Sebá Dominguez

Sebá Dominguez posa para projeto "Pelota de papel" (FOTO: Divulgação)

Eduardo Lucizano
26/04/2016
07:15
São Paulo (SP)

Das dezenas de obras publicadas, o escritor baiano Jorge Amado escreveu apenas uma tendo como tema o futebol, o infantil A Bola e o Goleiro, de 1984. Esse livro, no entanto, não está no mesmo patamar de Gabriela, Cravo e Canela (1958), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966) ou Capitães de Areia (1937). E foi justamente este último que chamou a atenção do argentino Sebastian Dominguez.

Contratado pelo Corinthians para jogar ao lado de Tevez e Mascherano, Sebá ficou no clube por dois anos e foi campeão do Brasileiro de 2005. De lá para cá, passou por Estudiantes, América-MEX, Vélez Sarsfield e acaba de voltar ao Newell’s Old Boys, clube que o revelou.

Ao lado dos jogadores uruguaios Agustín Lucas e Jorge Cazulo, e do técnico Mariano Soso, Sebá está lançando um livro escrito por jogadores como Aimar, Mascherano, Sorín, e também técnicos, como Jorge Sampaoli. A obra será em formato de contos, todos fictícios e sobre futebol, claro, acompanhados de breves apresentações e de uma ilustração.

- São todos amigos que uniram a paixão por ler, alguns até por escrever. Decidimos fazer um livro para mostrar que os jogadores têm sensibilidade e podem dizer algo. Por meio do futebol, podemos demonstrar isso, inclusive problemas sociais, conta Sebá, em entrevista exclusiva ao LANCE!

A sensibilidade do ex-xerife do Timão vai além de apenas escrever um livro. O dinheiro arrecadado com as vendas da obra será doado para duas instituições de caridade, uma na Argentina e outra no Uruguai. Pelota de Papel (Bola de Papel, em tradução livre) é escrito por 23 jogadores, ex-jogadores e técnicos. O nome foi escolhido pelo jornalista Juanky Jurado, da revista El Gráfico, que produz, coordena e edita o livro.

- Estava vendo um filme e havia uns meninos brincando na escola, na hora do recreio, correndo no pátio. Lembrei-me das bolas de papel que fazíamos para brincar no colégio, já que não podia ter bola de verdade para não quebrar nada. É algo bem significativo, porque a escola é o lugar onde aprendemos a ler, escrever e desenhar, as três coisas estão presentes no livro.

Em sua passagem pelo "País do Carnaval", além de muito suor, Sebá gostou das obras do escritor baiano de Itabuna.

- Eu gosto de ler de tudo, no Brasil comecei com Capitães de Areia, a partir disso começou meu "romance" com ele e li toda a sua obra. Estive recentemente na Bahia e pude conhecer um pouco sua cidade, vida, as ruas por onde andou, escreveu, e fez história, diz Sebá.

Mas nem todos são iniciantes na literatura. No Uruguai, o zagueiro Agustín Lucas é conhecido por ser jogador e escritor, e seus contos são publicados em um blog. Ele adianta que criou uma espécie de tragédia teatral e revela seu gosto pela música brasileira.

- São muitos anos escrevendo, não é normal vincular as duas disciplinas, ambas de arte. Como zagueiro e escritor, me considero um tipo rústico, da velha escola, um apaixonado por ambas as coisas. Escuto muitas músicas do Brasil, como Tim Maia, Gabriel Pensador, Racionais, as canções populares que dizem muito.

Além da música, Agustín, que mora em Montevidéu e vai à Argentina para as reuniões editoriais, diz admirar o ex-jogador Sócrates e toda a história da Democracia Corintiana, uma espécie de inspiração para ele.

- O mundo que se criou em volta do Corinthians, a questão social e política. Tenho isso como um pilar de vida e de futebol, como cultura do esporte, diz Agustín ao LANCE!

Pelota de Papel deve ser lançado neste mês de abril na Argentina. Não existe previsão para lançamento no Brasil. Segundo Juanky, o objetivo é lançar o livro em toda a América e também na Espanha.