nanico grande", aquele que pode aproveitar as redes sociais para ganhar ainda mais simpatia e que tem dinheiro para andar com as próprias pernas no meio dos titãs do mundo da bola.